Duas visões sobre a polêmica declaração do Papa Francisco

1) DISCORDO DO TEOR DO PRONUNCIAMENTO

Luiz Fernando Stamile Racco

O Papa Francisco, além de chefe da Igreja Católica, também é chefe de Estado. Destarte, as considerações de que “ele também é humano” ou de similar cariz, restam rechaçadas em razão de sua condição e do peso que suas palavras incutem nos corações e nas mentes de qualquer ser humano – tendo relevância não só para os católicos, mas para evangélicos e muçulmanos. “Ora, se o cara diz que daria um murro…” Daí para atentados a tiros, homens-bomba, violências de todos os matizes e afins, é menos do que um pulo.

Os mesmos covardes que cometeram os assassinatos no semanário Charlie Hebdo – supostamente em razão das charges do assassino Maomé – pertencem aos grupos Estado Islâmico, Al Qaeda e similares, que degolam vítimas que, ao que me consta, nunca foram chargistas que retrataram ou debocharam do genocida referido.

E, imagine-se, essa violência pode se tornar falaciosamente justificável em razão das infelizes manifestações de um homem que cumula funções religiosas e de chefe de Estado.

Minhas palavras – sou um mero provinciano defensor incondicional da liberdade de expressão e que é veiculada pela Tribuna (espero que um dia volte a ser vendida nas bancas!) e pelo Observatório da Imprensa – têm repercussão limitada e insignificante, pelos motivos expendidos.

Aquelas pronunciadas pelo Sumo Pontífice são propagadas via satélite, são estampadas em todos os jornais, programas televisivos, impressos etc.

De toda sorte, malgrado incompatíveis com sua suposta “missão de paz”, defendo o direito de ele falar o que lhe “der na telha”, assim como defendo o direito de os mentalmente sãos ou loucos de toda espécie falarem o que quiserem.

Mas, tal qual Percival Puggina, discordo totalmente do teor do pronunciamento violento-pueril de Francisco. Por ele ser o que é e quem é.

E olvidem essa história de conferir-se ‘interpretação metafórica’ ao que o papa disse. Aliás, alguém interpreta os “livros sagrados” de qualquer religião (quanto sangue eles carregam em suas páginas!) de maneira ‘metafórica’? Ora, é pão pão, queijo queijo!


2) O PAPA ESTÁ COBERTO DE RAZÃO

Roberto Nascimento

Concordo plenamente com o Papa, logo, discordo totalmente com as assertivas do articulista Percival Puggina. Não pode haver subterfúgios entre o Papa e os fiéis da Igreja. A mensagem tem que ser direta para ser entendida por gregos e troianos.

Um Papa não pode dar um soco na iminência de uma agressão, mas pode ser agredido pelo turco na praça de São Pedro? Chega de diplomacia, de punhos de renda, de salamaleques por debaixo dos panos, enquanto a roubalheira grassa nos palácios e nas alcovas, fruto de negócios escusos em todas as partes do mundo. Sobre isso, ninguém fala em prudência e reflexão.

O Papa está coberto de razão e creio que deveria avançar ainda mais. Ninguém tira dele o título de homem do ano, da década, dos últimos tempos.

Posted on 26/01/2015, in Curiosidade, Entretenimento, Internacional, Reflexão. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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