Category Archives: Cultura

A felicidade e infelicidade podem se confundir, na visão de Augusto dos Anjos.

Resultado de imagem para augusto dos anjos
O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914), no poema “Ilusão”, mostra como felicidade e infelicidade podem se confundir.

ILUSÃO
Augusto dos Anjos

Dizes que sou feliz. Não mentes. Dizes
Tudo que sentes. A infelicidade
Parece às vezes com a felicidade
E os infelizes voltam a ser felizes!

Assim, em Tebas – a tumbal cidade,
A múmia de um herói do tempo de Ísis,
Ostenta ainda as mesmas cicatrizes
Que eternizaram sua heroicidade!

Quem vê o herói, inda com o braço altivo,
Diz que ele não morreu, diz que ele é vivo,
E, persuadido fica do que diz…

Bem como tu, que nessa crença infinda
Feliz me viste no passado, e ainda
Te persuades de que sou feliz.

Site Poemas & Canções

Anúncios

Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite do namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse. Oswaldo diz que, na música, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins
Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

Site Poemas & Canções

A voz do morro era Zé Kéti, sim senhor

Zé Kéti, um compositor magistral

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. “A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada na favela, transformada em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

Site Poemas & Canções

“Volta! Vem viver outra vez ao meu lado!”, pedia Lupicínio, o rei da fossa

Charge do J. Bosco (arquivo Google)

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, sempre foi um mestre no emprego do lugar-comum, tal qual ele capta nos versos de “Volta” o imenso vazio das noites que a saudade as torna insones.  A música foi gravada por muitos intérpretes, inclusive Gal Costa, no LP Índia, em 1973, pela Phonogram.

VOLTA
Lupicínio Rodrigues

Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama,
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama.
O calor das cobertas
Não me aquece direito…
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.
Volta!
Vem viver outra vez ao meu lado!
Não consigo dormir sem teu braço,
Pois meu corpo está acostumado…

Site Poemas & Canções

Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião

Imagem relacionada

O advogado, deputado federal, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979), na letra de “Baião”, ensina como dançar este estilo de música nordestina, com influência do samba e da conga e, que se tornou popular no Brasil inteiro, a partir de 1946, com o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, que gravou essa música em 1949, pela RCA Victor.

BAIÃO
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chega pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
Eu já dancei balancê
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras dancas não têm
Oi quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião
Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião

Site Poemas & Canções

 

A saga do sertanejo em busca do ouro branco, na visão de Patativa do Assoré

Resultado de imagem para patativa do assaré

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém profunda, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Dois Quadros”, que mostra o cotidiano do nordestino em busca de melhores condições de vida nos engenhos de açúcar, o ouro branco do sertão.

DOIS QUADROS
Patativa do Assaré

Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terra do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,
Se acaba a esperança da gente roceira,
Na mesma lagoa da festa do sapo,
Agita-se o vento levando a poeira.

A grama no campo não nasce, não cresce:
Outrora este campo tão verde e tão rico,
Agora é tão quente que até nos parece
Um forno queimando madeira de angico.

Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata.

O dia desponta mostrando-se ingrato,
Um manto de cinza por cima da serra
E o sol do Nordeste nos mostra o retrato
De um bolo de sangue nascendo da terra.

Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
Do canto das aves louvando a natura.

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,
Apita o nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre as verduras,
Beijando os primores do meu Cariri.

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vagalumes.
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes.

Se o dia desponta, que doce harmonia!
A gente aprecia o mais belo compasso.
Além do balido das mansas ovelhas,
Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

E o forte caboclo da sua palhoça,
No rumo da roça, de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo, contente,
Lançar a semente na terra molhada.

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel, prazenteiro, modesto e feliz,
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso de nosso país.

Site Poemas & Canções

“A gente quer é ser um cidadão, a gente quer viver uma nação”, dizia Gonzaguinha

Resultado de imagem para gonzaguinhaO economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , mais conhecido como Gonzaguinha, é, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar, conforme mostra a letra de “É”, que expressa um desabafo, o grito de um povo para ter condições melhores de vida. Para isso é necessário ter carinho, atenção, afeto, respeito, liberdade, amor , saúde e trabalho digno. O cidadão tem direitos e deveres que devem ser respeitados, para ele exerça a sua cidadania plena.

“É” 
Gonzaguinha

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor…

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade…

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela…

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação…

Site Poemas & Canções

Olha, lá vai passando a procissão, se arrastando que nem cobra pelo chão…

Resultado de imagem para gilberto gil procissão

“Roda” e “Procissão”, dois grandes sucessos

O administrador de empresas, político, cantor, compositor e poeta baiano Gilberto Passos Gil Moreira, proporciona na letra de “Procissão” uma interpretação marxista da religião, vista como ópio do povo e fator de alienação da realidade, segundo o materialismo dialético. A letra mostra a situação de abandono do homem do campo do Nordeste, a área mais carente do país. A música foi gravada por Gilberto Gil em compacto simples e  no LP Louvação, em 1967, pela gravadora Unima Music.

PROCISSÃO
Gilberto Gil

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos,
os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na Terra
Esperando o que Jesus prometeu

E Jesus prometeu coisa melhor
Prá quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão,
só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus,
só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na Terra a gente tem
De arranjar um jeitinho prá viver

Muita gente se arvora a ser Deus
e promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido prá Maria,
e promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem,
meu sertão continua ao Deus dará
Mas se existe Jesus no firmamento,
cá na Terra isso tem que se acabar

Site Poemas & Canções

Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora…

Resultado de imagem para geraldo vandré

Vandré, com a cantora americana Joan Baez

O advogado, cantor e compositor Geraldo Vandré, nome artístico utilizado pelo paraibano Geraldo Pedroso de Araújo Dia, em 1968 participou do III Festival Internacional da Canção com “Pra não dizer que não falei de flores”, mais conhecida por “Caminhando”. A música surgiu como um apelo nacional de mudança e veio ao encontro das aspirações do povo brasileiro que vivia um regime de opressão e instabilidade econômica, social e política. A letra trazia toda a força, inconformidade e chamado de luta e de mudança, características próprias da juventude. Ela fala em união, igualdade, integração e aborda os problemas sociais da época, a pobreza, a reforma agrária, a vida dos soldados nos quartéis, a inutilidade das guerras, conclamando a todos para uma ação conjunta de mudanças, sem demora.

A composição se tornou um hino de resistência do movimento civil e estudantil que fazia oposição à ditadura militar e foi censurada. O Refrão “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer” foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores, segundo os censores da época.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Site Poemas & Canções

Na pior fase da vida, o poeta resolveu ir embora para Pasárgada

Resultado de imagem para manuel bandeira frases
Site Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta pernambucano Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho ficou conhecido como Manuel Bandeira (1886-1968) . “Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação de toda minha obra”, explicava o poeta, salientando que, “vi pela primeira vez o nome Pasárgada, que significa campo dos persas, quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego e isto suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias . Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”.

VOU-ME EMBORA PRÁ PASÁRGADA
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as hitórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

MONTANHAS RN – RELATÓRIO DA I CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

A Secretária de Educação do município de Montanhas, Professora Marta Lopes, apresenta para a população de Montanhas e a quem interessar posse, o Relatório da I Conferência Municipal de Educação.

“O Plano Municipal de Educação – PME constituiu-se em um importante momento no que concerne a garantia de uma gestão democrática e definição das diretrizes, metas e estratégias a serem cumpridas o final da vigência do PME”.

A Conferência ocorreu no Centro de Convivência dos Idosos – CCI, em Montanhas, durante todo o dia, que contou com a participação dos trabalhadores em educação, conselheiros da educação, Representantes do executivo municipal,  SINTE/RN e representantes da equipe técnica e comissão coordenadora do PME.

Confira no link abaixo o relatório detalhado, bem como, as imagens do evento, diga-se de passagem, foi um sucesso.

Parabéns para toda a Equipe da Secretaria de Educação!

Abaixo, para download, o Relatório da I Conferência de Avaliação e Monitoramento do PME:

Relatorio-da-conferencia-do-PME-2017-1.pdf (1 download) (4,73MB)

Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar…

Resultado de imagem para chico buarque e francis hime

Chico e Hime, uma dupla realmente inspirada

O arranjador, pianista, cantor e compositor carioca Francis Victor Walter Hime compôs em parceria com Chico Burque a música “Trocando em Miúdos”, cuja letra retrata o fim de uma relação amorosa. A música faz parte do LP Chico Buarque, lançado, em 1978, pela Philips/Polygram.

TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque e Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde…

Site Poemas & Canções

Gregório de Mattos criticava tudo, até mesmo a “tristeza” da Bahia

Resultado de imagem para gregorio de matos
Site Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Gregório de Mattos Guerra (1636-1695), alcunhado de “Boca do Inferno ou Boca de Brasa”, é considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. Gregório ousava criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras. Criticava também a “cidade da Bahia”, ou seja, Salvador, como neste poema “Triste Bahia”.

TRISTE BAHIA
Gregório de Mattos

Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos.
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.

Um lamento sertanejo, na visão de Gilberto Gil e Dominguinh

Resultado de imagem para gil e dominguinhosDominguinhos e Gil, amigos e parceiros

O instrumentista, cantor e compositor pernambucano José Domingos de Morais (1941-2013), o Dominguinhos, 02na letra de “Lamento Sertanejo”, em parceria com Gilberto Gil, inspirou-se na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas. A música faz parte do LP Refazenda, gravado por Gilberto Gil, em 1975, pela WEA.

LAMENTO SERTANEJO

Gilberto Gil e Dominguinhos

Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.

Site Poemas & Canções

O bem e o mal, na visão criativa de Danilo Caymmi e Dudu Falcão

Resultado de imagem para danilo caymmi e dudu falcao

O instrumentista, cantor e compositor carioca Danilo Caymmi, com seu parceiro Dudu Falcão,  guarda dois corações divididos entre “O Bem e o Mal”. A música consta do CD Danilo Caymmi, gravado em 1992, pela RGE.


O BEM E O MAL
Dudu Falcão e Danilo Caymmi

Eu guardo em mim
Dois corações
Um que é do mar
Um das paixões
Um canto doce
Um cheiro de temporal
Eu guardo em mim
Um Deus, um louco, um santo
Um bem, um mal

Eu guardo em mim
Tantas canções
De tanto par
Tantas manhãs
Encanto doce
Um cheiro de vendaval
Guardo em mim
O Deus, o louco, o santo
O bem e o mal

Site Poemas & Canções

ATAULFO ALVES ERA FELIZ E NÃO SABIA

Ataulfo Alves, um compositor genial

O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compôr o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

Semana da Música da UFRN reunirá mais de 40 atrações gratuitas em Natal

Evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior.

Foto: Cicero Oliveira

A Escola de Música da UFRN (EMUFRN) divulgou a programação da Semana da Música 2017. O evento, que começa na segunda-feira (20) e vai até o sábado (25), irá reunir mais de 40 atrações em diversos pontos da cidade. Entre as atrações, estão grupos da EMUFRN, professores, e convidados especiais do Brasil e do exterior. Os recitais e concertos são gratuito e aberto ao público.

Com o intuito de dar visibilidade à sua produção artística e promover intercâmbio entre estudantes, profissionais da área e músicos, o evento, que acontece desde os primeiros anos da EMUFRN, traz o melhor da música popular e erudita para todos os interessados no assunto.

Segundo a professora Germanna Cunha, coordenadora geral do evento, “A semana da música busca democratizar o acesso da comunidade à cultura, e principalmente, à música. E com algumas atividades acontecendo fora do espaço da UFRN, reforça a quebra de barreiras entre a comunidade e a música. Um exemplo são as apresentações em escolas, ongs, abrigos e até em shoppings de Natal. “

A semana da música conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN (NAC).

Serviço

Semana da Música 2017
Data: 20 a 25 de Novembro de 2017
Local: Escola de Música da UFRN
Horário: 9h – 22h
Entrada: Gratuita

Para louvar o amanhecer e a natureza, uma canção de Juca Filho e Claudio Nucci

Resultado de imagem para claudio nucci e juca filho

Claudio Nucci, sempre ligado na natureza

O produtor musical, cantor e compositor paulista Claudio José Moore Nucci, mais conhecido como Claudio Nucci, na letra de “Acontecência”, em parceria com Juca Filho, faz uma narrativa bucólica dos acontecimentos ao amanhecer.  Essa toada foi gravada pelo próprio Claudio Nucci, em 1980, pela EMI-Odeon.

ACONTECÊNCIA
Juca Filho e Claudio Nucci

Acorda ligeira e vem olhar que lindo
Sobre o morro sol se debruçar
Leite novo espuma dessa madrugada
Passarada vem te despertar
Tantos pés descalços
Posso ver meninos a correr na direção do dia
Banho de açude alegre e lava o corpo
Fruta fresca é pra te alimentar
Acorda ligeira e vem ver que bonito
Pelo pasto solta a vacaria
Na barra da serra gavião campeiro
Vem primeiro vento costurar
Tantos pés descalços posso ver libertos
A correr na direção do dia
Chuva desce pra regar a terra
Engravidar sementes em frutas se tornar

Site Poemas & Canções

Evento reúne escritores e estudiosos da Literatura de Cordel em Natal

Evento reúne escritores e estudiosos da Literatura de Cordel em Natal (Foto ilustrativa)
(Foto: Joalline Nascimento/G1)

Promover a literatura de cordel, seus poetas e pesquisadores, incentivando a troca de conhecimentos e fortalecendo a cultura popular na cidade. Este é o objetivo da 2ª edição do projeto Círculo Natalense do Cordel, que vai reunir em Natal cordelistas, professores, ilustradores e estudiosos do gênero, vindos da Paraíba, Sergipe, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.

O evento acontece nos dias na quinta (16), na sexta (17) e no sábado (18), na Praça Padre João Maria, em Cidade Alta, e terá na programação atividades, como palestras, oficinas, exposições, feira de livros e apresentações literárias e musicais.

O projeto é uma iniciativa da Associação Cultural Estação do Cordel do RN, em conjunto com a Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel (ANLIC) e a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN (SPVA). O evento marcará as comemorações do Dia Nacional do Cordelista, celebrado no próximo dia 19, domingo.

Para o professor e organizador do projeto, Nando Poeta, o Círculo Natalense do Cordel é também uma forma de resistência dos artistas potiguares que desenvolvem o trabalho com o cordel. “As políticas públicas de cultura locais ainda não despertaram para atender as demandas do gênero, ficando por conta dos movimentos autônomos realizarem iniciativas como esta, que respondam às necessidades dos diversos segmentos sociais, promovendo os autores e sua arte tradicionalmente conhecida e aceita pelo povo.”, afirma.

O evento é aberto ao público e durante os três dias vai oferecer à população natalense um espaço cultural de acesso a estudos, leituras poéticas, declamações, músicas e teatralização de cordéis. (G1 RN)

Programação

Quinta-feira – 16/11

9h – Exposição O Cordel no RN – Mostra Santaninha/ Luiz Pinheiro/Zé Saldanha/Chagas Ramalho/Fabião das Queimadas/Chico Traíra.
Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras.
Visitação de escolas.

16h – Atividade externa: Cortejo do Cordel.
Concentração na Estação do Cordel e saída pela Cidade Alta no CORDÃO DO PAVÃO MISTERIOSO, com declamações em praças e calçadas.

19h – Abertura solene do 2º CÍRCULO NATALENSE DO CORDEL.
Considerações das entidades organizadoras: Estação do Cordel, da ANLIC e da SPVA.
Lançamento da campanha LEIA CORDEL.

19h30 – Palestra: O Cordel no cenário literário brasileiro.
Debatedores: Aderaldo Luciano (RJ) e Crispiniano Neto (RN)
Coordenador: Nando Poeta (RN)

Sexta-feira – 17/11

9h – Exposição O Cordel no RN – Mostra Santaninha/ Luiz Pinheiro/Zé Saldanha/Chagas Ramalho/Fabião das Queimadas/Chico Traíra.
Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras.
Visitação de escolas

10h – Oficinas:
Como fazer cordel
Ministrantes: Rosa Regis/RN e Maurílio Américo/RN

Técnicas de ilustração para cordéis
Ministrante: Braga Santos/RN, Jefferson Campos/RN e João Natal/RN

11h – Viagem ao Universo dos Poetas Populares.
Palestrante: Geraldo Maia/RN

14h – Curso de Metrificação
Ministrantes: Marciano Medeiros/RN

16h – O Cordel: das feiras às galerias e o mundo da editoração.
Debatedores: Izaias do Cordel e Paiva Neves (CE)
Coordenadora: Izabel Nascimento (SE)

18h – Palestra: O Cordel nas universidades e escolas brasileiras.
Debatedores: Paulo Teixeira Iumatti – USP/SP e Varneci Nascimento/SP
Coordenadora: Jardia Maia/RN

20h – Sarau de Cordel: Participação dos poetas
Declamadores: Varneci Nascimento/SP, Jader Lima/RN, Izabel Nascimento, Antonio Francisco/RN, Tiago Monteiro/PB e Claudson Faustino/RN.

Sábado – 18/11

9h – Exposição O Cordel no RN – Mostra Santaninha/ Luiz Pinheiro/Zé Saldanha/Chagas Ramalho/Fabião das Queimadas/Chico Traíra.
Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras.
Visitação de escolas.

9h – João Redondo Cordeleando, com Genildo Mateus.

9h30 – Encontro do movimento cordelista.
Debate sobre a organização do Centenário do Encantamento de Leandro Gomes de Barros em 2018.
Aprovação de uma carta manifesto.

14h – A Participação de Câmara Cascudo no Cordel.
Participantes: Gutemberg Costa/RN
Coordenador: Ozany Gomes/RN

16h – A obra de Leandro Gomes de Barros.
Participantes: Irani Medeiros (PB) e Izabel Nascimento (SE)
Coordenadora: Cláudia Borges (RN)
Coordenador: Carlos Alberto (RN)

18h – A presença da religiosidade no Cordel.
Debatedores: Kildemir Dantas (PB) e Carlos Alberto (RN)
Coordenadora: Tonha Mota

20h – Show de Cordel e apresentações musicais.
Show Cordas e Cordéis – José Acaci.
Show do Cordel com a Rabeca – Jadson Lima/RN e Mazinho Viana/RN
Banda de Zé Martins
Bando de Fabião

Um cordel com recomendações para a reforma eleitoral e política

Resultado de imagem para cordel reforma eleitoral e política
Site Poemas & Canções

O engenheiro, cantor e compositor paraibano Francisco de Salles Araújo, no cordel “Reforma Eleitoral e Política”, faz uma reflexão e deixa uma sugestão sobre o nosso sistema político eleitoral.

REFORMA ELEITORAL E POLÍTICA
Chico Salles

Convoco o caro leitor a uma reflexão
Sobre o que vem ocorrendo com nossa grande Nação
Percebo algo escuro no seu caminho futuro
Com tanta corrupção.

Não sou nenhum futurista,nem sou tão pouco vidente
Também sei que não sou profeta, coisa de antigamente
Na lógica do sertanejo daqui pra frente o que vejo
É fruto não dá semente.

Com tanta desilusão parecendo num abismo
Resolvi raciocinar com cautela e com civismo
– Tem que haver uma brecha, uma luz ou uma fresta
Pro fim do continuísmo.

Não é mais possível assim os anos passam e nada
A esperança padece sempre na encruzilhada
Futuro só tem pra poucos, os imbecis e os loucos
Fazendo disso piada.

Uma saída surgiu na minha imaginação
Novo projeto de lei nesta Constituição
Para mudar o sistema e nos tirar a algema
Dessa forma de eleição.

A nova regra é bem simples, basta um pouquinho de jeito
Um tempo de doze anos com determinação e respeito
Com precisão sem demora, basta começar agora
E o sucesso tá feito.

Mantendo a mesma estrutura dos Poderes Eletivos
Que já estão implantados por nossos executivos
Vamos tratar cada um de forma simples e comum
Também os Legislativos.

O Poder Legislativo formado por quatro postos
A seguir descriminados, hierarquicamente expostos
Primeiro o Vereador, que vai mostrar seu valor
Seu tino, seus dons e seus gostos.

Mandato de quatro anos, o vereador eleito
Exercerá seu trabalho cCom coragem e com respeito
E sem remuneração, Em forma de doação
Pra conseguir novo pleito.

Depois de vereador, base de todo processo
A ele será permitido pra garantir o progresso
Andar pelos dois caminhos mostrando aos seus vizinhos
O segredo do sucesso.

O segundo será deputado, deputado estadual
Que para ser candidato além do potencial
Referência e valor, será ex-vereador
Agora remunerado.

Seguindo o raciocínio, a terceira posição
Será do que vai pra Brasília, com fé e disposição
Em seu estado eleito irá cumprir o seu pleito
E a Constituição.

Pra cada um dos mandatos só se elegerá uma vez
Depois da missão cumprida tem que mudar sem talvez
Podendo ser candidato, exercer novo mandato
Superior ao da vez.

Por fim no Legislativo, teremos o Senador
Que por esta lei sugerida foi também Vereador
Deputado Estadual,  Deputado Federal
E já mostrou seu valor.

O mandato do Senador devido à experiência
Terá o seu tempo dobrado com toda transparência
Será o fiel da balança trazendo mais esperança,
Distancia da aparência!

O fato preponderante é que o legislador
Chegará a vinte anos depois será professor
Mostrando cidadania trazendo mais alegria
Para o povão sofredor.

Já para o executivo o mesmo raciocínio
Depois de vereador, e seguindo o seu destino
Poderá ser Prefeito, agindo com o direito,
Com consciência e tino.

Concluindo o seu mandato com arte e sabedoria
Ficará credenciado para nova romaria
Se Governador for eleito, cumprirá o novo pleito
Dado pela maioria.

Por fim será Presidente, depois de ter sido Prefeito
E também Governador com retidão e respeito
Mostrando experiência no concreto e na ciência
Será certamente eleito.

Ao Presidente também pra esta lei ser cumprida
Terá seu mandato dobrado dedicando sua vida
Seu saber e seu pensar para o País compensar
Da atenção recebida.

Com isso a nossa política será democratizada
Existindo dois caminhos seguindo a mesma pisada
A hierarquia cumprida, a nossa gente sofrida
Deixar de ser humilhada.

Haverá uma exceção para o político de fé
Se for capaz e decente, sendo homem ou mulher
Poderá mudar de trilha seguindo a mesma cartilha
Sempre de cabeça em pé.

Um exemplo desta parte eu vou explicar agora
Poderá um Deputado, sem problema sem demora
Ser candidato a Prefeito e se nas urnas eleito
Assumir na mesma hora.

Isto é, pelo contrário, pode ser feito também
Prefeito ou Governador, se desta forma convém
Sair do Executivo passar pro Legislativo
Obedecendo ao porem:

Só pode mudar de lado mantendo aquela regra
Da hierarquia cumprida, assim na lei e na integra
Com isso teremos a certeza que esta simples proeza
Implantada nos alegra.

Desta forma acabará a má fé e o nepotismo
Existente nos Poderes com arrogância e cinismo
E criará para o povo um cheiro do bom e do novo
Indispensável civismo.

Não sei se me fiz entender com esta dissertação
Pois escrever em cordel com métrica e atenção
Não sei se passei de fato os versos as rimas o tato
Da minha imaginação.

Em síntese só quis dizer que cada posto político
Poderá ser ocupado com senso claro e crítico
Somente uma única vez por um mesmo freguês
Raciocínio analítico.

Com isso, qualquer cidadão, que for sereno e capaz
Para a carreira política terá que ter algo mais
Ter firmeza e pé no chão, sabedoria e retidão
Ser coerente e audaz.

Com doze anos se sabe que para ser Presidente
Os candidatos possíveis no seu passado recente
Já foram um Vereador, Prefeito e Governador
De algum Estado contente.

Também qualquer Senador, para ocupar o seu cargo
Já foi um Vereador, que tem um sabor amargo
Pois é sem remuneração, a principal condição
E nobreza deste encargo.

Continuando a norma, para qualquer Senador
Conseguir a posição depois de Vereador
Terá que ser Deputado e às leis se dedicado
Com afeição e amor.

Quatro anos na Assembléia do estado escolhido
Depois vai para o Congresso pelo povo aferido
E quatro anos depois, feito feijão com arroz
Terá o dever cumprido.

Teremos dias melhores, garanto isso também
não haverá mais carona, pára-quedas pra ninguém
A Pátria sem Salvador, só político de valor
Para nos fazer o bem.

Políticos de coronéis, feudos e religião
Lobistas, sonegadores aprenderão à lição.
Partidos de aluguel não terão mais o papel
De saquear a Nação.

Uma canção de Chico Buarque para a mulher que queria encontrar seu filho

Resultado de imagem para zuzu angel e stuart

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, na letra de “Angélica”, retrata a luta pessoal da estilista internacional Zuzú Angel que começou na busca em prisões e quartéis, à procura de seu filho Stuart Angel Jones, estudante de Economia da UFRJ e ativista do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), que desapareceu e foi torturado e morto durante a ditadura militar depois de ter sido preso em 14 de junho de 1971 por agentes da CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica). Essa música faz parte do LP “Almanaque” lançado, em 1982, pela Universal.

ANGÉLICA
Chico Buarque

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar

Site Poemas & Canções

 

E foi Cartola quem nos lembrou que o mundo é um moinho…

Resultado de imagem para cartola sambista

O cantor e compositor carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, ao compôr “O Mundo é um Moinho” originou algumas discussões sobre o significado da letra. Segundo alguns críticos, Cartola teria feito essa música para sua enteada, filha de Dona Zica, que teria o propósito de sair de casa para se prostituir. Ao ouvir os versos escritos pelo mestre, percebe-se o quão plausível pode ser essa versão da lenda. Contudo, há quem defenda que a letra de seja mesmo para a enteada, mas motivada por uma decepção amorosa.

O samba “ O Mundo é um Moinho” foi gravado no LP Cartola, em 1976, pela RCA.

O MUNDO É UM MOINHO
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

Site Poemas & Canções

Uma lição de vida às novas gerações, por Vital Farias

Resultado de imagem para vital farias

Vital Farias, uma voz que defende a natureza

O músico, cantor e compositor paraibano Vital Farias, na letra de “Não Jogue Lixo No Chão”, conclama as pessoas a repensarem suas atitudes, sob pena de inviabilizarem a vida no planeta para as gerações vindouras. Suas composições mesclam canções nordestinas, sambas de breque, modinhas, xaxados e outros ritmos. Em 2002, produziu o CD independente Uyraplural, que marcou a estreia de sua filha, a cantora Giovanna Farias.

NÃO JOGUE LIXO NO CHÃO
Vital Farias

Não jogue lixo no chão
Chão é pra plantar semente
Pra dar o bendito fruto
Pra alimentação da gente

O peixe que sai do rio
O amor que sai do peito
A água limpa da fonte
O sentimento perfeito

Não jogue lixo no chão

A natureza é quem cria
O amor imediatamente
Milagre que faz da vida
Bendito fruto do ventre

Não jogue lixo no chão

Não jogue lixo no chão
Nem rios, lagos e mares
A terra é nossa morada
Onde habita nossos pares

A terra que tudo cria
Não pede nada demais
Se tratada com carinho
Para vigorar a paz

Se queres sabedoria
Aprenda isto de cor
A terra é a mãe da vida
Útero ventre maior

Não jogue lixo no chão

Site Poemas & Canções

Um genial rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior

Resultado de imagem para BelchiorO cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946-2017), na letra de “Apenas um rapaz latino-americano”, tenta mostrar o significado, na década de 70, daquilo que era ser um jovem saído do interior para viver na cidade, algo distante da mistura colorida, a princípio, identificada na trupe da Tropicália. A música “Apenas um rapaz latino-americano”, inspirada claramente em Caetano Veloso, foi gravada por Belchior no LP Alucinação, em 1976, pela Polygram.

APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO
Belchior

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas trago na cabeça uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos, conversando com pessoas
Caminhado o meu caminho, papo o som dentro da noite
E não tenho um amigo sequer que ainda acredite nisso não
Tudo muda, e com toda a razão

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas sei que tudo é proibido, aliás, eu queria dizer que tudo é permitido
Até beijar você no escuro do cinema quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Som, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe, meu amigo
com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente quer dizer, ao vivo é muito pior

Eu sou apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco
Por favor não saque a arma no saloon, eu sou apenas um cantor
Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo à tarde, às três, que à noite eu tenho compromisso
E não posso faltar por causa de você

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei, sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso não

Site Poemas & Canções

A voz e o verso, num poético amor incestuoso

Resultado de imagem para abel silva e sueli costaAbel Silva, o parceiro ideal de Sulei Costa


O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), na letra de “A Voz e o Verso”, em parceria com Sueli Costa, utiliza hipérboles e metáforas para explicar os laços familiares que pode ter acontecido em outras vidas. A música faz parte do LP Simone, gravado, em 1989, pela Sony/CBS.

A VOZ E O VERSO
Sueli Costa e Abel Silva

A tua boca é uma flor que canta
O teu sorriso é música e perfume
E cada verso meu na tua boca santa
Me deixa os lábios doidos de ciúme

Cantar, pra ti, é profissão e vida
Canções pra mim são sangue, luz e ar
Você cantando faz com que meu verso exista
E eu te ouvindo sou a emoção de amar

Não  és espelho meu
Não sou teu outro eu
Não sei se em outras eras
Eu era irmão
E tu, irmã
Só sei que se assim fosse,
Então seriam Incestuosas,
Tua voz e minha poesia

Site Poemas & Canções