Category Archives: Música

Um lamento sertanejo, na visão de Gilberto Gil e Dominguinh

Resultado de imagem para gil e dominguinhosDominguinhos e Gil, amigos e parceiros

O instrumentista, cantor e compositor pernambucano José Domingos de Morais (1941-2013), o Dominguinhos, 02na letra de “Lamento Sertanejo”, em parceria com Gilberto Gil, inspirou-se na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas. A música faz parte do LP Refazenda, gravado por Gilberto Gil, em 1975, pela WEA.

LAMENTO SERTANEJO

Gilberto Gil e Dominguinhos

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.

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O bem e o mal, na visão criativa de Danilo Caymmi e Dudu Falcão

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O instrumentista, cantor e compositor carioca Danilo Caymmi, com seu parceiro Dudu Falcão,  guarda dois corações divididos entre “O Bem e o Mal”. A música consta do CD Danilo Caymmi, gravado em 1992, pela RGE.


O BEM E O MAL
Dudu Falcão e Danilo Caymmi

Eu guardo em mim
Dois corações
Um que é do mar
Um das paixões
Um canto doce
Um cheiro de temporal
Eu guardo em mim
Um Deus, um louco, um santo
Um bem, um mal

Eu guardo em mim
Tantas canções
De tanto par
Tantas manhãs
Encanto doce
Um cheiro de vendaval
Guardo em mim
O Deus, o louco, o santo
O bem e o mal

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A camisola do dia, que abalou os sonhos de David Nasser e Herivelto Martins

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Nasser criou grandes sucesso com Herivelto

O  jornalista, escritor e letrista paulista David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “A Camisola do Dia”, em parceria com Herivelto Martins, cujo teor poético revela toda a alegria e a tristeza acontecidas num amor infindo. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1953, pela RCA Vitor.

A CAMISOLA DO DIA
Herivelto Martins e David Nasser

Amor, eu me lembro ainda
Era linda, muito linda
Um céu azul de organdi
A camisola do dia
Tão transparente e macia
Que eu dei de presente a ti
Tinha rendas de Sevilha
A pequena maravilha
Que o teu corpinho abrigava
E eu era o dono de tudo
Do divino conteúdo
Que a camisola ocultava
A camisola que um dia
Guardou a minha alegria
Desbotou, perdeu a cor
Abandonada no leito
Que nunca mais foi desfeito
Pelas vigílias de amor

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ATAULFO ALVES ERA FELIZ E NÃO SABIA

Ataulfo Alves, um compositor genial

O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compôr o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Semana da Música da UFRN reunirá mais de 40 atrações gratuitas em Natal

Evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior.

Foto: Cicero Oliveira

A Escola de Música da UFRN (EMUFRN) divulgou a programação da Semana da Música 2017. O evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior. Os recitais e concertos são gratuito e aberto ao público.

Com o intuito de dar visibilidade à sua produção artística e promover intercâmbio entre estudantes, profissionais da área e músicos, o evento, que acontece desde os primeiros anos da EMUFRN, traz o melhor da música popular e erudita para todos os interessados no assunto.

Segundo a professora Germanna Cunha, coordenadora geral do evento, “A semana da música busca democratizar o acesso da comunidade à cultura, e principalmente, à música. E com algumas atividades acontecendo fora do espaço da UFRN, reforça a quebra de barreiras entre a comunidade e a música. Um exemplo são as apresentações em escolas, ongs, abrigos e até em shoppings de Natal. “

A semana da música conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC).

Serviço

Semana da Música 2017
Data: 20 a 25 de Novembro de 2017
Local: Escola de Música da UFRN
Horário: 9h – 22h
Entrada: Gratuita

Para louvar o amanhecer e a natureza, uma canção de Juca Filho e Claudio Nucci

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Claudio Nucci, sempre ligado na natureza

O produtor musical, cantor e compositor paulista Claudio José Moore Nucci, mais conhecido como Claudio Nucci, na letra de “Acontecência”, em parceria com Juca Filho, faz uma narrativa bucólica dos acontecimentos ao amanhecer.  Essa toada foi gravada pelo próprio Claudio Nucci, em 1980, pela EMI-Odeon.

ACONTECÊNCIA
Juca Filho e Claudio Nucci

Acorda ligeira e vem olhar que lindo
Sobre o morro sol se debruçar
Leite novo espuma dessa madrugada
Passarada vem te despertar
Tantos pés descalços
Posso ver meninos a correr na direção do dia
Banho de açude alegre e lava o corpo
Fruta fresca é pra te alimentar
Acorda ligeira e vem ver que bonito
Pelo pasto solta a vacaria
Na barra da serra gavião campeiro
Vem primeiro vento costurar
Tantos pés descalços posso ver libertos
A correr na direção do dia
Chuva desce pra regar a terra
Engravidar sementes em frutas se tornar

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Zé Ramalho – 40 Anos

 

SERVIÇO:  Zé Ramalho – 40 Anos

Data: Sexta-feira, dia 24 de novembro de 2017.

Portões de entrada: Externo – P3 / Interno – Portão D (Lounge Premium / Camarotes) e Portão BB (Frontstage).

Horário de abertura dos portões: 20h

Início da festa: 21h

VALORES DOS INGRESSOS (1º LOTE):

Frontstage (1º Lote): R$ 180,00 (INTEIRA) / R$ 90,00 (MEIA ENTRADA)

Lounge Premium (1º Lote): R$ 240,00 (INTEIRA) / R$ 120,00 (MEIA ENTRADA)

SOBRE O LOUNGE PREMIUM:

▪ Ambiente climatizado; ▪ Anfiteatro com assentos, sem lugar marcado; ▪ Serviços exclusivos: GoodFather Barbearia Clube (retoque e secagem de cabelo e barba, finalização de penteados) e Lirêda Coiffeur (retoques de cabelo e maquiagem).

CAMAROTES PURPLE VODKA

Camarote exclusivo, espaço privativo, climatizado, equipado com mobiliário e TV, banheiro exclusivo e vista privilegiada.

Nível 1 / Hospitalidade (20 lugares): R$ 3.500,00 cada camarote Nível 2 / Mezanino (19 lugares): R$ 3.500,00 cada camarote

Inclui: 01 garrafa de Vodka Purple Original Super Premium de 700ml + 05 vagas do estacionamento interno.

Informações e venda: (84) 3673-6800*

*Venda exclusivamente na Arena das Dunas. Aceitamos os cartões VISA e MASTERCARD em até 4x (exclusivamente Camarotes).

Importante: Combos de bebidas e comidas (finger food) vendidos à parte e antecipadamente.  

DESCONTOS PARCEIROS CONVENIADOS:

Exclusivamente Frontstage e Lounge Premium :

TELEPESQUISA Usuário do aplicativo Telepesquisa têm 50% de desconto em até 02 ingressos (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação do voucher de desconto impresso ou na tela do smartphone, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

CABO TELECOM Assinante Cabo Telecom tem 50% de desconto em até 02 (dois) ingressos (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da última fatura paga e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

NOVO Clientes cadastrados no banner promocional do show, no portal http://www.novonoticias.com têm 50% de desconto em até 02 ingressos (valor inteiro). É obrigatória a apresentação do voucher de desconto impresso ou na tela do smartphone, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

OAB/RN Advogado e/ou estagiário regularmente inscrito na OAB/RN têm 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da carteira funcional, na compra e na entrada do show. O mesmo desconto se aplica para funcionários da OAB/RN e da CAARN mediante apresentação do crachá. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

UNIMED NATAL Cliente Unimed Natal e médicos cooperados tem 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da carteira do plano UNIMED NATAL e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

VIVA+ SESI Trabalhador da indústria têm 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação do Cartão Viva+ Sesi e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

LOCAIS DE VENDA (SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA): Ônix Semi Jóias Natal Shopping e Shopping Midway Mall; Sport Master Praia Shopping, Shopping Midway Mall e Norte Shopping; Pittsburg Prudente de Morais; Goodfather Barbearia Clube (Rua Ângelo Varela, 1300 – Tirol); Gol Mania Store (Prudente de Morais, vizinho a Arena das Dunas).

LOCAIS DE VENDA (COM TAXA DE CONVENIÊNCIA): http://www.ARENADUNAS.com.br Taxa de conveniência: 10%

FORMAS DE PAGAMENTO: Dinheiro; Cartões VISA e MASTERCARD (Pontos de Venda e Online) em até 3x (Frontstage) e 4x (Camarotes).

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos

GÊNERO: Música, Família, Rock, MPB.

INFORMAÇÕES: Telepesquisa.com e (84) 3026-3232

REALIZAÇÃO: Arena das Dunas

LINK DO EVENTO NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/events/1946268462365328/

NOVA LEI DA MEIA ENTRADA:

De acordo com Decreto 8.537 de 05 de outubro de 2015, a quantidade total de ingressos meia entrada colocados à venda é de 40% do total disponibilizado para cada evento.

A legislação que garante o direito à meia entrada aos estudantes em teatros, cinemas, shows e eventos esportivos sofreu mudanças no final de 2015. A nova lei determina a limitação de meia entrada para 40% do número total de ingressos. Ultrapassando esse percentual, mesmo havendo o benefício, terá que pagar inteira. Tem direito a meia-entrada os casos abaixo:

▪ Idade igual ou superior a 60 anos*;

▪ Estudantes regularmente matriculados em estabelecimentos de ensino de primeiro, segundo e terceiro graus**;

▪ Crianças de 2 a 12 anos;

▪ Professores da rede pública municipal, estadual e privada de ensino***;

▪ Doadores regulares de sangue comprovadamente registrados nos bancos de sangue dos hospitais do município de Natal;

▪ Pessoa com deficiência e acompanhante, quando necessário****.

* Idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos têm direito à meia entrada. Para comprovação, basta apresentar o documento de identidade oficial com foto;

** Os estudantes terão direito ao benefício da meia-entrada mediante a apresentação da Carteira de Identificação Estudantil (CIE) no momento da aquisição do ingresso e na portaria ou na entrada do local de realização do evento. A CIE será expedida por: I – Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG; II – União Nacional dos Estudantes – UNE; III – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES; IV – Entidades estaduais e municipais filiadas às entidades previstas nos incisos I a III; V – Diretórios Centrais dos Estudantes – DCE; VI – Centros e Diretórios Acadêmicos, de nível médio e superior.

*** Mediante a apresentação da carteira funcional emitida pela Secretaria Municipal de Educação de Natal ou holerite acompanhado de documento oficial com foto;

**** Necessário apresentar o Cartão de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social da pessoa com deficiência ou de documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS que ateste a aposentadoria de acordo com os critérios estabelecidos na Lei Complementar nº 142, de 8 de maio de 2013.

ATENÇÃO: PARA MEIA ENTRADA SERÁ EXIGIDA A DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO BENEFÍCIO, OBSERVANDO A QUANTIDADE LIMITE DE 40% DO TOTAL DE INGRESSOS.       

Uma canção de Chico Buarque para a mulher que queria encontrar seu filho

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O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, na letra de “Angélica”, retrata a luta pessoal da estilista internacional Zuzú Angel que começou na busca em prisões e quartéis, à procura de seu filho Stuart Angel Jones, estudante de Economia da UFRJ e ativista do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), que desapareceu e foi torturado e morto durante a ditadura militar depois de ter sido preso em 14 de junho de 1971 por agentes da CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica). Essa música faz parte do LP “Almanaque” lançado, em 1982, pela Universal.

ANGÉLICA
Chico Buarque

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

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E foi Cartola quem nos lembrou que o mundo é um moinho…

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O cantor e compositor carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, ao compôr “O Mundo é um Moinho” originou algumas discussões sobre o significado da letra. Segundo alguns críticos, Cartola teria feito essa música para sua enteada, filha de Dona Zica, que teria o propósito de sair de casa para se prostituir. Ao ouvir os versos escritos pelo mestre, percebe-se o quão plausível pode ser essa versão da lenda. Contudo, há quem defenda que a letra de seja mesmo para a enteada, mas motivada por uma decepção amorosa.

O samba “ O Mundo é um Moinho” foi gravado no LP Cartola, em 1976, pela RCA.

O MUNDO É UM MOINHO
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

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Uma canção simples e inesquecível de Nando Cordel e Dominguinhos

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O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, na letra de Gostoso Demais”, em parceria com o grande sanfoneiro Dominguinhos, expressa o que acarreta a saudade de um amor. A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim o que eu posso fazer

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Uma canção bucólica, para conquistar uma meiga senhorita

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Zé Geraldo, sempre ligado à natureza

 

O cantor e compositor mineiro José Geraldo Juste fez uma canção de amor bucólica para uma meiga “Senhorita”, com quem sonha dividir seus dias e suas noites. Esta música faz parte do CD Zé Geraldo-Acústico-Ao vivo, lançado em 1996, pela Paradox.

SENHORITA
Zé Geraldo

Minha meiga senhorita
eu nunca pude lhe dizer
Você jamais me perguntou
de onde eu venho e pra onde vou
De onde eu venho
não importa pois já passou
O que importa é saber
pra onde vou
Minha meiga senhorita
o que eu tenho é quase nada
Mas tenho o sol como amigo
Traz o que é seu e vem morar comigo
Uma palhoça num canto da serra
será nosso abrigo
Traz o que é seu e vem correndo
vem morar comigo
Aqui é pequeno
mas dá pra nós dois
E se for preciso
a gente aumenta depois
Tem um violão que é pra noites de lua
Tem uma varanda que é minha e que é sua
Vem morar comigo
meiga senhorita
Vem morar comigo
doce e meiga senhorita
Vem morar comigo

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Uma deusa do asfalto que marcou a música brasileira

Resultado de imagem para adelino moreiraAdelino era disputado pelos destaques da MPB

O compositor luso-brasileiro Adelino Moreira de Castro (1918-2002), na letra de “Deusa do Asfalto”, mostra as consequências de um amor não correspondido. Esse samba-canção foi gravado por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Victor.


DEUSA DO ASFALTO
Adelino Moreira

Um dia sonhei um porvir risonho

E coloquei o meu sonho
Num pedestal bem alto
Não devia e por isso me condeno
Sendo do morro e moreno
Amar a deusa do asfalto.
Um dia ela casou com alguém
Lá do asfalto também
E dizem que bem lhe quer
E eu triste boemio da rua
Casei-me também com a lua
Que ainda é a minha mulher
É cantando que carrego a minha cruz
Abraçado ao amigo violão
E a noite de luar já não tem luz
Quem me abraça é a negra solidão
É cantando que afasto do coração
Esta mágoa que ficou daquele amor
Se não fosse o amigo violão
Eu morria de saudade e de dor

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Agora vamos ouvir na interpretação de Xangai

Este Brasil atrasado e dominado não é o meu país, canta Zé Ramalho

Livardo Alves, Orlando Tejo e Gilvan Chaves

Os cantores e compositores paraibanos Livardo Alves (1935-2002), e Gilvan Chaves (1919-1986), na letra de “O Meu País”, em parceria com o jornalista e escritor Orlando Tejo, retratam a desordem crescente no Brasil, vítima de certas autoridades. Essa música foi gravada por Zé Ramalho no CD Nação Nordestina, em 2000, pela BMG.

O MEU PAÍS
Orlando Tejo, Livardo Alves e Gilvan Chaves

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem Deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio-x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o Brasil em mil Brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

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A voz e o verso, num poético amor incestuoso

Resultado de imagem para abel silva e sueli costaAbel Silva, o parceiro ideal de Sulei Costa


O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), na letra de “A Voz e o Verso”, em parceria com Sueli Costa, utiliza hipérboles e metáforas para explicar os laços familiares que pode ter acontecido em outras vidas. A música faz parte do LP Simone, gravado, em 1989, pela Sony/CBS.

A VOZ E O VERSO
Sueli Costa e Abel Silva

A tua boca é uma flor que canta
O teu sorriso é música e perfume
E cada verso meu na tua boca santa
Me deixa os lábios doidos de ciúme

Cantar, pra ti, é profissão e vida
Canções pra mim são sangue, luz e ar
Você cantando faz com que meu verso exista
E eu te ouvindo sou a emoção de amar

Não  és espelho meu
Não sou teu outro eu
Não sei se em outras eras
Eu era irmão
E tu, irmã
Só sei que se assim fosse,
Então seriam Incestuosas,
Tua voz e minha poesia

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A lâmina que fere a vida do povo, na visão de Zé Ramalho

 Resultado de imagem para ze ramalhoZé Ramalho, menestrel da modernidade

O cantor e compositor paraibano José Ramalho Neto, mais conhecido como Zé Ramalho, na letra de “A Terceira Lâmina”, fala da libertação da consciência humana para a consciência espiritual. A música intitulou o LP A Terceira Lâmina gravado por Zé Ramalho, em 1981, pela EPIC/CBS.

A TERCEIRA LÂMINA
Zé Ramalho 

É aquela que fere,
que virá mais tranqüila
com a fome do povo,
com pedaços da vida
com a dura semente,
que se prende no fogo de toda multidão
acho bem mais do que pedras na mão
dos que vivem calados,
pendurados no tempo
esquecendo os momentos,
na fundura do poço,
na garganta do fosso,
na voz de um cantador

E virá como guerra,
a terceira mensagem,
na cabeça do homem,
aflição e coragem
afastado da terra,
ele pensa na fera,
que o começa a devorar
acho que os anos irão se passar
com aquela certeza,
que teremos no olho
novamente a ideia,
de sairmos do poço
da garganta do fosso
na voz de um cantador

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Quando um violeiro toca, a natureza compartilha seus sentimentos

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O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados cantores da música regionalista, e seu parceiro Almir Sater explicam que, quando “Um Violeiro Toca”, a natureza compartilha de suas emoções. Esta música faz parte do LP Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho Ao Vivo em Tatuí, lançado em 1992, pela Kuarup.

UM VIOLEIRO TOCA
Almir Sater e Renato Teixeira

Quando uma estrela cai
No escurão da noite
E um violeiro toca suas mágoas
Então os olhos dos bichos
Vão ficando iluminados
Rebrilham neles estrelas
De um sertão enluarado

Quando um amor termina
Perdido numa esquina
E um violeiro toca sua sina
Então os olhos dos bichos
Vão ficando entristecidos
Rebrilham neles lembranças
Dos amores esquecidos

Tudo é sertão, tudo é paixão
Se um violeiro toca
A viola e o violeiro
E o amor se tocam

Quando um amor começa
Nossa alegria chama
E um violeiro toca em nossa cama
Então os olhos dos bichos
São os olhos de quem ama
Pois a natureza é isso
Sem medo, nem dó, nem drama…


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Ela é a palavra mais linda que um dia o poeta escreveu…

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O  jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Mamãe” (em parceria com Herivelto Martins), que passou a ser considerada como o hino do Dia das Mães. A música foi gravada por Ângela Maria, em 1956, pela Copacabana.

MAMÃE
Herivelto Martins e David Nassser

Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar

Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do Senhor recebeu

Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai, mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança

Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse
Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

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DIA DA MÃES
Paulo Peres

Entre a razão e a emoção
Existe um ponto de interrogação
Chamado Humana Renovação:
Ventre bendito – coração MÃE,
Obra Suprema do Criador.

MÃE.
Neste dia dedicado a VOCÊ,
Quero parabenizá-la e pedir-lhe
Que continue a ser esta MÃE
MARAVILHOSA!

O voo do Carcará que consolidou a carreira de João do Vale

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Nara e João, na gravação de “Carcará”

O compositor e cantor maranhense João Batista do Vale (1933-1996), o Poeta do Povo, que representou o grito contido das massas contra todo o tipo de injustiça social, conforme revela a letra de “Carcará” que, simboliza a vida difícil dos sertanejos mortos de fome, comparando-a à ave de rapina carcará, que tem que matar para sobreviver. Entretanto, o ”Carcará” desta letra tinha também um outro significado, ou seja, era considerado herói, na época, porque simbolizava uma juventude que lutava contra a ditadura militar para defender o povo brasileiro.

Historicamente, em 1964, João do Vale participou do show Opinião, que foi apresentado no teatro do mesmo nome, no Rio de Janeiro, ao lado de Zé Kéti e Nara Leão, tornando-se conhecido principalmente pelo sucesso da música “Carcará” , a mais marcante do espetáculo, que lançou Maria Bethânia como cantora, substituindo Nara no espetáculo.

CARCARÁ
José Cândido e João do Vale

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião

Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada

Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come

Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará

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É preciso sempre lembrar de Ivan Lins e seu parceiro Vítor Martins

Ivan e Vítor, compositores geniais

O químico, instrumentista, cantor e compositor carioca Ivan Guimarães Lins e seu parceiro Vitor Martins, na letra de “Lembra de Mim”, reiteram imagens/lembranças para quem tenta se manter vivo na memória da pessoa amada. Esta música foi gravada no LP Emílio Santiago, em 1997, pela Som Livre.

LEMBRA DE MIM
Vitor Martins e Ivan Lins

Lembra de mim
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz

Lembra de mim
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás

Lembra de mim
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar

Lembra de mim
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais
Lembra de mim


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No céu, no mar, na terra, canta Brasil!!

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David Nasser, um compositor de primeira

 

O  jornalista, escritor e letrista David Nasser (1917-1980), nascido em Jaú (SP), é autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais o samba-exaltação “Canta Brasil”, em parceria com Alcir Pires Vermelho e gravado por Francisco Alves, em 1941 , pela Odeon, dois anos após o lançamento de “Aquarela do Brasil”, consolidando o prestígio do gênero. Para isso, adotava como modelo o samba de Ari Barroso e até o citava nos versos: “Na Aquarela do Brasil’ / eu cantei de Norte a Sul”.

CANTA BRASIL
Alcir Pires Vermelho e David Nasser

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros
E os negros trouxeram de longe reservas de pranto
Os brancos falavam de amor nas suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto

Brasil, minha voz enternecida
Já dourou os teus brasões
Na expressão mais comovida
Das mais ardentes canções

Também, na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar

Oh! Este rio turbilhão
Entre selvas e rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

Na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

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E nos corações, saudades e cinzas foi o que restou…

Charge de J. Carlos, reproduzida do Arquivo Google

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980) escreveu com Carlos Lyra, em 1963, a “Marcha da quarta-feira de cinzas”. O lirismo melancólico dos foliões a espera do próximo carnaval, que imperava na letra, depois serviu também como música de protesto contra a ditadura militar de 1964. Embora consagrada pela voz de Nara Leão, essa marcha-rancho foi gravada, inicialmente, por Jorge Goulart, em 1963, pela Copacabana.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

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Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento…

Resultado de imagem para caetano veloso no festival da record 1967

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o genial Caetano Veloso, na letra da marcha “Alegria, Alegria” apresentada no III Festival de MPB da TV Record, em 1967, rompe com os estilos vigentes na época, além de protestar contra o governo militar. A marcha “Alegria, Alegria” foi gravada por Caetano Veloso em compacto simples, em 1967, pela Philips.

ALEGRIA, ALEGRIA
Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e brigitte bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não…

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Lembrando uma canção de amor que jamais será esquecida

Resultado de imagem para antonio maria e fernando loboO cronista, comentarista esportivo, poeta e compositor pernambucano Antônio Maria de Araújo Morais (1921-1964) entusiasta de vida noturna carioca da década de 50, juntamente com seu parceiro Fernando Lobo, também pernambucano, lançou uma das mais famosas canções de amor – “Ninguém Me Ama”. Este samba-canção, gravado por Nora Ney em 1952, pela Continental, e depois por vários outros cantores, inclusive o norte-americano Nat King Cole, foi composto somente por Antônio Maria, que não acreditava que a música fizesse sucesso e deu parceria a Fernando Lobo, em troca de parceria em uma outra canção escrita por Lobo, que todos achavam que ia fazer sucesso, mas isso não aconteceu. Naquela época era comum a troca de parcerias entre amigos, como Maria e Lobo.


NINGUÉM ME AMA
Fernando Lobo e Antônio Maria

Ninguém me ama, ninguém me quer
Ninguém me chama de meu amor
A vida passa, e eu sem ninguém
E quem me abraça não me quer bem

Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso
E hoje descrente de tudo me resta o cansaço
Cansaço da vida, cansaço de mim
Velhice chegando e eu chegando ao fim

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Um samba inesquecível, que celebra a amizade e companheirismo

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Aldir Blanc, um dos maiores compositores da MPB

O psiquiatra, escritor e compositor carioca Aldir Blanc Mendes notabilizou-se como letrista de muitos sucessos, entre eles o samba “Amigo é prá essas coisas”, em parceria com Silvio da Silva Júnior, em que a letra expõe uma conversa entre dois amigos, da forma mais coloquial possível, usando gírias, inclusive, uma inovação para a época. Além disso, amor e amizade dialogam entre si, enquanto o primeiro geralmente fala de desilusão, o segundo celebra o companheirismo. O samba “Amigo é pra essas coisas” foi classificado em segundo lugar, no III Festival Universitário de Música Popular Brasileira, em 1970, interpretado pelo grupo MPB-4 que, no mesmo ano, o gravaria no seu LP Deixa Estar, pela Elenco/Philips.

AMIGO É PRA ESSAS COISAS
Silvio da Silva Júnior e Aldir Blanc

– Salve!
– Como é que vai?
– Amigo, há quanto tempo!
– Um ano ou mais…
– Posso sentar um pouco?
– Faça o favor
– A vida é um dilema
– Nem sempre vale a pena…
– Pô…
– O que é que há?
– Rosa acabou comigo
– Meu Deus, por quê?
– Nem Deus sabe o motivo
– Deus é bom
– Mas não foi bom pra mim
– Todo amor um dia chega ao fim
– Triste
– É sempre assim
– Eu desejava um trago
– Garçom, mais dois
– Não sei quando eu lhe pago
– Se vê depois
– Estou desempregado
– Você está mais velho
– É
– Vida ruim
– Você está bem disposto
– Também sofri
– Mas não se vê no rosto
– Pode ser…
– Você foi mais feliz
– Dei mais sorte com a Beatriz
– Pois é
– Pra frente é que se anda
– Você se lembra dela?
– Não
– Lhe apresentei
– Minha memória é fogo!
– E o l´argent?
– Defendo algum no jogo
– E amanhã?
– Que bom se eu morresse!
– Prá quê, rapaz?
– Talvez Rosa sofresse
– Vá atrás!
– Na morte a gente esquece
– Mas no amor a gente fica em paz
– Adeus
– Toma mais um
– Já amolei bastante
– De jeito algum!
– Muito obrigado, amigo
– Não tem de quê
– Por você ter me ouvido
– Amigo é prá essas coisas
– Tá…
– Tome um cabral
– Sua amizade basta
– Pode faltar
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará

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A anunciação de um anjo travesso chamado Alceu Valença

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Alceu Valença, um compositor muito inspirado

O pernambucano Alceu Paiva Valença é formado em Direito e pós-graduado em Sociologia, mas por causa da música desistiu dessas carreiras, para ser cantor e compositor. Segundo Alceu Valença, a letra de “Anunciação” teve duas inspirações: a ditadura militar de 1964 e a chegada do seu filho que estava para nascer.  A música faz parte do LP Anjo Avesso, gravado por Alceu Valença, em 1983, pela Ariola.

ANUNCIAÇÃO
Alceu Valença

Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo peito nu cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
E eu não duvido já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais

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