Epidemia do vírus zika: há razão para pânico?

RIO E BRASÍLIA — Capaz de se espalhar pelas Américas em velocidade espantosa e associado à devastadora microcefalia, o vírus zika foi considerado explosivo pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que alertou na quinta-feira para o risco da doença em todo o mundo.

A diretora da OMS, Margaret Chan, declarou que “o nível de alarme é extremamente alto”, e frisou que é necessária uma mobilização internacional. A epidemia de zika se espalha de forma explosiva. Estou profundamente preocupada com a rapidez com que a situação tem evoluído — destacou Margaret Chan, durante a assembleia anual da organização, em Genebra.

O temor maior é a associação do zika com a microcefalia e outras malformações no Brasil e o fato de o vírus já ter sido detectado em 23 países das Américas. A OMS prevê que as duas únicas exceções serão Chile e Canadá. O fenômeno El Niño, que provoca aumento de temperatura, pode influenciar na infestação do mosquito e na propagação da zika, e já se sabe que levará pelo menos três anos até que uma vacina contra o vírus chegue a quem precisa.

Uma epidemia explosiva

O que era emergência nacional pode se transformar, em 1º de fevereiro, em emergência de relevância internacional (Pheic, na sigla em inglês), um tipo de situação para qual a OMS dispara alarme vermelho em todo o planeta. Margaret Chan convocou para a segunda-feira uma reunião do painel de especialistas do acordo Regulação Internacional de Saúde (IHR, na sigla em inglês), do qual o Brasil e mais de 190 países são signatários.

Espera-se que o comitê decrete a emergência internacional, como a estabelecida contra a epidemia de ebola, em 2014. Na prática, isso significaria o estabelecimento de uma série de medidas que os países se comprometem a seguir. A Pheic não tem força de lei, mas costuma ser seguida. Ela pode facilitar o acesso a vacinas e a testes de diagnóstico rápido. E estabelecer diretrizes para o controle do mosquito.

No Brasil, após o pronunciamento da diretora da OMS, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e apelou a empresários, líderes sindicais e religiosos, entre outros, para que se unam no combate ao Aedes.

— Peço aos senhores e senhoras que mobilizem seus funcionários, filiados, fiéis de Igreja, amigos de escola e vizinhos e vizinhas no combate ao mosquito. O mosquito não pode ser e não é mais forte que um país inteiro, consciente de sua ameaça — disse Dilma.

Especialistas não veem motivo para pânico no Brasil. Mas sim para mobilização. Segundo eles, a zika deve ser monitorada com atenção nas grávidas, e mais pesquisas precisam ser feitas para compreender os efeitos do vírus e saber por que a maioria das pessoas sofre apenas sintomas sem gravidade, enquanto algumas manifestam problemas neurológicos, e fetos podem ter o desenvolvimento gravemente afetado. Unanimidade entre especialistas é a necessidade de controlar o mosquito.

Mas uma das medidas de prevenção à microcefalia anunciadas pelo Ministério da Saúde, a distribuição de repelentes a grávidas, enfrenta um impasse. Os fabricantes do produto pediram ao governo a isenção de três impostos: o de importação (alíquota de 2%), o PIS (2,1%) e o Cofins (9,65%). Apenas dessa forma, diz a indústria, será possível garantir um preço razoável.

Os fabricantes dizem que os impostos recaem exatamente sobre os três compostos químicos obrigatórios nos repelentes que serão distribuídos. Todos são trazidos de fora do país com preços impactados pelo dólar, segundo Paulo Guerra, diretor geral do Laboratório Osler do Brasil, que fabrica o repelente da marca Exposis.

O governo diz que cerca de 40 mil profissionais que fazem a leitura dos medidores de energia das residências entrarão no combate ao Aedes. Eles mapearão possíveis focos do mosquito, usando coordenadas geográficas com o equipamento que já utilizam habitualmente para verificar os relógios de luz. As contas de luz e gás terão mensagens de alerta, como: “Febre, coceira, dor de cabeça e outros sintomas podem ser dengue, chicungunha ou zika. Beba muita água e vá a uma unidade do SUS”.

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Posted on 29/01/2016, in Brasil, Informativo, Reflexão, Saúde. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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