Daily Archives: 14/07/2021

Bolsonaro é internado para exames em hospital de Brasília e cancela reuniões da manhã

© Reprodução/Flickr Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu entrada no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, nesta quarta-feira (14). Ele sentiu dores abdominais na madrugada e foi internado para fazer exames. Com isso, as reuniões de Bolsonaro nesta manhã foram canceladas.

O presidente vinha se queixando nos últimos dias de soluços persistentes. Por conta disso, ele fará exames para investigar a causa do problema.

Bolsonaro passa bem e foi encaminhado ao hospital após orientação de sua equipe médica. Segundo nota da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o presidente deverá ficar em observação de 24 a 48 horas – não necessariamente no hospital.

A agenda da manhã previa, às 11h, um encontro com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

Bolsonaro também participaria, às 8h, de uma reunião do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19. Às 10h, no Palácio do Planalto, ele participaria do lançamento de um programa chamado Ações para o Novo Ensino Médio.

Fonte: MSN
Redação TV Cultura 

Lá vem o bonde pelas ruas do Recife, nas lembranças que marcam a cantora Cátia de França

Cátia é uma das maiores cantoras do Nordeste

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora paraibana Catarina Maria de França Carneiro, mais conhecida como Cátia de França, lembra com muita saudade os dias de festas que “O Bonde” proporcionava pelas ruas do Recife. A música “O Bonde” faz parte do CD No Bagaço Da Cana Um Brasil Adormecido, gravado por Cátia de França, em 2012, no SG Studio Digital.

O BONDE
Cátia de França

Correndo na linha,
Chiando nos trilhos,
Varando o arraial
Jaqueira, Mocambo passando ligeiro,
Que nem um filme no Cine Brasil.
Moleques no estribo, vaiando, gritando… 
É dia de festa, é o bonde que vem
E nesse pagode, na festa afinal

Eia, lá vem o Bonde!
Levando Sinhá,
Coroné Zé Paulino
E a filha mais nova,
Ele passa enfeitado,
Cheinho de gente na Rua da Aurora
E faz terminal lá no Pátio do Carmo.

Do bagageiro se ouve um aviso.
É o motorneiro soprando o apito
Recomeça a festa: é o bonde que sai!
Tinha um apelido este bonde amarelo
Chamado Lambreta todo desbotado
Sumiu na distância, Sumiu no passado…  

Eia, lá vem o bonde!

Acredite se quiser! O badalado projeto para privatização dos Correios não vai privatizar nada

Nenhum país do mundo tem correios 100% privados

Madeleine Lacsko
Gazeta do Povo

Alguns debates são a curva de rio da internet, atraem tudo quanto é lixo emocional das pessoas e não vão a lugar algum. Confesso que estou realmente assustada com o grau de descolamento da realidade das pessoas bem informadas e interessadas por política. Não se está debatendo a privatização dos Correios, mas as fantasias de cada um em torno do tema. Há uma enxurrada de opiniões fortes sobre algo que ninguém sabe: qual o modelo proposto. Como sempre, o Brasil só sabe o que não quer.

Sucesso nas redes sociais, a autoajuda disfarçada de militância entrou também no debate sobre a privatização dos Correios. As pessoas falam apaixonadamente sobre o modelo de Estado que defendem, a depender da ideologia em que acreditam.

CAIR NA REALIDADE – Estou velha. Sou do tempo em que o debate sobre sonhos, imaginação e ideologia era coisa de adolescente. Os números são escolhidos a granel para dar a impressão de que a pessoa está debatendo algo sério. Há grupos que defendem apaixonadamente que os Correios dão lucro enquanto outros mostram subsídios e prejuízos. Daí vem alguém falar sobre o fundo de previdência, a ineficiência, a necessidade do choque de gestão.

A coisa descamba mesmo quando alguém bota na mesa o coringa da corrupção. Privatizar é a única saída para a moralização e estão aí as empreiteiras brasileiras que não nos deixam mentir. O debate é feito sobre a ideia de privatizar ou não o serviço de Correios sem que se leve em conta uma única gota de realidade.

Há uma proposta concreta na Câmara dos Deputados, o que está escrito ali? Outros países também têm serviços de Correios, trata-se de um direito do cidadão. Como funciona nos países em que se implementou o sistema que é proposto agora?

AGITANDO O TWITTER – Sou corajosa. Resolvi fazer essa pergunta justo na rede mais tóxica, o Twitter. Primeiro recebi uma enxurrada de gente falando que nos EUA não tem correio estatal e funciona. Só que tem, o US Mail. Daí dizem que ele não tem monopólio de envio de documentos, é diferente. Eu mando documentos pela Jadlog aqui em Cotia, interior de São Paulo, que não fica nos Estados Unidos. Resolvi trocar a pergunta.

Descobri que a maioria das brigas em torno da privatização dos Correios é sobre coisas que não existem. Primeiro porque a proposta do governo brasileiro não é passar para a iniciativa privada, é empresa de economia mista com possibilidade de concessão. Depois porque a defesa apaixonada do livre mercado de entrega de correspondência existe só na cabeça do internauta brasileiro, não tem no mundo nada assim. Nenhum lugar do mundo tem serviço 100% privado de Correios.

Quando falamos em países que têm Correios “privatizados”, o modelo mais liberal é o da DHL alemã, que era originalmente uma empresa estatal e acaba de completar sua transição para a iniciativa privada.

LONGA TRANSIÇÃO – A Alemanha fez um processo planejado e controlado que durou mais de 20 anos para que não houvesse queda no serviço nem lugares desassistidos. Ainda assim, o KfW Bankengruppe (uma espécie de BNDES da Alemanha, banco público de fomento), detém 20,5% das ações. É o sistema que chama-se no mercado de “golden shares”, quando o Estado fica com uma porção especial das ações que dão um controle maior, como direito de veto, por exemplo.

Também me disseram que o Japão tem correios privatizados. Trata-se novamente de um processo longo e estruturado, iniciado em 2003, interrompido em 2007 em virtude de corrupção e retomado depois. A data prevista para finalização é 2028. O governo japonês detém 50,7% de participação nos correios.

Mas é um tipo de empresa muito diferente do que temos aqui. O Japan Post, no início do processo de privatização, era também uma potência do mercado financeiro, com aplicações, seguros e fundos de pensão. A empresa fazia as duas coisas, a parte financeira e a entrega de encomendas e correspondências. No Brasil, até temos alguns pagamentos nos Correios, mas ele não é um banco que fatura com isso.

ANTICORRUPÇÃO -Fala-se muito em privatização como remédio contra a corrupção, já que inúmeros escândalos envolveram os Correios. Não creio que o menor índice de corrupção no Japão e na Alemanha se deva à privatização. A cultura tem um peso enorme.

Mas aqui na Argentina já se fez concessão pública dos correios para moralizar e melhorar o serviço. A empresa privada que assumiu quebrou e deu um prejuízo maior do que a estatal capenga dava antes. Há jeitos e jeitos de privatizar.

A privatização brasileira seria à argentina ou à alemã? Claro que, de tanto frequentar rede social, já dá aquela vontade de soltar uma platitude falando de comportamento, latinidade, corrupção e falta de planejamento. Só que eu gosto demais da minha vida enviando e recebendo encomendas, então fui ler o projeto de lei. A conclusão é que não tem como saber. O projeto abre a possibilidade de algo que não especifica.

MAIS UMA S/A – Haveria uma mudança na natureza jurídica da Empresa de Correios e Telégrafos, ECT. Ela passaria de estatal a empresa de capital misto, com o nome Correios do Brasil S/A. Também poderia fazer concessão pública, do serviço todo ou em partes. Não há mais detalhes. Quem vai decidir tudo posteriormente é a Anatel, que cuidará dos Correios tão bem quanto já cuida da nossa telefonia e da internet.

A Anatel ganharia mais essa atribuição e também mudaria de nome, seria a Agência Nacional de Telecomunicações e Serviços Postais. O monopólio da modalidade carta ou correspondência só seria quebrado após 5 anos do início da privatização e se a Anatel assim decidir. Não há um desenho pronto de como ficaria o serviço nem a nova empresa de capital misto.

Como a ideia é de uma S/A, ela poderia ter capital aberto, mas o texto não diz se vai ser assim ou o capital será fechado. Também não diz o percentual que será vendido à iniciativa privada nem o percentual que ficaria com o Estado, não fixa um percentual mínimo do Estado nem preferência de ações, posições no Conselho, controle, nada disso. Tudo isso seria decidido depois, pela Anatel.

NADA DEFINIDO – Do jeito que está, o projeto deixa abertas possibilidades absolutamente diferentes na prática. Vamos a alguns exemplos. É possível que toda a prestação de serviços seja concedida à iniciativa privada e 99% da Correios do Brasil S/A seja passada à iniciativa privada? É. Também é possível que somente 1% da Correios do Brasil S/A sejam vendidos e se conceda apenas o serviço da agência dos Correios de Cotia porque eu reclamei da demora? Também é.

O projeto estipula que a Correios do Brasil S/A deixaria de ter todo e qualquer incentivo fiscal que não esteja disponível para as demais empresas do setor. Hoje, os Correios não pagam impostos. Essa diferença seria um desafio para o projeto de privatização, que precisaria contar com o impacto da carga tributária sobre as operações. Mas não tem nada disso no projeto, quem vai decidir depois é a Anatel. Aliás, tudo vai se decidido pela Anatel, e o mandato do atual presidente termina dia 4 de novembro.