Ciro Gomes: convocar novas eleições é “contragolpe, uma marinice”

Foto: Divulgação

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Pré-candidato do PDT à disputa presidencial de 2018, o ex-ministro Ciro Gomes em entrevista à revista Carta Capitalque se a presidente Dilma Rousseff for destituída com o processo de impeachment, o país não conseguirá ter governos estáveis pelos próximos 20 anos.

Segundo ele, que é crítico do governo, mas defende que Dilma fique até 2018 no comando do país, “os problemas econômicos vão se agravar, porque haverá um componente de ilegitimidade do governante e de entreguismo aos interesses internacionais”.

“Se esse golpe for consumado, não vejo mais a possibilidade de um governo estável pelos próximos 20 anos. Repare bem, a generalização da raiva e do ódio se dá por três grandes grupos”, afirmou Ciro, enumerando as três alas como os eleitores frustrados do senador Aécio Neves (PSDB), os que sofrem as consequências da decadência econômica e da recessão e o grupo que está “chocado com a novelização” do escândalo pela grande mídia. “Mas esses três grupos só se juntam na negação. Não tem moralidade intrínseca, não tem apego à moralidade, tanto que Eduardo Cunha se junta a essa turma na negação”, criticou Ciro.

Segundo o Jornal do Brasil, o ex-ministro afirmou que Dilma tem condições de retomar o comando do país, caso o impeachment seja derrotado, mas que ela precisará sinalizar para o grupo que se sentiu enganado nas últimas eleições e buscar se reconciliar com os grupos sociais e políticos que deram a ela a vitória.

“(Dilma) Tem toda a condição do mundo. Basicamente, a presidente precisa sinalizar para esse grupo que se sentiu enganado nas últimas eleições, entre eles eu, e buscar uma reconciliação com os grupos sociais e políticos que lhe deram a vitória. Precisa mudar radicalmente os rumos da economia, assumir um compromisso com a produção brasileira, com os trabalhadores do País, e confrontar o que precisa ser confrontado”, disse o ex-ministro.

Ainda segundo Ciro Gomes, Dilma não deveria aguardar o desfecho do impeachment para apontar para a população a sabotagem que vem sofrendo por parte do Congresso Nacional. “Ela pode obter maiorias quando houver mérito das decisões dela, denunciando à população aquilo que for sabotagem de uma fração corrompida do Congresso. Aliás, ela deveria fazer isso hoje, não precisa esperar o desfecho do processo de impeachment”.

Questionado pela Carta Capital sobre a tese de eleições gerais para este ano, Ciro disse que a proposta é “um contragolpe com jeitão charmoso” e fez referência a Marina Silva (Rede), que vem defendendo o pleito geral. “É um contragolpe, uma marinice. Para isso prosperar, seria preciso aprovar uma emenda à Constituição, e qualquer deputado, senador ou mesmo um cidadão, que se sentir prejudicado pela interrupção dos mandatos, pode ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal, que seria obrigado a intervir. Claro que é um golpe muito menos enojante, menos repugnante que este pilotado por Michel Temer e Eduardo Cunha, pois entrega ao povo a soberania final. Mas é uma pura e simples marinice, um contragolpe com jeitão charmoso de chamar o povo para votar de novo”, afirmou.

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Posted on 11/04/2016, in Brasil, Entretenimento, Política. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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