Daily Archives: 23/01/2019

Clima acirrado esquenta as eleições suplementares em Passa e Fica, no Agreste Potiguar

Ex-prefeito Celú Lisboa tenta manter o poder da família há 20 anos contra a professora Cibelly Fonseca

Com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em cassar o mandato do prefeito Léo Lisboa (PSD) e agendar uma eleição suplementar em Passa e Fica, no Agreste Potiguar, o clima anda quente literalmente. A disputa pela prefeitura local está acirrada, como aconteceu nos dois últimos pleitos.

O sistema liderado pelo ex-prefeito Pepeu Lisboa lançou o sobrinho Celú Lisboa, que já foi prefeito da cidade, mas saiu com salários atrasados. A oposição que em 2016, conseguiu 48,44% dos votos, lançou agora a professora Cibelly Fonseca. Todo o grupo de oposição que apoiou a governadora Fátima Bezerra nos dois turnos e conseguiu a vitória em Passa e Fica, caminha juntos.

A família Lisboa não conseguiu derrotar a governadora em Passa e Fica em nenhum turno. O candidato dos Lisboa, o ex-prefeito Carlos Eduardo e só conseguiu transferir 47,69% dos votos. Em 2016, o prefeito cassado Léo Lisboa só venceu com 233 votos de maioria, ou seja, 3%, sinalizando um desgaste de mais de duas décadas, já que desde 1996, o ex-prefeito Pepeu Lisboa comanda a cidade se alternando com seus sobrinhos.

Até o dia 3 de fevereiro, a campanha vai se intensificando nas ruas e comunidades rurais. Passa e Fica tem hoje mais de 8 mil eleitores aptos as urnas. A governadora Fátima Bezerra (PT) já sinalizou a participação no palanque da professora Cibelly Fonseca e vai aumentar a pressão do caldeirão. A família Lisboa foi adversária ferrenha de Fátima no 2º Turno, quando tentou mostrar sua hegemonia nas urnas locais.

Com Blog do BG

Nervoso, Bolsonaro transmite superficialidade, mas passa no teste em sua estreia

Resultado de imagem para bolsonaro discursa em davos

Jair Bolsonaro encurtou seu discurso para evitar polêmicas

Igor Gielow
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tocou o violino que a plateia em Davos quis ouvir em seu primeiro contato com uma audiência no exterior, mas reforçou a impressão generalizada de agentes econômicos de que o mandatário transpira superficialidade. Se não falou a palavra “posto Ipiranga”, apelou a similares ao responder às perguntas previsivelmente dóceis de Klaus Schwab, o fundador do fórum em Davos.

Deu respostas tão seguras quanto genéricas: Sergio Moro terá todas as condições para combater a corrupção, o Brasil não é um monstro desmatador de florestas, as reformas econômicas são a prioridade (quando e quais enviará, a ver).

RETOMADA – Mesmo instado a detalhar como ajudaria a promover a recuperação econômica do país, Bolsonaro evitou comprometer-se demais. Em modo agente da Embratur nos anos 1980, conclamou os presentes a visitar as maravilhas do Brasil, o Pantanal, a Amazônia.

Some-se a isso ao uso de menos de 10 dos 45 minutos disponíveis para se apresentar no tão esperado discurso e a imagem ficou cristalizada. Ali, as palavras tinham a densidade de um programa de campanha eleitoral. Não ajudou muito Bolsonaro o fato de estar visivelmente nervoso, mexendo-se de lado a lado durante a fala, lida.

Apenas duas notas dissonantes ao concerto apresentado por violino lembraram a plateia das características potencialmente hunas do novo governo, para ficar na expressão renegada pelo seu vice, general Hamilton Mourão.

ÁGUA DO AÇÚCAR – A primeira, de resto água com açúcar perto do que o público brasileiro se acostumou a ouvir do presidente, foi a referência a “família”, “direito à vida e à propriedade”. Davos, por todo o poder e dinheiro que acolhe, é um fórum que gosta de se vender como progressista nos costumes —vide a presença de popstars com discursos bacanas sobre como salvar a África da miséria em edições passadas.

Ainda assim, não surgiu um Bolsonaro criticando movimentos migratórios. Nem a coleção de impropérios ao chamado globalismo que impregna as manifestações do chanceler Ernesto Araújo, ainda que tenha soltado seu empenho em combater a “esquerda bolivariana” na América Latina.

SEM IDEOLOGIA – O presidente falou novamente em evitar “viés ideológico” nas suas tratativas comerciais, mas nenhuma palavra sobre o embate entre China e EUA. Zero a zero. Por outro lado, a já decidida manutenção do Brasil nos Acordos de Paris curiosamente não surgiu, sendo trocada por platitudes defensivas acerca da conservação do ambiente no país.

Outra nota fora do tom foi a versão amputada e adaptada do lema de sua campanha, agora “Deus acima de tudo” —a metade tropicalizada do “Deutschland über alles” talvez pegasse mal na Europa. É de se imaginar o que os poderosos presentes acham de tal apelo religioso, tão ao agrado de sua base evangélica em casa.

Tudo somado, Bolsonaro passou num primeiro teste fácil, mas perdeu a oportunidade de causar uma boa impressão. A bola está com Paulo Guedes, Sergio Moro e companhia.