Papa Paulo VI foi beatificado neste domingo clique aqui e confira

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Na missa celebrada na Praça São Pedro neste domingo (19), na presença de 70 mil pessoas, o papa Francisco, beatificou Giovanni Montini, o papa Paulo VI,  que concluiu o Sínodo Extraordinário para a Família. Meditando o Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum, o Pontífice dedicou sua homilia ao Sínodo e ao “timoneiro do Concílio Vaticano II”, Paulo VI, que soube “dar a Deus o que é de Deus”, dedicando toda a sua vida a este “dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo”. O papa emérito Bento XVI estava presente na cerimônia.

Voltando seu olhar para Paulo VI, Francisco recordou as palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: “Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (…) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade”, para então afirmar: “Sobre este grande Papa, este cristão corajoso, este apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja”.

No dia 6 de agosto será o aniversário da morte do Papa Paulo VI e no dia 19 de outubro será beatificado.

Paulo VI, Giovanni Battista Montini, foi um grande papa, um verdadeiro mártir, sem derramamento de sangue.

Nasceu em Concesio (Brescia, Itália) no 27 de setembro de 1897. Seu pai, George, era um proeminente advogado e um católico fervoroso. Foi diretor do jornal católico ‘Il Cittadino di Brescia’ e deputado três vezes no Partido Popular Italiano fundado pelo Pe. Luigi Sturzo. Giovanni Battista assim escreveu sobre ele: “Devo ao meu pai os exemplos de coragem, a urgência de não entregar-me passivamente ao mal, o juramento de nunca preferir a vida em vez das razões da vida. O seu ensinamento pode ser resumido em uma palavra: ser uma testemunha”.

Até sua mãe Judite Alghisi foi uma mulher maravilhosa. Em sua morte, ele escreveu: “Tão sábia, quanto piedosa, tão solícita, quanto afetuosa. Como estava preocupada com o bem de todos nós e de cada um. Que sutileza de sentimento, de palavras, de trato! Quiseste que a casula da minha primeira missa fosse tirada do seu vestido de casamento! E apagaste de repente, enquanto, das páginas do Bossuet fazias a tua meditação diária!”.

No Testamento escreveu assim sobre seus pais: “Me sinto na obrigação de agradecer e de abençoar aqueles que foram instrumentos para mim da Tua vida, ó Senhor, me destes com generosidade: aqueles que me introduziram na vida (Oh! Sejam abençoados os meus digníssimos pais!)”. Ambos os pais morreram em 1943, há poucos meses de diferença um do outro.

Podemos supor que toda a vida de Paulo VI foi o resultado da formação, afeto e exemplo recebidos na família.

Estudou no colégio dos jesuítas e frequentou o Oratório de Santa Maria della Pace. Em 1916 entrou como externo, por causa da precária saúde, no seminário de Brescia. Em 1919, fez parte da Federação de Universitários Católicos Italianos (FUCI). Em 1920, foi ordenado sacerdote. No recordatório da primeira Missa escreveu: “Concede, ó meu Deus, que todas as mentes estejam unidas na Verdade e todos os corações na caridade”. Foi o programa da sua vida. Em 1923 foi enviado à Nunciatura Apostólica de Varsóvia (Polónia). Depois de um ano, retornou a Roma. Apesar dos compromissos, conseguiu três graduações: Filosofia, Direito Canônico e Direito Civil. Em 1925 foi nomeado Assistente eclesiástico nacional da FUCI, cargo que ocupou até 1933. Do seu ensinamento e orientação saiu a melhor classe política italiana.

Em 1937, foi nomeado Substituto da Secretaria de Estado, a serviço do Card. Eugenio Pacelli, que se tornou Papa em 1939 sob o nome de Pio XII. Em 1954, foi nomeado Arcebispo de Milão (Itália); Em 1958, o Papa João XXIII o nomeou Cardeal. Para a ocasião, o Papa lhe escreveu estas palavras: “Cumpriremos juntos o sacramentum voluntatis Christi de São Paulo (Ef, 1, 9-10). Ele exige a adoração da cruz, mas nos reserva, ao lado dela, uma fonte de consolações inefáveis também ​​para esta vida, enquanto nos durar a vida e o mandato pastoral. Cara e venerada Excelência, não posso dizer mais. Mas o que falta a um discurso mais prolongado, Ela o coloca no coração”. Dois papas, dois santos.

Com a morte do Papa João XXIII (3 de Junho 1963) ele foi eleito Papa em seguida, no dia 21 de junho.

Sua primeira preocupação foi a de continuar o Concílio. Durante este tempo realizou a histórica viagem à Terra Santa (4-6 de janeiro de 1964). Mais tarde, fez outras fora da Itália: Índia, Nova Iorque (Nações Unidas), Fátima, Turquia, onde trocou o abraço comovente com o Patriarca Atenágoras, Bogotá, Genebra (Suíça), Uganda, Oceania.

O período pós-conciliar foi muito difícil para a Igreja Católica. Paulo VI usou todas as suas energias de prudência e discernimento para conduzir a Igreja evitando cismas e fortalecendo a verdade revelada. Suas encíclicas são emblemáticas: Ecclesiam Suam (1964), Mense Maio (1965), Mysterium Fidei (1965), Christi Mater (1966), Populorum Progressio (1967), Caelibatus Sacerdotalis (1967), Humanae Vitae (1968). Quanto as exortações apostólicas, as mais importantes são: Evangelii Nuntiandi (1975), Marialis Cultus (1974).

O documento mais discutido foi certamente Humanae Vitae. Ao filósofo e amigo Jean Guitton motivou sua decisão: “Nós carregamos o peso da humanidade presente e futura. É necessário compreender que, se o homem aceita dissociar no amor o prazer da procriação, se, portanto, pode pegar o prazer como se pega uma xícara de café, se a mulher, arrumando um aparelho ou tomando um ‘remédio’ se torna para o homem um objeto, um instrumento, fora da espontaneidade, das ternuras e das delicadezas do amor, então, não se compreende porquê esta maneira de proceder (permitida no matrimônio) seja proibida fora. Se a Igreja de Cristo, que nós representamos nesta terra, deixasse de subordinar o prazer ao amor e o amor à procriação, favoreceria uma saturação erótica da humanidade, que teria como lei somente o prazer” (Jean Guitton, Paulo VI secreto).

O magistério de Paulo VI é de grandíssima atualidade ainda hoje. Falou e escreveu sobre vários problemas que afligiam a humanidade naqueles anos. Magistério dirigido ao mundo, especialmente aos homens de cultura, aos políticos, às Nações Unidas. Expressou-se sobre problemas sociais (Populorum Progressio), sobre a paternidade responsável (Humanae Vitae), sobre a vida interna da Igreja (Sacerdotali Caelibatus), sobre questões relacionadas com a teologia e a moral.

Entre as muitas intervenções gostaria de citar apenas três.

Um sobre a Igreja (Audiência Geral, 16 de novembro de 1966): “É necessário que a Igreja seja construída; ela é sempre um edifício incompleto… Não se pode demolir a Igreja de ontem para construir uma nova hoje; não é possível esquecer e condenar o que a Igreja até agora ensinou com autoridade para colocar no lugar da doutrina segura, teorias e concepções novas, pessoais e arbitrárias; não é possível imitar as opiniões contemporâneas mutáveis e profanas do nosso tempo, o critério de pensar e de ação da comunidade eclesiástica… Não é possível resolver as questões difíceis ou enfraquecer as leis exigentes com adaptações historicistas para interpretações subjetivas”.

A segunda confissão: “O pecado é a nossa primeira e mais grave desgraça, porque trunca a nossa relação com a vida verdadeira, que é Deus, assim, a libertação do pecado é a primeira e indispensável fortuna nossa” (Sexta-feira Santa, 20 de abril 1973). Mas, infelizmente: “Hoje é maior um costume de secularização, às vezes mais que pagão, que cauteriza a consciência moral, depois de ter apagado a consciência religiosa; o pecado, esta imensa misteriosa repercussão em Deus da ação humana desordenada, não tem mais consistência, não tem mais peso… Os momentos de uma confissão sincera estão entre os mais doces, os mais reconfortantes, os mais decisivos da vida” (Audiência geralmente, 1 de Março 1975).

O último sobre Nossa Senhora, Maria, caminho que nos conduz a Cristo: “Se perguntarmos qual é o caminho central e direto nesse mundo que nos leva à Cristo, a resposta é rápida e belíssima: este caminho é Maria… temos que aproximar-nos de Maria, a cristífera, a portadora de Cristo no mundo” (Audiência Geral, 21 de dezembro de 1966). Foi Paulo VI que no discurso de encerramento da terceira sessão do Concílio, diante dos Bispos do mundo disse: “Portanto, para a glória da Bem-Aventurada Virgem Maria, declaramos Maria Santíssima Mãe da Igreja” (21 de novembro de 1964).

Paulo VI deixou-nos um “Pensamento sobre a morte.” É o canto do cisne. Apenas algumas expressões: “O cenário do mundo é um projeto, ainda hoje incompreensível na sua maior parte, de um Deus Criador que se chama o Pai nosso que está nos céus. Obrigado, ó Deus, obrigado e glória a vós, ó Pai! Neste último olhar eu percebo que esta cena fascinante e misteriosa, é um reflexo da primeira e única Luz … um convite para a visão do invisível Sol… o maior acontecimento para mim foi o encontro com Cristo, a Vida… a morte é um progresso na comunhão dos Santos”.

Um acréscimo ao seu testamento espiritual, escreveu no dia 14 de Julho de 1973: “Desejo que os meus funerais sejam muito simples e não desejo nem tumba especial e nenhum monumento. Algum sufrágio”. E assim aconteceu. A Igreja respeitou a sua vontade. Mas, agora, por justiça o proclama bem-aventurado.

Fonte: http://www.zenit.org

Posted on 19/10/2014, in Informativo, Internacional, Reflexão, Religião. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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