Daily Archives: 10/08/2017

Governador do RN diz que imprensa é responsável por ‘sensação de insegurança’; Sindjorn reprova declaração

Robinson Faria, governador do RN (Foto: Canindé Soares)

Governador falou sobre assunto em entrevista a uma rádio. Para Sindicato dos Jornalistas, declaração é ‘equivocada’ e ‘quer mascarar realidade vista nas ruas’

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) emitiu uma nota nesta quarta-feira (9) reprovando a declaração do governador Robinson Faria (PSD) sobre a responsabilidade da imprensa pela sensação de insegurança dos potiguares.

Em entrevista à rádio 96 FM, na noite desta terça-feira (8), o governador afirmou que grande parte da sensação de insegurança da população acontecia por causa do ‘sensacionalismo’ da imprensa local. “A mídia gosta dessas notícias. Por isso há uma sensação de insegurança muito grande”, afirmou o governador.

Na nota, o sindicato afirmou que a declaração desrespeita toda a classe, ‘além de querer mascarar uma realidade vista nas ruas do Estado e confirmada através de dados de pesquisas e instituições’.

“Num estado onde o número de assassinatos já se aproxima dos 1.500 só em 2017 e que facções impõem medo em diversas partes do Estado, não cabe à imprensa resolver este problema”, diz a nota. “À imprensa cabe noticiar os fatos e não omitir informações e dados públicos à sociedade”, acrescenta o texto.

O sindicato ainda lembrou que o tio da primeira-dama Julianne Faria, um médico com 87 anos, foi baleado em um assalto a farmácia poucas horas após a declaração do governador. “Precisa dizer algo mais?”, questiona. O sindicato também se solidarizou com as famílias das vítimas de crimes no estado.

No início da tarde desta quarta (9), o governo emitiu nota afirmando que “a imprensa uma das grandes parceiras para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte” e que “ao comentar a cobertura da imprensa na área de segurança, o governador demonstra preocupação com a disseminação da sensação de medo à população, desproporcional à realidade, que já é duríssima”. A nota ressalta ainda que “o combate à violência é responsabilidade do governo, que tem assumido com coragem, postura de acompanhamento e cobrança permanentes e disposição de vencer essa guerra, reflexo de uma problemática que aflige todo o país”.

Veja a nota completa do Sindjorn:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte reprova veementemente a declaração dada nesta terça-feira (8) pelo Governador Robinson Faria de que o trabalho da imprensa potiguar é um dos responsáveis pela sensação de insegurança nos cidadãos potiguares. A declaração do governador desrespeita toda a classe jornalística, além de querer mascarar uma realidade vista nas ruas do Estado e confirmada através de dados de pesquisas e instituições como o Atlas da Violência e o Observatório da Violência Letal Intencional do RN (OBVIO).

Num estado onde o número de assassinatos já se aproxima dos 1.500 só em 2017 e que facções impõem medo em diversas partes do Estado, não cabe à imprensa resolver este problema. Isto deve ser uma postura de Governo. À imprensa cabe noticiar os fatos e não omitir informações e dados públicos à sociedade, e é o que colegas jornalistas têm feito todos os dias.

Minutos após a equivocada declaração do Governador a uma emissora de rádio de Natal, um tio da primeira dama, Julianne Faria, foi baleado durante o enésimo assalto a uma farmácia da capital potiguar. Precisa dizer algo mais?

Reforçamos nosso apoio aos colegas jornalistas em seu trabalho vital para a sociedade potiguar, e nos solidarizamos com as milhares famílias e vítimas de violência no Rio Grande do Norte.

Confira a nota do Governo:

A respeito da repercussão de declarações sobre a cobertura da imprensa com relação a casos de violência no Rio Grande do Norte, o Governo do Estado vem a público esclarecer que:

1 – O governador Robinson Faria sempre manteve uma relação não só de respeito, mas de amizade com a imprensa potiguar. É a imprensa uma das grandes parceiras para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e não houve da parte do governador a intenção de desmerecer o sério trabalho jornalístico dos veículos de comunicação do nosso Estado;

2 – Ao comentar a cobertura da imprensa na área de segurança, o governador demonstra preocupação com a disseminação da sensação de medo à população, desproporcional à realidade, que já é duríssima;

3 – O combate à violência é responsabilidade do governo, que tem assumido com coragem, postura de acompanhamento e cobrança permanentes e disposição de vencer essa guerra, reflexo de uma problemática que aflige todo o país;

4 – Não há como retomar o sentimento de segurança e paz sem uma aliança inquebrantável entre governo, imprensa e sociedade

(G1 RN)

DISCURSO DO DEPUTADO JOSÉ ADÉCIO, NO PLENÁRIO DA ALRN, DIA

Caro(a) jornalista,

Eis a cópia (arquivo em anexo) do discurso lido terça-feira (08) no Plenário desta Casa Legislativa.

Reafirmo o que disse e esclareço, mais uma vez, que pedi para não ser aparteado, porque não gostaria de interromper minha fala, da qual assumo total responsabilidade, após consulta junto a minha assessoria jurídica.

Em 41 anos de vida pública, talvez tenha sido o meu pronunciamento mais árduo, motivado pelo desrespeito a que essa Assembleia Legislativa foi submetida, quando eu, representante legal dessa sede do Poder Legislativo, fui impedido de falar em um evento comandado pelo presidente da FAERN, José Álvares Vieira.

Vivo meu melhor momento político. Jamais me curvarei diante de quem quer que seja, quando eu perceber que a imagem da Assembleia Legislativa corre, pelo menos, ameaça de ser atingida pelo silêncio promovido pelos despreparados e incompetentes.

Continuarei república e democraticamente, respeitando as posições dos nobres colegas parlamentares. Igualmente, seguirei na defesa da liberdade de expressão, com a certeza que o povo do Rio Grande do Norte não espera outra posição minha, a não ser a lealdade e a firmeza em lutar pelos princípios que norteiam os homens de bem.

Respeitosamente, dirijo-me à classe fundamental ao pleno exercício da democracia, formada pelos comunicadores sociais, no intuito de informar a verdade.

Natal(RN), 09 de agosto de 2017.
Atenciosamente,
José Adécio

Sistema de votos valerá nas eleições de 2018 e 2020; votação dos destaques da bancada volta às 10h desta quinta-feira; entenda o que muda nas eleições

Lúcio Vieira Lima e Vicente Cândido, durante sessão que aprovou o sistema de distritão para 2018
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Lúcio Vieira Lima e Vicente Cândido, durante sessão que aprovou o sistema de distritão para 2018

Após aprovar o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/03 na noite desta quarta-feira (9) , a Comissão especial da Câmara que analisa a  reforma política alterou, na madrugada desta quinta-feira (10), um destaque que modificou o texto e alterou o sistema eleitoral para as eleições de 2018 e 2020, que passará a ser feita pelo chamado distritão.

Por esse sistema, serão eleitos os candidatos mais votados para o Legislativo, sem levar em conta os votos recebidos pelo conjunto dos candidatos do partido, como é o sistema proporcional adotado atualmente. Com o distritão , a reeleição passa a ser favorecida, pois o voto vai diretamente para o candidato.

Reforma política caminha para consolidar modelo excludente

As mudanças na legislação eleitoral brasileira, que estão sendo urdidas nas entranhas do Congresso Nacional, caminham para consolidação de um modelo de poder ainda mais excludente, seletivo, oligárquico e plutocrata.

Na verdade, não se trabalha uma reforma, mas amarras que garantam o maior poder político aos donos dos maiores partidos e uma ameaçadora valorização dos congressistas, verdadeira casta institucional.

Em nome da melhoria do sistema, querem de vez a tomada da república e de seus poderes como bem para poucos e por poucos, inibindo – como sempre – o surgimento de novas lideranças políticas e alternativas ao poder vigente.

Faz-se a montagem de um simulacro de parlamentarismo, com redução de poderes do Executivo.

Esse é, em síntese, o espírito das leis que querem validar.

Voltaremos ao tema, tratando de pontos diversos do texto-base aprovado à madrugada de hoje na comissão da Câmara Federal, que discute mudanças no sistema eleitoral.

2017 dependerá do foco, do globalizado, da informação, do conhecimento, do saber

Foto: Arquivo PN

Advogado Evandro Borges, que é colunista do Portal PN, analisa aspectos diversos do ano que entra, opinando sobre o que acontecerá no país.

A humanidade sempre procurou as perspectivas para o futuro, muitos fazem realizando adivinhações, alguns de forma religiosa, mas conjecturar, fazer um exercício de previsibilidade, buscar os rumos, precisa ter uma base, uma tendência, uma sustentação, a linha que busque o horizonte, pois, às vezes todas os traços, desaguam em novidades, em algo completamente surpreendente.

De 2013 até 31 de dezembro de 2016 ocorreram uma torrente de novidades no país, uma participação ativa nas ruas, de diversos cordões, a mobilização pela internet e as redes sociais, a violência instalada tentando vencer o Estado, novos valores postos na ordem do dia, como a liberdade sexual, casamentos homossexuais, discussão de valores sobre a democracia e direitos humanos considerados universais sendo contraditados, eleições com resultados imprevisíveis, diante da diversidade nada é consensual e padrão.

Qual é a base para assegurar as perspectivas? Qual a análise com mais segurança pode apontar os rumos? A pluralidade e a riqueza cultural, as diferenças regionais e a globalização que padroniza, constrói uma diversidade sem precedentes, destruindo a previsibilidade, o popular ou o erudito, ambos? Talvez, então, precisamos erguer diante de todos os acontecimentos, vida e morte? Os dois estão interligados?

A economia neoliberal contra as lutas sociais, estas neste ano de 2017 está desenhado o quadro de confronto, a partir da reforma previdenciária tolhendo direitos, colocando dois lados em embate, quem vai convencer a opinião pública? De que lado você vai ficar? A proposta é cruel, aumento de idades para a obtenção do benefício para aposentadoria, redução de benefícios para a pensão por morte, desvinculação do salário mínimo, etc e etc.

A intensificação da reforma política vai ser mais forte, inclusive com os casuísmos que já se iniciaram, eleição para a Presidência da Câmara,  questões constitucionais estarão na ordem do dia, com a mesma participação do STF, os passos para a eleição presidencial de 2018 ficaram de maneira mais clara, os projetos políticos serão colocados com mais transparência e a luta institucional continuará.

A crise vai exigir um Estado mais eficiente, em suas ações, sem desperdícios, sem corporativismos e sem privilégios, atingindo objetivos, exigindo capacidade de diálogo e realização, a reforma administrativa de necessidade começará a se realizar, mas, dependerá da mobilização popular, que se dá acima dos partidos e das lideranças, através do exemplo e da rede de informações.

As perspectivas para 2017?  Dependerá do foco, do pontual, e do globalizado, da informação, do conhecimento, do saber, da capacidade de analisar e realizar, de articular em rede, do bom projeto, da escolha diante das alternativas, da especialização e da generalização, não há uma bula, uma receita a prescrever, um único caminho, uma única dimensão.

Do PN Notícias

Raquel Dodge ainda nem assumiu e já está desmoralizando a Procuradoria-Geral

Resultado de imagem para temer e raquel dodge chargesRaquel não notou que está sendo manipulada?

Carlos Newton

Como se dizia antigamente, a subprocuradora Raquel Dodge, futura procuradora-geral da República, está se saindo melhor do que a encomenda… Sua falta de habilidade política é impressionante, decepcionante e degradante. Ainda nem assumiu o cargo e já está ficando desgastada. Muitos procuradores que votaram nela na lista tríplice estão arrependidos, porque Raquel Dodge está se tornando uma espécie de Gilmar Mendes do Ministério Público Federal, com atitudes que desmoralizam a instituição.

A Procuradoria-Geral da República é um órgão soberano, que não está subordinado a nenhuma outra instituição. Tem atribuições próprias e não pode se subordinar nem funcionar como linha auxiliar de nenhum dos Poderes da República.

REUNIÃO INDEVIDA – O encontro de Raquel Dodge com o presidente Michel Temer, na calada da noite e fora da agenda, nada teve de republicano. Especialmente porque, segundo a repórter Catarina Alencastro, de O Globo, o Palácio do Planalto informou que a reunião aconteceu a pedido de própria Raquel Dodge, “que ligou para Temer pedindo para conversar, e ele, que já estava no Jaburu, a convidou para ir até lá”.

O pior foi a justificativa. Raquel Dodge alegou que o encontro foi para combinar a cerimônia de posse no Planalto, que não é nem assunto de autoridades, deve ser tratado pelas respectivas assessorias. E tudo isso às 22 horas desta terça-feira, um dia depois de  o presidente Temer haver arguido ao Supremo a suspeição do atual procurador Rodrigo Janot, atual superior hierárquico de Raquel Dodge… Bem, para os que não acreditam em coincidência, é um prato feito.

OUTRA REUNIÃO – O pior é que a subprocuradora não parou por aí. Na quarta-feira, tinha reunião agendada com o ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, com participação também do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Etchegoyen, dois homens de confiança de Temer. Segundo a agenda de Gilmar, a pauta era “o crime organizado nas eleições”.

Ora, fica claro que a pauta foi concebida exclusivamente para justificar a presença de Gilmar Mendes no comando da reunião, cujo objetivo jamais seria “o crime organizado nas eleições”. Se isso fosse verdade, eles teriam de estar debatendo como tornar segura a urna eletrônica, através do voto impresso, e como garantir a segurança da apuração, que não teve transparência na eleição de 2014, gerida pelo ministro petista Dias Toffoli.

Detalhe importante: a subprocuradora Raquel Dodge nada tem a ver com a prevenção ao crime organizado eleitoral, rigorosamente nada. Sua função é atuar “a posteriori”, na investigação e punição.

OBJETIVO REAL – As reuniões no Jaburu e no Supremo, com Temer e Gilmar. tiveram o objetivo real de submeter a futura procuradora-geral da República, como se a eles fosse subordinada, mas não é.

Temer e Gilmar já conseguiram que Raquel Dodge caísse na armadilha inicial do relacionamento direto com eles, entrando numa intimidade que sem dúvida prejudica a isenção de quem investiga e faz denúncia. Ao aceitar a aproximação, ela se descarta da postura de distanciamento que deve pautar a atuação da Procuradoria-Geral da República. Em tradução simultânea, poder-se-ia dizer que Raquel Dodge está agindo como Gilmar Mendes e contribuindo para aumentar a promiscuidade institucional. E o resultado é  desmoralizar o Ministério Público Federal, antes mesmo de assumir.

No entanto, deve-se dar à futura procuradora-geral o benefício da dúvida. Pode ser que ela perceba estar sendo manipulada e, ao assumir o cargo, passe a atuar na defesa dos interesses nacionais com o rigor que a função lhe exige. Vamos aguardar.

Ministro Luiz Fux mantém sigilo da delação “monstruosa” de Silval Barbosa

Resultado de imagem para luiz fuxFux faz comparação com a Lava Jato

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve o sigilo da delação premiada de Silval Barbosa (PMDB), ex-governador de Mato Grosso, homologada nesta quarta-feira (dia 9/8). Um dos motivos da manutenção do sigilo é porque os conteúdos trazidos por Silval Barbosa poderão motivar novas operações da Polícia Federal no âmbito de investigações existentes ou eventualmente originadas a partir da delação do ex-governador. Na semana passada, o ministro Fux havia dito que se trata de uma delação “monstruosa” e “a maior operação” depois da Lava-Jato.

Em prisão domiciliar, Silval Barbosa fez delação premiada após ter sido preso na Operação Sodoma em 2015, sob a acusação de liderar um esquema de recebimento de propina em troca da concessão de incentivos fiscais. Na delação, ele faz revelações que têm relação tanto com a Operação Sodoma quanto com a Operação Ararath, na qual também é investigado.

PRISÃO DOMICILIAR – Em junho deste ano, a juíza Selma Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizou a transferência do ex-governador do regime fechado para a prisão domiciliar. A decisão foi proferida no âmbito da Operação Sodoma e levou em conta o fato de Barbosa ter confessado uma série de crimes e disponibilizado para a Justiça mais de R$ 40 milhões em bens.

Ao comentar sobre o conteúdo da delação, na semana passada, o ministro Luiz Fux gerou grande expectativa quanto ao que pode ser revelado pelo delator. “Essa é monstruosa, depois da Lava Jato é a maior operação. Silval trouxe material, mas não foi homologada ainda”, disse o ministro a jornalistas, ao chegar para a sessão plenária do STF do último dia 2.

Nesta quarta-feira (dia 9/8), antes da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, o ministro Fux disse que não poderia fazer mais comentários sobre a delação de Silval Barbosa. Fux já havia homologado a delação premiada de Pedro Nadaf, ex-chefe da Casa Civil do governo de Mato Grosso. Nadaf contou em recente depoimento ao Ministério Público de Mato Grosso que Silval Barbosa lhe afirmou haver pagado cerca de R$ 50 milhões em propina para conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.