Daily Archives: 18/10/2014

Regras eleitorais inócuas

Eleições Campanha Internet Baixaria Trolls

Carlos Chagas

A Justiça chegou atrasada e incompleta. Só na quinta-feira o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Tofolli, baixou novas regras para a propaganda dos candidatos. Proibiu a apresentação de depoimentos de terceiros, na televisão e no rádio, bem como a reprodução de reportagens de jornal. Sustentou que propaganda, só programática e propositiva.

Com todo o respeito, não vai adiantar nada, apesar das boas intenções. Primeiro porque se um cidadão, artista, jogador de futebol ou criminoso manifestar suas preferências eleitorais e sua participação for ao ar, prevalecerá o direito constitucional de livre expressão. Depois porque a imprensa é livre não apenas para informar. O povo também dispõe do direito de ser informado. Qualquer proibição da Justiça Eleitoral de acordo com as novas normas não se sustentaria caso contestada no Supremo Tribunal Federal, intérprete maior da Constituição.

Por último, prevalece o mote popular de que não adianta botar tranca na porta depois da casa arrombada. Valeu tudo na campanha para o primeiro turno, continua valendo no segundo. Como apenas dois candidatos disputam a eleição, a propaganda deles fica mais exposta. Acresce que o presidente do TSE não cuidou das baixarias, onde uma candidata é acusada de ser leviana e de haver prevaricado, enquanto seu adversário é chamado de mentiroso, junto coma insinuação de ser bêbado e drogado. Caberia aos ofendidos alegar crimes contra a honra, de calúnia, difamação e injúria, mas se eles não se manifestam, o tribunal eleitoral não pode tomar a iniciativa de abrir processo.

A MAIOR PREOCUPAÇÃO

Muita gente desconfia da votação eletrônica adotada entre nós. Afinal, se é a melhor e mais moderna forma de aferir a vontade popular, por que sua vigência restringe-se ao Brasil e a uns poucos satélites na América Latina? Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, por exemplo, vota-se à moda antiga, em cédulas de papel depositadas nas urnas. Depois vem a apuração, lenta mas segura.

Num tempo de hackers e de intromissões variadas na parafernália eletrônica, promovidas até por governos, quem garante que as urnas de votação aqui utilizadas não poderiam sofrer interferências? Quando o poder está em jogo de forma tão escancarada, um pouco de cautela não faria mal nenhum.

Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais…

O cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, na letra de “Como Os Nossos Pais”, fala da eterna discussão presente na relação entre pais e filhos, ou seja, quando somos jovens sempre achamos que nossos pais estão errados na educação que recebemos, porém quando crescemos e temos filhos geralmente repetimos o mesmo que nossos pais faziam conosco.

“Como Os Nossos Pais” é um hino à juventude que amadurece percebendo que o mundo é uma constante, porque é feito de homens que se acomodam e de outros que lutam por mudanças. A música foi gravada por Belchior no Lp Alucinação, em 1976, pela Polygram.

COMO OS NOSSOS PAIS

Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos…

Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens…

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz…

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr’o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração…

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais…

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando…

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem…

E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais…

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

Site Poemas & Canções

Institutos de pesquisa vão se desmoralizar novamente

Carlos Newton

É impressionante, intrigante e desmoralizante a discrepância entre os resultados das pesquisas eleitorais no Brasil. Nunca antes na História deste país se viu nada igual. A apenas uma semana de uma eleição presidencial da maior importância, dois institutos famosos (Ibope e Datafolha) dão o mesmo resultado, em duas pesquisas seguidas: Aécio Neves, do PSDB, com 51% dos votos válidos, e Dilma Rousseff, do PT, com 49%. Estatisticamente, a possibilidade desse idêntico resultado se apresentar em quatro pesquisas seguidas, feitas no intervalo de uma semana, é como acertar na Loteria. E o instituto Vox Populi deu Dilma na frente na mesma ocasião, embora em situação de empate técnico.

O mais surpreendente e curioso, porém, é que na mesma época outro conhecido instituto de pesquisas, o Sensus, divulgou resultados totalmente diversos. Na semana passada, foi um assombro: dava Aécio Neves 17,6 pontos à frente de Dilma Rousseff. Quer dizer, a pesquisa da Sensus trazia uma inaceitável e desmoralizante diferença de 15,6 pontos percentuais em relação ao Ibope e ao Datafolha.

Agora, em pesquisa divulgada esta sexta-feira, o Sensus volta a mostrar o candidato Aécio Neves com grande vantagem sobre a presidente Dilma Rousseff, embora a candidata do PT tenha até avançado expressivamente.

10,8 PONTOS DE DIFERENÇA

Segundo o levantamento do Sensus, divulgado no site da revista IstoÉ, Aécio teria 56,4 por cento dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos), contra 43,6 por cento de Dilma. Ou seja, 12,8 pontos de frente. Na pesquisa anterior do Sensus, a vantagem do tucano era muito maior: 58,8 a 41,2 por cento. Ou seja, 17,6 por cento, indicando que em uma semana Dilma teria avançado 4,8 pontos, nada mal.

Pelo eleitorado total, o placar favorável a Aécio no Sensus seria de 49,7 a 38,4 por cento, e na semana passada estaria em 52,4 a 36,7 por cento. Os eleitores que planejam votar em branco ou anular seus votos ou estão indecisos somam 12 por cento, ante 11 por cento no levantamento anterior. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Esses números enlouquecidos e discrepantes deixam perplexos os candidatos, os partidos e os eleitores. Quem estará mais parte da realidade das intenções de voto: a dupla Ibope/Datafolha ou o Sensus? Ninguém sabe.

Nosso amigo e colaborador Sebastião Nery, uma lenda do jornalismo político brasileiro que honra essa Tribuna da Internet, aposta que o Sensus é que está no caminho certo. Nery conhece o diretor desse instituto, Ricardo Guedes, e garante a seriedade do trabalho dele.

A nós, só resta aguardar e cobrar depois. A única certeza é de que novamente os institutos de pesquisas sairão desmoralizados, seja qual for os resultados das urnas. Ah, Brasil!

Acusações de Aécio e Dilma voltam no horário eleitoral

Acusações de Aécio e Dilma voltam no horário eleitoral

Fotos: Divulgação

Os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) voltaram a usar no horário eleitoral trechos do debate acalorado promovido na quinta-feira, 16, pelo SBT, UOL e Rádio Jovem Pan. A propaganda do tucano acusou a adversária de fazer a campanha “mais baixa” da história recente do País e, no dia em que a candidata derrotada Marina Silva (PSB) apareceu publicamente ao lado de Aécio, o programa do PT se adiantou tentando neutralizar a aliança mostrando trechos de confrontos na TV entre Marina e seu novo aliado. A campanha do PSDB começou afirmando que o sentimento de mudança registrado nas urnas “assustam” o PT.

Prova disso, segundo a propaganda, seria a manipulação de informações sobre o candidato. O apresentador reforçou a tese de que Aécio seria “agredido” pela petista enquanto “cidadão” e que todos os brasileiros que pedem tal “mudança” também seriam automaticamente atingidos pela mesma agressão. “A esperança sempre vence o medo”, disse o apresentador, que na sequência emendou: “Aécio é o Brasil sem medo do PT”.

A propaganda de Aécio não exibiu as cenas do encontro desta manhã com Marina Silva, mas aproveitou momentos do debate de ontem onde ele aparece chamando a adversária de “mentirosa”, abordando o escândalo de corrupção na Petrobras e o emprego do irmão de Dilma, Igor Rousseff, na Prefeitura de Belo Horizonte. Já o programa petista reexibiu imagens de Dilma confrontado o tucano no debate e defendendo a investigação de denúncias “doa a quem doer”. “Eu investigo. Vocês nunca deixaram investigar”, disse a candidata à reeleição. A apresentadora afirmou que Dilma “tem rumo”, enquanto Aécio mudaria “conforme a conveniência”. Na sequência, cenas dos embates entre o tucano e Marina no primeiro turno foram explorados pela campanha. Dilma voltou a se apresentar como a candidata que tem o apoio de líderes sindicais, de movimentos sociais e que gerou emprego em seu governo. Enquanto Aécio mostrou depoimentos de artistas, a petista trouxe à TV mais uma vez o apoio de Chico Buarque.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu no programa da sucessora enfatizando que “direitos e conquistas dos trabalhadores estão ameaçados” nesta campanha. “Vamos comparar os governos dos tucanos com o governo do PT”, propôs. O petista pediu uma reflexão dos eleitores sobre “o que está em jogo” e disse que Dilma é a garantia do País seguir no rumo certo.

Justiça decide que importar sementes de maconha para consumo próprio não caracteriza tráfico

Justiça decide que importar sementes de maconha para consumo próprio não caracteriza tráfico

A 2ª vara Federal em Guarulhos/SP rejeitou, apoiada em precedentes do TRF da 3ª região, denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, em que se pretendia a condenação por tráfico internacional de drogas de um homem que tentou importar, pela internet, 27 sementes de maconha para consumo próprio. Ao rejeitar a denúncia, a Justiça considerou que “a quantidade de sementes de Cannabis Sativa Linneu apreendidas (27, equivalentes a 397g) e a absoluta transparência e regularidade da importação (empreendida sem nenhum artifício de ocultação), claramente evidenciam que a intenção do acusado era o plantio para consumo pessoal e não para o tráfico de entorpecentes”. Como, de acordo com o portal Migalhas, os atos meramente preparatórios de crime não são puníveis quando não houver expressa previsão legal (como não há para o caso do crime de cultivo de plantas destinadas à produção de pequena quantidade de droga para consumo próprio, previsto no art. 28, §1º da Lei de Drogas), o juiz entendeu que “a conduta do acusado, descrita na denúncia, não tipifica nenhum dos crimes tratados na Lei de Drogas”.

Contudo, como a maconha e suas sementes são mercadorias proibidas no Brasil, sua importação configura o crime de contrabando. Entretanto, a 2ª vara Federal de Guarulhos entendeu que, tratando-se de crime de contrabando, a ínfima quantidade de sementes importadas e o fato de não ser o acusado contumaz importador ou vendedor das sementes, impunham a aplicação, ao caso, do princípio da insignificância, que afasta o caráter criminoso desta conduta em particular. Por essa razão, afirmando que a conduta do acusado revestia-se de mínima ofensividade, de nenhuma periculosidade social, sendo reduzido o grau de reprovabilidade e inexpressiva a lesão jurídica provocada, a decisão rejeitou a denúncia apresentada pelo MPF e determinou o arquivamento do caso.

Do Blog: Agora vá entender isso!!!!