Ao propor sua “Revolução Democrática”, o Dalai Lama exalta Buda e elogia Marx

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Dalai Lama conclama os jovens a fazerem a nova revolução

Antonio Rocha

Saiu recentemente em terras brasileiras, o mais novo livro do Dalai Lama, 100 páginas, editora Alaúde, eis o título: “Façam a Revolução – o Apelo aos Jovens do Século XXI”. A juventude em questão pode ter de 8 a 88 anos, desde que estejamos com as mentes abertas, sem os preconceitos partidários de décadas divisórias entre ideologias ultrapassadas de esquerda e direita.

O texto é oriundo de uma longa entrevista que o líder tibetano concedeu à escritora Sofia Strill-Rever, autora de vários livros, uma de suas intérpretes e especialista na língua sânscrita.

TESE DE GANDHI – O conceituado monge budista resgata uma pregação do libertador da Índia, Mahatma Gandhi. Podemos e devemos fazer transformações profundas na estrutura de uma sociedade, sem o auxílio das armas. É difícil sim, muito difícil, nessa área nada é muito fácil, pois as propostas pacifistas nem sempre são interpretadas como melhorias.

Mas o tenaz Tenzin Gyatso (nome do Dalai Lama) está semeando para mais adiante, visando a época em que os muito jovens de hoje crescerem e chegarem ao poder, de preferência sem os vícios, sem os negativismos, sem os egoísmos e apegos da vida política atual.

“Meu sonho é que as mulheres se tornem chefes de Estado – diz Tenzin Gyatso, pretendendo que “jovens mulheres sejam as mães da Revolução da Compaixão” (págs 38 e 39).

SER HUMANO –  Compaixão é um termo budista, mas ele esclarece, à página 41: “Estou consciente da falência das religiões (…) não falo como budista, como Dalai Lama ou como tibetano, falo como ser humano”.

O nome desse “movimento” não precisa ser o citado acima, pode ser “Democracia da Terra”, termo usado pela física indiana Vandana Shiva, que em 1993 recebeu o “Prêmio Nobel Alternativo” ( http://www.navdanya.org ). Ou o nome sugerido pelo escritor francês Bénédicte Manier em seu livro de 2016: “Um Milhão de Revoluções Tranquilas”. Ou ainda “Revolução do Altruísmo” do cientista francês e monge budista Matthieu Ricard, obra já publicada em português.

ANACRONISMO – O Dalai Lama afirma ainda que “a guerra é um anacronismo total” e “as revoluções passadas não mudaram o espírito humano”. Sua proposta não é Liberal nem Socialista. Apesar disso, se define assim: “Sou discípulo de Buda, adotei o lema da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, sou também discípulo de Karl Marx e lamento que Lênin e Stálin tenham corrompido o pensamento original de Marx, desviando o ideal comunista para o totalitarismo” (págs. 31 e32).

Gyatso fala do filósofo Marx, do pensador, do economista e não da ideologia: “Não falo em nome de uma ideologia. Porque não acredito em ideologias – sistemas de idéias preconcebidas que são aplicadas à realidade e que o partido político do governo impõe como obrigatórias. A ideologia é ainda mais perigosa quando se alastra por todos os setores da sociedade” (pág. 41).

O líder tibetano está com 82 anos, talvez este livro seja seu derradeiro legado político e social para as novas gerações.

Posted on 26/08/2018, in Entretenimento, Reflexão. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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