Paulo Guedes subiu no telhado e quem manda na campanha são os generais

Resultado de imagem para paulo guedes charges

Guedes acreditou na capa da Veja…

Carlos Newton

Já era esperado. O economista Paulo Guedes, com sua fama de professor e ex-banqueiro, julgou que seria uma espécie de Rasputin imberbe e meio careca no Palácio do Planalto, caso o candidato Jair Bolsonaro fosse eleito presidente da República, mas na política as coisas não funcionam exatamente assim. Em sua coluna no Estadão, a jornalista Vera Magalhães já cantou a pedra, dizendo que a união de Bolsonaro e Guedes é apenas “um casamento de fachada”. E o fato concreto é que casamentos desmoronam, mesmo sendo somente para constar – ou de fachada, como prefere a excelente colunista.

Neste final de primeiro turno, a crescente possibilidade de Bolsonaro ganhar a disputa presidencial fez eclodir uma precoce disputa de poder dentro do núcleo de campanha, entre os civis e os militares da entourage. E todos sabem quem vai sair vencedor.

FORA DO BARALHO – Como não há condições de Bolsonaro conduzir a campanha, Paulo Guedes foi assumindo a parte que julgou lhe caber neste latifúndio. Na semana passada, ao anunciar seu plano de reforma tributária – que por enquanto substitui atuais tributos por uma única cobrança semelhante à da CPMF –, Guedes pensou que estava abafando, mas tratava-se de uma tragédia anunciada, porque o próprio Bolsonaro votara contra a ressurreição da CPMF e prometera não recriar o imposto.

Guedes também julgou ter reinventado a pólvora, ao propor o fim da independência do voto parlamentar, com fechamento de questão obrigatório em toda votação de interesse do governo.

Resultado: o criativo economista desabou feito o viaduto imortalizado por Aldir Blanc e João Bosco. A queda não deixou vítimas, a não ser o próprio Guedes, que no sábado foi visitar Bolsonaro no hospital e descobriu estar proibido de anunciar qualquer coisa relacionada à campanha.

GENERAIS NA ATIVA – Quem manda agora no QG partidário é o próprio Bolsonaro, assessorado pelos dois filhos deputados (Eduardo e Flávio) e o vereador (Carlos), e por um grupo de generais reformados que estão cada vez mais na ativa, em matéria de política.

Além do general Hamilton Mourão, candidato a vice, participam da campanha os generais Augusto Heleno, Aléssio Ribeiro Souto e Osvaldo Ferreira na linha de frente.

Não há problemas de hierarquia, porque todos sabem que é Bolsonaro quem manda. Em contrapartida, o capitão também sabe que não pode sair da linha e os interesses nacionais terão de ser respeitados. Se ganhar a eleição, que ainda depende do fôlego de Fernando Haddad e da terceira via de Ciro Gomes, a conversa vai ser outra e o reinado dos banqueiros e investidores estará com seus dias contados.

Posted on 24/09/2018, in Brasil, Curiosidade, Política, Reflexão. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: