Daily Archives: 29/08/2017

Um recado aos poetas clássicos, na criatividade do Patativa de Assaré

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Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme se constata no seu recado “Aos Poetas Clássicos”.

AOS POETAS CLÁSSICOS
Patativa do Assaré

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidad
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá – O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
– Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Deste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lesma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.


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Interesses Internacionais e o golpe sacramentado

Por: Dr. Evandro Borges

O golpe trasvestido de legalidade sacramentado pelo parlamento, cada vez mais estampa o seu alinhamento com os interesses internacionais, diante da fragilidade nacional, com a entrega do pré-sal, uma reserva petrolífera a fazer inveja aos países Árabes, a antiga União Soviética por muitos anos a maior produtora e exportadora de Petróleo do mundo, com leilões, sem observar qualquer projeto nacional de desenvolvimento e soberania.

A Petrobras é ainda a empresa mais respeitada em captação do petróleo em águas profundas, considerada a maior da América Latina, já tinha desenvolvido técnicas para a exploração do pré-sal, uma tecnologia nacional, mas nada disto foi  respeitado, tudo em face da desmoralização contínua colocada nacional e internacionalmente de forma cotidiana na mídia, martelando a opinião pública, com raras exceções, fazendo a defesa da empresa nacional de economia mista.

O projeto anterior discutido com bastante debate no Congresso, de participação nos resultados dos royalties do pré-sal para educação foram completamente frustrados, pela incapacidade dos investimentos, e pela abruta queda do barril do petróleo chegando abaixo dos trinta dólares, e pela intervenção da Justiça em processo judicial motivado pelo Rio de Janeiro, que o atual governo foi completamente incapaz de resolver.

A entrega de parte da Amazônia, de forma vergonhosa, com empresas internacionais já sabendo antecipadamente o plano governamental brasileiro, não observando reservas florestais e de indígenas, parecendo com o famigerado “Projeto Jari” da ditadura passada, foi denunciado pela Rede Globo nos seus noticiários de grande audiência, talvez, contrariando os seus interesses ou de seus protegidos, uma vez que, não merece mais credibilidade de parcela significativa da opinião pública.

Por sua vez o arrocho dado nos investimentos com a área de seguridade social, congelando os investimentos, em educação, saúde, e assistência social, para assegurar o pagamento da dívida com os banqueiros, que impõe todo tipo de sacrifício a população para manter seus lucros exacerbados,  revela que tipo de governo se tem, houve mesmo, uma mudança de concepção governamental, acrescida de uma crise internacional associada com as fragilidades de ordem nacional, e um governo que contempla os interesses internacionais, mais sem legitimidade e uma maioria do congresso denunciada de corrupção forma um caldo de cultura de instabilidades em todas as áreas.

A tendência da continuidade desta política, do aumento das diferenças e de uma elite política e institucional perdulária, sem conseguir atender o básico e fundamental a população, é de aumentar a violência de todas as naturezas, tornando a convivência humana e em sociedade insuportável, fragilizando o Estado Democrático de Direito, aumentando as tensões, diminuindo a tolerância e a capacidade diálogo. (PN)