Category Archives: Música

No rumo da estrada da saudade, junto com Luiz Vieira e seu parceiro Max Gold

 

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Luiz Vieira, um compositor de raro talento

O radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho, na letra de “Estrada da Saudade”, em parceria com Max Gold, retrata o sofrimento que a gente sente quando perde um amor. A música foi gravada por Heleninha Costa, em 1957, pela Copacabana.

ESTRADA DA SAUDADE
Max Gold e Luiz Vieira

Pra onde vai essa estrada seu moço
Queira por favor, dizer
Meu amor foi ontem nela moço
E não voltou pra me ver

Pelo jeito não duvido não
Até sinto e posso ver
Que essa estrada termina
Onde se começa a padecer

Quem me dera que amanhã
Eu visse a saudade nela encostar
E que ela como eu sentisse
Como dói e faz penar
Ninguém pode se acostumar

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“A vida me fez assim / doce ou atroz / manso ou feroz / eu, caçador de mim”

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Sérgio Magrão

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Luís Carlos Sá

O advogado, cantor e compositor carioca Luiz Carlos Pereira de Sá (o Sá do trio Sá, Rodrix e Guarabira), com seu parceiro Sergio Magrão (14 Bis e O Terço), fala na letra de “Caçador de Mim” sobre os pólos da vida: momentos de doçura, bondade, ferocidade e agressividade. Portanto, a vida tornou o eu lírico do compositor um “buscador” de si mesmo, a procura daquilo que, realmente,  faz-lhe sentir-se em paz e harmonia consigo mesmo. A música “Caçador de Mim” transformou-se em um grande sucesso, gravada por Milton Nascimento, em 1981, no LP Caçador de Mim, pela Ariola.

CAÇADOR DE MIM
Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções, entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito à força numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu caçador de mim.

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Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião

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O advogado, deputado federal, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979), na letra de “Baião”, ensina como dançar este estilo de música nordestina, com influência do samba e da conga e, que se tornou popular no Brasil inteiro, a partir de 1946, com o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, que gravou essa música em 1949, pela RCA Victor.

BAIÃO
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chega pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
Eu já dancei balancê
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras dancas não têm
Oi quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião
Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião

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“A gente quer é ser um cidadão, a gente quer viver uma nação”, dizia Gonzaguinha

Resultado de imagem para gonzaguinhaO economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , mais conhecido como Gonzaguinha, é, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar, conforme mostra a letra de “É”, que expressa um desabafo, o grito de um povo para ter condições melhores de vida. Para isso é necessário ter carinho, atenção, afeto, respeito, liberdade, amor , saúde e trabalho digno. O cidadão tem direitos e deveres que devem ser respeitados, para ele exerça a sua cidadania plena.

“É” 
Gonzaguinha

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor…

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade…

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela…

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação…

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Olha, lá vai passando a procissão, se arrastando que nem cobra pelo chão…

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“Roda” e “Procissão”, dois grandes sucessos

O administrador de empresas, político, cantor, compositor e poeta baiano Gilberto Passos Gil Moreira, proporciona na letra de “Procissão” uma interpretação marxista da religião, vista como ópio do povo e fator de alienação da realidade, segundo o materialismo dialético. A letra mostra a situação de abandono do homem do campo do Nordeste, a área mais carente do país. A música foi gravada por Gilberto Gil em compacto simples e  no LP Louvação, em 1967, pela gravadora Unima Music.

PROCISSÃO
Gilberto Gil

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos,
os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na Terra
Esperando o que Jesus prometeu

E Jesus prometeu coisa melhor
Prá quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão,
só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus,
só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na Terra a gente tem
De arranjar um jeitinho prá viver

Muita gente se arvora a ser Deus
e promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido prá Maria,
e promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem,
meu sertão continua ao Deus dará
Mas se existe Jesus no firmamento,
cá na Terra isso tem que se acabar

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Chova ou faça sol, hoje é o dia de encontrar seu grande amor

Resultado de imagem para geraldo azevedo e renato rochaRenato Rocha e Geraldo Azevedo

O violonista, cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo de Amorim e seu parceiro Renato Rocha, na letra de “Dia Branco”, expõem a promessa e a expectativa do amor acarretar desejo, cumplicidade e eternidade. Neste sentido, o título “Dia Branco” é uma proposta de vivência nessa relação amorosa. Esta música foi gravada por Geraldo Azevedo, em 1981, no LP Inclinações Musicais, pela Ariola.


DIA BRANCO
Renato Rocha e Geraldo Azevedo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh…Se você quiser e vier
Pro que der e vier
ComigoSe você vier
Pro que der e vier
Comigo…Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…
Se a chuva cairSe você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor…Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo, comigo.

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Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida

Brant compôs versos geniais para Milton

O advogado e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Maria, Maria”, evoca uma personagem feminina de personalidade forte, chamada Maria, “que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta” e que “mistura dor e alegria”. Maria, que significa “senhora soberana” em hebraico, é um dos nomes femininos mais comuns em todo Brasil, e, portanto, a protagonista da canção pode estar representando todas as mulheres batalhadoras do país. Por outro lado, Maria é o nome da mãe biológica de Milton Nascimento, uma empregada doméstica que morreu quando ele tinha apenas quatro anos de idade, por este ponto de vista, Brant pode estar fazendo uma representação idealizada ou heróica dela. A protagonista da letra, é claro, também evoca a personagem bíblica mãe de Jesus Cristo.

Originalmente, esta música não tinha letra e foi composta, em 1977, para o espetáculo de dança “Maria, Maria” do “Grupo Corpo” de Belo Horizonte (MG). A música com letra foi lançada no Lp Clube da Esquina 2, em 1978, pela gavadora EMI.

MARIA, MARIA
Milton Nascimento e Fernando Brant

Maria, Maria é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo essa marca
Maria, Maria mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida

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Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar…

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Chico e Hime, uma dupla realmente inspirada

O arranjador, pianista, cantor e compositor carioca Francis Victor Walter Hime compôs em parceria com Chico Burque a música “Trocando em Miúdos”, cuja letra retrata o fim de uma relação amorosa. A música faz parte do LP Chico Buarque, lançado, em 1978, pela Philips/Polygram.

TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque e Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde…

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No Mucuripe, aquela estrela é dela. E vida, vento, vela, leva-me daqui…

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Belchior e Fagner, grandes amigos e parceiros

O produtor, instrumentista, cantor e compositor cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes, compôs em parceria com Belchior a belíssima “Mucuripe”, inspirada na paisagem pesqueira daquela enseada, no Ceará, cuja letra reflete o sofrimento pelo abandono de um grande amor.

Para curar o coração, nada como sair bem vestido (chamando atenção) para a noitada, em busca de um novo amor: “Calça nova de riscado, paletó de linho branco, que até o mês passado, lá no campo inda era flor”. Embora o “Ouro Branco do Ceará” seja o algodão mocó, usou-se o linho branco, proveniente dos campos europeus, algo mais sofisticado e caro.

A música Mucuripe foi um grande sucesso com Elis Regina, embora tenha sido gravada, anteriormente, pelo Fagner no Disco de Bolso do Pasquim, em 1972, pela Phonogram,  e também foi sucesso com Roberto Carlos, em 1975.

MUCURIPE
Belchior e Fagner

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Prás águas fundas do mar

Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
O sorrido ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com 20 anos de amor

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Um lamento sertanejo, na visão de Gilberto Gil e Dominguinh

Resultado de imagem para gil e dominguinhosDominguinhos e Gil, amigos e parceiros

O instrumentista, cantor e compositor pernambucano José Domingos de Morais (1941-2013), o Dominguinhos, 02na letra de “Lamento Sertanejo”, em parceria com Gilberto Gil, inspirou-se na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas. A música faz parte do LP Refazenda, gravado por Gilberto Gil, em 1975, pela WEA.

LAMENTO SERTANEJO

Gilberto Gil e Dominguinhos

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.

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O bem e o mal, na visão criativa de Danilo Caymmi e Dudu Falcão

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O instrumentista, cantor e compositor carioca Danilo Caymmi, com seu parceiro Dudu Falcão,  guarda dois corações divididos entre “O Bem e o Mal”. A música consta do CD Danilo Caymmi, gravado em 1992, pela RGE.


O BEM E O MAL
Dudu Falcão e Danilo Caymmi

Eu guardo em mim
Dois corações
Um que é do mar
Um das paixões
Um canto doce
Um cheiro de temporal
Eu guardo em mim
Um Deus, um louco, um santo
Um bem, um mal

Eu guardo em mim
Tantas canções
De tanto par
Tantas manhãs
Encanto doce
Um cheiro de vendaval
Guardo em mim
O Deus, o louco, o santo
O bem e o mal

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A camisola do dia, que abalou os sonhos de David Nasser e Herivelto Martins

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Nasser criou grandes sucesso com Herivelto

O  jornalista, escritor e letrista paulista David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “A Camisola do Dia”, em parceria com Herivelto Martins, cujo teor poético revela toda a alegria e a tristeza acontecidas num amor infindo. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1953, pela RCA Vitor.

A CAMISOLA DO DIA
Herivelto Martins e David Nasser

Amor, eu me lembro ainda
Era linda, muito linda
Um céu azul de organdi
A camisola do dia
Tão transparente e macia
Que eu dei de presente a ti
Tinha rendas de Sevilha
A pequena maravilha
Que o teu corpinho abrigava
E eu era o dono de tudo
Do divino conteúdo
Que a camisola ocultava
A camisola que um dia
Guardou a minha alegria
Desbotou, perdeu a cor
Abandonada no leito
Que nunca mais foi desfeito
Pelas vigílias de amor

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ATAULFO ALVES ERA FELIZ E NÃO SABIA

Ataulfo Alves, um compositor genial

O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compôr o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Semana da Música da UFRN reunirá mais de 40 atrações gratuitas em Natal

Evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior.

Foto: Cicero Oliveira

A Escola de Música da UFRN (EMUFRN) divulgou a programação da Semana da Música 2017. O evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior. Os recitais e concertos são gratuito e aberto ao público.

Com o intuito de dar visibilidade à sua produção artística e promover intercâmbio entre estudantes, profissionais da área e músicos, o evento, que acontece desde os primeiros anos da EMUFRN, traz o melhor da música popular e erudita para todos os interessados no assunto.

Segundo a professora Germanna Cunha, coordenadora geral do evento, “A semana da música busca democratizar o acesso da comunidade à cultura, e principalmente, à música. E com algumas atividades acontecendo fora do espaço da UFRN, reforça a quebra de barreiras entre a comunidade e a música. Um exemplo são as apresentações em escolas, ongs, abrigos e até em shoppings de Natal. “

A semana da música conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC).

Serviço

Semana da Música 2017
Data: 20 a 25 de Novembro de 2017
Local: Escola de Música da UFRN
Horário: 9h – 22h
Entrada: Gratuita

Para louvar o amanhecer e a natureza, uma canção de Juca Filho e Claudio Nucci

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Claudio Nucci, sempre ligado na natureza

O produtor musical, cantor e compositor paulista Claudio José Moore Nucci, mais conhecido como Claudio Nucci, na letra de “Acontecência”, em parceria com Juca Filho, faz uma narrativa bucólica dos acontecimentos ao amanhecer.  Essa toada foi gravada pelo próprio Claudio Nucci, em 1980, pela EMI-Odeon.

ACONTECÊNCIA
Juca Filho e Claudio Nucci

Acorda ligeira e vem olhar que lindo
Sobre o morro sol se debruçar
Leite novo espuma dessa madrugada
Passarada vem te despertar
Tantos pés descalços
Posso ver meninos a correr na direção do dia
Banho de açude alegre e lava o corpo
Fruta fresca é pra te alimentar
Acorda ligeira e vem ver que bonito
Pelo pasto solta a vacaria
Na barra da serra gavião campeiro
Vem primeiro vento costurar
Tantos pés descalços posso ver libertos
A correr na direção do dia
Chuva desce pra regar a terra
Engravidar sementes em frutas se tornar

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Zé Ramalho – 40 Anos

 

SERVIÇO:  Zé Ramalho – 40 Anos

Data: Sexta-feira, dia 24 de novembro de 2017.

Portões de entrada: Externo – P3 / Interno – Portão D (Lounge Premium / Camarotes) e Portão BB (Frontstage).

Horário de abertura dos portões: 20h

Início da festa: 21h

VALORES DOS INGRESSOS (1º LOTE):

Frontstage (1º Lote): R$ 180,00 (INTEIRA) / R$ 90,00 (MEIA ENTRADA)

Lounge Premium (1º Lote): R$ 240,00 (INTEIRA) / R$ 120,00 (MEIA ENTRADA)

SOBRE O LOUNGE PREMIUM:

▪ Ambiente climatizado; ▪ Anfiteatro com assentos, sem lugar marcado; ▪ Serviços exclusivos: GoodFather Barbearia Clube (retoque e secagem de cabelo e barba, finalização de penteados) e Lirêda Coiffeur (retoques de cabelo e maquiagem).

CAMAROTES PURPLE VODKA

Camarote exclusivo, espaço privativo, climatizado, equipado com mobiliário e TV, banheiro exclusivo e vista privilegiada.

Nível 1 / Hospitalidade (20 lugares): R$ 3.500,00 cada camarote Nível 2 / Mezanino (19 lugares): R$ 3.500,00 cada camarote

Inclui: 01 garrafa de Vodka Purple Original Super Premium de 700ml + 05 vagas do estacionamento interno.

Informações e venda: (84) 3673-6800*

*Venda exclusivamente na Arena das Dunas. Aceitamos os cartões VISA e MASTERCARD em até 4x (exclusivamente Camarotes).

Importante: Combos de bebidas e comidas (finger food) vendidos à parte e antecipadamente.  

DESCONTOS PARCEIROS CONVENIADOS:

Exclusivamente Frontstage e Lounge Premium :

TELEPESQUISA Usuário do aplicativo Telepesquisa têm 50% de desconto em até 02 ingressos (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação do voucher de desconto impresso ou na tela do smartphone, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

CABO TELECOM Assinante Cabo Telecom tem 50% de desconto em até 02 (dois) ingressos (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da última fatura paga e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

NOVO Clientes cadastrados no banner promocional do show, no portal http://www.novonoticias.com têm 50% de desconto em até 02 ingressos (valor inteiro). É obrigatória a apresentação do voucher de desconto impresso ou na tela do smartphone, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

OAB/RN Advogado e/ou estagiário regularmente inscrito na OAB/RN têm 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da carteira funcional, na compra e na entrada do show. O mesmo desconto se aplica para funcionários da OAB/RN e da CAARN mediante apresentação do crachá. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

UNIMED NATAL Cliente Unimed Natal e médicos cooperados tem 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação da carteira do plano UNIMED NATAL e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

VIVA+ SESI Trabalhador da indústria têm 50% de desconto em até 01 ingresso (valor inteiro) do show. É obrigatória a apresentação do Cartão Viva+ Sesi e documento de identidade, na compra e na entrada do show. Desconto não cumulativo com demais benefícios e/ou descontos.

LOCAIS DE VENDA (SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA): Ônix Semi Jóias Natal Shopping e Shopping Midway Mall; Sport Master Praia Shopping, Shopping Midway Mall e Norte Shopping; Pittsburg Prudente de Morais; Goodfather Barbearia Clube (Rua Ângelo Varela, 1300 – Tirol); Gol Mania Store (Prudente de Morais, vizinho a Arena das Dunas).

LOCAIS DE VENDA (COM TAXA DE CONVENIÊNCIA): http://www.ARENADUNAS.com.br Taxa de conveniência: 10%

FORMAS DE PAGAMENTO: Dinheiro; Cartões VISA e MASTERCARD (Pontos de Venda e Online) em até 3x (Frontstage) e 4x (Camarotes).

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos

GÊNERO: Música, Família, Rock, MPB.

INFORMAÇÕES: Telepesquisa.com e (84) 3026-3232

REALIZAÇÃO: Arena das Dunas

LINK DO EVENTO NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/events/1946268462365328/

NOVA LEI DA MEIA ENTRADA:

De acordo com Decreto 8.537 de 05 de outubro de 2015, a quantidade total de ingressos meia entrada colocados à venda é de 40% do total disponibilizado para cada evento.

A legislação que garante o direito à meia entrada aos estudantes em teatros, cinemas, shows e eventos esportivos sofreu mudanças no final de 2015. A nova lei determina a limitação de meia entrada para 40% do número total de ingressos. Ultrapassando esse percentual, mesmo havendo o benefício, terá que pagar inteira. Tem direito a meia-entrada os casos abaixo:

▪ Idade igual ou superior a 60 anos*;

▪ Estudantes regularmente matriculados em estabelecimentos de ensino de primeiro, segundo e terceiro graus**;

▪ Crianças de 2 a 12 anos;

▪ Professores da rede pública municipal, estadual e privada de ensino***;

▪ Doadores regulares de sangue comprovadamente registrados nos bancos de sangue dos hospitais do município de Natal;

▪ Pessoa com deficiência e acompanhante, quando necessário****.

* Idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos têm direito à meia entrada. Para comprovação, basta apresentar o documento de identidade oficial com foto;

** Os estudantes terão direito ao benefício da meia-entrada mediante a apresentação da Carteira de Identificação Estudantil (CIE) no momento da aquisição do ingresso e na portaria ou na entrada do local de realização do evento. A CIE será expedida por: I – Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG; II – União Nacional dos Estudantes – UNE; III – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES; IV – Entidades estaduais e municipais filiadas às entidades previstas nos incisos I a III; V – Diretórios Centrais dos Estudantes – DCE; VI – Centros e Diretórios Acadêmicos, de nível médio e superior.

*** Mediante a apresentação da carteira funcional emitida pela Secretaria Municipal de Educação de Natal ou holerite acompanhado de documento oficial com foto;

**** Necessário apresentar o Cartão de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social da pessoa com deficiência ou de documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS que ateste a aposentadoria de acordo com os critérios estabelecidos na Lei Complementar nº 142, de 8 de maio de 2013.

ATENÇÃO: PARA MEIA ENTRADA SERÁ EXIGIDA A DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO BENEFÍCIO, OBSERVANDO A QUANTIDADE LIMITE DE 40% DO TOTAL DE INGRESSOS.       

Uma canção de Chico Buarque para a mulher que queria encontrar seu filho

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O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, na letra de “Angélica”, retrata a luta pessoal da estilista internacional Zuzú Angel que começou na busca em prisões e quartéis, à procura de seu filho Stuart Angel Jones, estudante de Economia da UFRJ e ativista do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), que desapareceu e foi torturado e morto durante a ditadura militar depois de ter sido preso em 14 de junho de 1971 por agentes da CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica). Essa música faz parte do LP “Almanaque” lançado, em 1982, pela Universal.

ANGÉLICA
Chico Buarque

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

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E foi Cartola quem nos lembrou que o mundo é um moinho…

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O cantor e compositor carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, ao compôr “O Mundo é um Moinho” originou algumas discussões sobre o significado da letra. Segundo alguns críticos, Cartola teria feito essa música para sua enteada, filha de Dona Zica, que teria o propósito de sair de casa para se prostituir. Ao ouvir os versos escritos pelo mestre, percebe-se o quão plausível pode ser essa versão da lenda. Contudo, há quem defenda que a letra de seja mesmo para a enteada, mas motivada por uma decepção amorosa.

O samba “ O Mundo é um Moinho” foi gravado no LP Cartola, em 1976, pela RCA.

O MUNDO É UM MOINHO
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

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Uma canção simples e inesquecível de Nando Cordel e Dominguinhos

https://s2.vagalume.com/nando-cordel/discografia/brasil-popular-dominguinhos-nando-cordel-W320.jpg

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, na letra de Gostoso Demais”, em parceria com o grande sanfoneiro Dominguinhos, expressa o que acarreta a saudade de um amor. A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim o que eu posso fazer

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Uma canção bucólica, para conquistar uma meiga senhorita

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Zé Geraldo, sempre ligado à natureza

 

O cantor e compositor mineiro José Geraldo Juste fez uma canção de amor bucólica para uma meiga “Senhorita”, com quem sonha dividir seus dias e suas noites. Esta música faz parte do CD Zé Geraldo-Acústico-Ao vivo, lançado em 1996, pela Paradox.

SENHORITA
Zé Geraldo

Minha meiga senhorita
eu nunca pude lhe dizer
Você jamais me perguntou
de onde eu venho e pra onde vou
De onde eu venho
não importa pois já passou
O que importa é saber
pra onde vou
Minha meiga senhorita
o que eu tenho é quase nada
Mas tenho o sol como amigo
Traz o que é seu e vem morar comigo
Uma palhoça num canto da serra
será nosso abrigo
Traz o que é seu e vem correndo
vem morar comigo
Aqui é pequeno
mas dá pra nós dois
E se for preciso
a gente aumenta depois
Tem um violão que é pra noites de lua
Tem uma varanda que é minha e que é sua
Vem morar comigo
meiga senhorita
Vem morar comigo
doce e meiga senhorita
Vem morar comigo

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Uma deusa do asfalto que marcou a música brasileira

Resultado de imagem para adelino moreiraAdelino era disputado pelos destaques da MPB

O compositor luso-brasileiro Adelino Moreira de Castro (1918-2002), na letra de “Deusa do Asfalto”, mostra as consequências de um amor não correspondido. Esse samba-canção foi gravado por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Victor.


DEUSA DO ASFALTO
Adelino Moreira

Um dia sonhei um porvir risonho

E coloquei o meu sonho
Num pedestal bem alto
Não devia e por isso me condeno
Sendo do morro e moreno
Amar a deusa do asfalto.
Um dia ela casou com alguém
Lá do asfalto também
E dizem que bem lhe quer
E eu triste boemio da rua
Casei-me também com a lua
Que ainda é a minha mulher
É cantando que carrego a minha cruz
Abraçado ao amigo violão
E a noite de luar já não tem luz
Quem me abraça é a negra solidão
É cantando que afasto do coração
Esta mágoa que ficou daquele amor
Se não fosse o amigo violão
Eu morria de saudade e de dor

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Agora vamos ouvir na interpretação de Xangai

Este Brasil atrasado e dominado não é o meu país, canta Zé Ramalho

Livardo Alves, Orlando Tejo e Gilvan Chaves

Os cantores e compositores paraibanos Livardo Alves (1935-2002), e Gilvan Chaves (1919-1986), na letra de “O Meu País”, em parceria com o jornalista e escritor Orlando Tejo, retratam a desordem crescente no Brasil, vítima de certas autoridades. Essa música foi gravada por Zé Ramalho no CD Nação Nordestina, em 2000, pela BMG.

O MEU PAÍS
Orlando Tejo, Livardo Alves e Gilvan Chaves

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem Deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio-x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o Brasil em mil Brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

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A voz e o verso, num poético amor incestuoso

Resultado de imagem para abel silva e sueli costaAbel Silva, o parceiro ideal de Sulei Costa


O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), na letra de “A Voz e o Verso”, em parceria com Sueli Costa, utiliza hipérboles e metáforas para explicar os laços familiares que pode ter acontecido em outras vidas. A música faz parte do LP Simone, gravado, em 1989, pela Sony/CBS.

A VOZ E O VERSO
Sueli Costa e Abel Silva

A tua boca é uma flor que canta
O teu sorriso é música e perfume
E cada verso meu na tua boca santa
Me deixa os lábios doidos de ciúme

Cantar, pra ti, é profissão e vida
Canções pra mim são sangue, luz e ar
Você cantando faz com que meu verso exista
E eu te ouvindo sou a emoção de amar

Não  és espelho meu
Não sou teu outro eu
Não sei se em outras eras
Eu era irmão
E tu, irmã
Só sei que se assim fosse,
Então seriam Incestuosas,
Tua voz e minha poesia

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A lâmina que fere a vida do povo, na visão de Zé Ramalho

 Resultado de imagem para ze ramalhoZé Ramalho, menestrel da modernidade

O cantor e compositor paraibano José Ramalho Neto, mais conhecido como Zé Ramalho, na letra de “A Terceira Lâmina”, fala da libertação da consciência humana para a consciência espiritual. A música intitulou o LP A Terceira Lâmina gravado por Zé Ramalho, em 1981, pela EPIC/CBS.

A TERCEIRA LÂMINA
Zé Ramalho 

É aquela que fere,
que virá mais tranqüila
com a fome do povo,
com pedaços da vida
com a dura semente,
que se prende no fogo de toda multidão
acho bem mais do que pedras na mão
dos que vivem calados,
pendurados no tempo
esquecendo os momentos,
na fundura do poço,
na garganta do fosso,
na voz de um cantador

E virá como guerra,
a terceira mensagem,
na cabeça do homem,
aflição e coragem
afastado da terra,
ele pensa na fera,
que o começa a devorar
acho que os anos irão se passar
com aquela certeza,
que teremos no olho
novamente a ideia,
de sairmos do poço
da garganta do fosso
na voz de um cantador

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Quando um violeiro toca, a natureza compartilha seus sentimentos

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O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados cantores da música regionalista, e seu parceiro Almir Sater explicam que, quando “Um Violeiro Toca”, a natureza compartilha de suas emoções. Esta música faz parte do LP Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho Ao Vivo em Tatuí, lançado em 1992, pela Kuarup.

UM VIOLEIRO TOCA
Almir Sater e Renato Teixeira

Quando uma estrela cai
No escurão da noite
E um violeiro toca suas mágoas
Então os olhos dos bichos
Vão ficando iluminados
Rebrilham neles estrelas
De um sertão enluarado

Quando um amor termina
Perdido numa esquina
E um violeiro toca sua sina
Então os olhos dos bichos
Vão ficando entristecidos
Rebrilham neles lembranças
Dos amores esquecidos

Tudo é sertão, tudo é paixão
Se um violeiro toca
A viola e o violeiro
E o amor se tocam

Quando um amor começa
Nossa alegria chama
E um violeiro toca em nossa cama
Então os olhos dos bichos
São os olhos de quem ama
Pois a natureza é isso
Sem medo, nem dó, nem drama…


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