Daily Archives: 03/08/2014

TENHA UM DOMINGO FELIZ E UMA ÓTIMA SEMANA

 

religioso(29)

Sem título

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A vida que se vê da janela do apartamento de Ferreira Gular

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira, mais conhecido como Ferreira Gullar, afirma que todos buscam, mas só alguns acham, porque “A Vida Bate”.

A VIDA BATE

Ferreira Gullar

Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
– a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.

 site Poemas & Canções

Academia dos poetas mortos

Nesta última quinzena de julho, o Brasil e a Academia Brasileira de Letras perderam três de seus maiores vultos. Uma pena… Eu nunca tinha prestado atenção na fragilidade humana dos imortais da ABL, igual à nossa, pessoas comuns. Talvez eu estivesse querendo me convencer dessa imortalidade e só agora tenha ficado ciente de que a imortalidade é da obra literária de cada um deles, e não da pessoa. Como diz uma amiga, “no fundo, no fundo, a gente sabe disso, só que não presta atenção”. E é mesmo. Pensando bem, onde será esse fundo, que nossa teimosia torna tão profundo? Pensar pensando é bom e fácil, e eu gosto…

JOÃO UBALDO

João Ubaldo, sem aviso prévio, morreu de doença que grassa no Nordeste, uma tal de “de repente”, que ataca por motivo secreto e de surpresa. “De repente” é um mal perverso e, ao mesmo tempo, confortador, pois a passagem se dá sem sofrimento. A morte morrida em tempo prolongado é sofrença, é ruim, porque dói mais nas pessoas do seu bem-querer… Vou morrer um dia qualquer, sem saber que a morte chegou. Eu lia João sempre aos domingos. Certamente, vou ficar pensando nele, por enquanto, sem precisar dormir na praça. Quando se dorme na praça, quase sempre é pensando nela…

RUBEM ALVES

O mineiro Rubem Alves, que era uma pessoa tão discreta quanto amável, tinha aquela fisionomia que podia fazer qualquer um pensar: “Parece que conheço aquele senhor…”. Na expressão dos mais novos, da geração celular: “Conheço aquele cara…”. Rubem será lembrado não só por sua obra como educador, filósofo, psicanalista e teólogo, mas, principalmente, por sua enorme generosidade, virtude própria dos que sabem tudo da vida.

ARIANO SUASSUNA

Finalmente, mas não por último, já que ficaram vivos muitos imortais que ainda não sabem que já morreram, assinalo a partida do querido Ariano Suassuna, paraibano de nascimento e pernambucano de vivência e preferência. O povo nordestino vai sentir muita falta de suas aulas-espetáculo, forma que ele usava para divulgar cultura.

De suas obras, guardarei sempre a lembrança de Chicó, um dos personagens do “Auto da Compadecida”, história que me tocou fundo, obra-prima da cultura das terras áridas do Nordeste. Não sei por que, mas sempre achei o Nordeste do Brasil a síntese do nosso povo e do país.

Talvez porque meu querido pai fosse um cearense da gota serena… Há mais de 20 anos, sei que saudade não mata a gente. E desse naipe foram também, para a Academia do Céu, Castro Alves e o Quintana, que, em vida, assumiu ser passarinho. Fica Manoel de Barros, o pantaneiro, que pensa e escreve pelo reverso do avesso e poeta com musgo incolor do nada…

BRIGA

E, para terminar, falando de flores, é incrível que o Brasil se meta em briga de judeus e palestinos, assunto que nem Cristo resolveu. Era só o que faltava. Com razão, a resposta de Israel foi à altura da intromissão indébita: “O Brasil é um país anão”. Israel está quase certo, pois não é o país que é anão, mas a porcaria do governo petista. Falei… (transcrito de O Tempo)

Professores já podem acessar o Guia de Livros Didáticos 2015

Índice

Os professores do ensino médio já podem pesquisar os livros que vão escolher para uso nas escolas da rede pública a partir do próximo ano. O Guia de Livros Didáticos 2015 (www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/escolha-pnld-2015), que contém resenhas e informações de cada uma das obras selecionadas para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), está disponível no portal eletrônico do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Os professores devem informar no sistema eletrônico do FNDE, no período de 22 de agosto a 1º de setembro, quais os livros escolhidos. Segundo a autarquia, com o guia em mãos, professores, diretores e coordenadores pedagógicos podem conhecer melhor os livros e selecionar os mais adequados ao método de ensino de cada escola.Na hora da escolha, devem ser selecionadas duas opções de cada componente curricular, de editoras diferentes. Caso não seja possível a aquisição dos livros da primeira opção, o FNDE comprará as obras da segunda opção. Para facilitar, o FNDE disponibiliza em seu portal uma série de documentos de apoio, como orientações para a escolha, compromissos da escola e normas de conduta.

Um documento para a História


Carlos Chagas

Completam-se 60 anos,  este mês, da maior tragédia sofrida pela República brasileira desde sua proclamação. Dia 24 a nação deveria parar  para reverenciar aquele que foi o maior de nossos presidentes e decidiu,com um tiro no peito, mobilizar as  forças populares e  operárias que havia redimido ao longo de décadas anteriores e se encontravam prestes a perder boa parte de seus direitos. O sacrifício de Vargas  adiou por mais dez anos a cupidez das elites. Seus herdeiros, a começar por João Goulart, em 1964, assistiram o inicio do desmonte das estruturas sociais que dali por diante os sucessores promoveram. Registram-se, também agora, os 50 anos da queda da democracia que levará 21 para restabelecer-se. Mas sem trazer de novo em sua plenitude  as conquistas anteriores.

Existem, na crônica dos povos, datas fundamentais. Agosto de 1954 foi uma delas. Desaparecem em irrefreável progressão natural as testemunhas oculares da tragédia, substituídas por farta literatura incapaz de reproduzir o fenômeno das multidões arrependidas ganharem as ruas impondo pelo menos mais dez anos de justiça.

Quando,  na madrugada do dia 24, o velho presidente percebera a armadilha em que o tinham prendido, desencadeou a libertação não apenas de seus esforços anteriores e dele próprio, mas o petardo que fez tremer por mais uma década  os alicerces dos privilegiados. Deixou o documento que sem sombra de dúvidas inscreve-se no rol dos mais contundentes libelos libertário de nossa História. Ei-lo:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenam-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto.  Depois de decênios de domínio e espoliação de grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. À campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se  a dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros internacionais foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a  liberdade na potencialização da Petrobrás.  Mas esta começa a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o  desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o  povo seja independente.

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% a ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender o seu preço e  a resposta foi uma  violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo  esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida .Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis a  minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a lutar por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota do meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio, respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço de seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, a infâmia, a calúnia  não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora, ofereço a minha  morte. Nada receio. Serenamente, dou o primeiro passo   no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

Sessenta anos não são nada na história do mundo. Esse documento continua atual, presente e necessário. Algum candidato presidencial terá coragem de repeti-lo em sua campanha?

Candidatos à presidência serão convidados a se comprometerem na proteção de direitos de crianças e adolescentes

imagesOs compromissos que poderão conferir ao próximo presidente da República o título de Amigo da Criança foram apresentados pela Fundação Abrinq. A plataforma foi dividida em cinco eixos, que incluem metas nas áreas de saúde, educação, proteção e investimentos.  Os 11 candidatos à Presidência da República serão convidados a assinar um termo no qual se comprometem a implementar as políticas públicas relacionadas à infância previstas no documento Um Mundo para as Crianças, de 2002, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na quarta edição da campanha, o título será concedido somente ao final da gestão do candidato que for eleito, e não no momento em que ele assina o documento.  “Nas edições anteriores, os candidatos assinaram os compromissos, mas, depois que eles são eleitos, temos dificuldades no direcionamento das verbas, no estabelecimento de políticas públicas e, principalmente, no monitoramento dos índices oficiais”, disse o presidente da Fundação Abrinq, Carlos Tilkian.

Tilkian destaca, entre as metas colocadas para a gestão da presidenta Dilma Rousseff que não foram cumpridos, a permanência dos altos índices de trabalho infantil e de mortalidade materna, além das desigualdades regionais no que diz respeito à mortalidade infantil. “A média brasileira atingiu os Objetivos do Milênio, embora, quando observamos as regiões Norte e Nordeste, estamos entre os piores do mundo.”

Ele ressalta, no entanto, que houve avanços nos programas sociais brasileiros e cita o combate à fome extrema com os programas de transferência de renda. “O Bolsa Família é reconhecido mundialmente como um instrumento que ajuda no combate à miséria”, diz Tilkian.

Aécio Neves e Dilma virão ao RN este mês

aecio dilmaDois dos candidatos a presidente da República cumprirão agenda no mês de agosto no Rio Grande do Norte. O senador José Agripino Maia, coordenador nacional da campanha de Aécio Neves (PSDB), disse que o presidenciável terá agenda no Nordeste no período de 12 a 15 de agosto. “E certamente vamos incluir o Rio Grande do Norte, mas a data ainda não está fechada”, disse o senador.

José Agripino destacou ainda que o Nordeste é prioritário para o candidato do PSDB. “O Brasil é prioritário como um todo e claro que o Nordeste é prioritário”, disse o senador do DEM.

A presidente Dilma Rousseff, candidata a reeleição pelo PT, também terá agenda em solo potiguar este mês. “Ainda não há uma agenda montada para o Nordeste, mas a presidente virá na segunda ou terceira semana para o Nordeste. Ela terá uma grande agenda na região e virá ao nosso Estado”, disse Adriano Gadelha (PT). Ele ressaltou ainda que o comitê pró-Dilma está sendo formado no Rio Grande do Norte e tem como coordenador o ex-presidente estadual do PT, Geraldo Pinto.

Tribuna do Norte

Cidade para no tempo e vira patrimônio histórico nos EUA

 

Na Califórnia tudo é possível mesmo. Até uma cidade parar no tempo. Foi o que aconteceu com Bodie, símbolo da corrida do ouro do século 19.

No auge do garimpo, dez mil pessoas viviam na cidade. Mas o ouro acabou e os moradores começaram a ir embora. Hoje, Bodie é a maior cidade-fantasma do Oeste americano e patrimônio histórico dos Estados Unidos. Um grande museu a céu aberto. Um antigo hotel da cidade ainda conserva todos os utensílios da cozinha: panelas, frigideiras e fogão. Tudo bem grande e com bastante poeira. E próximo à cozinha ainda existe um grande salão que, na verdade, era o restaurante do hotel, com balcão, lampiões a gás.

Até as cervejas da época e garrafas permanecem por lá.

Em uma cidade sem lei, é claro que havia cadeia, os vestígios do primeiro banco e cemitério.

Xerife tem até hoje. Seis, que vivem por lá para cuidar da cidade. Terry é historiadora e também mora em Bodie. E o que ela conta é de assustar.

Terry Geyssinger, historiadora da Fundação Bodie: Eu ouvi batidas, como marteladas. E ruído de alguém subindo e descendo as escadas por uns 45 minutos e não tinha ninguém lá. Outras vezes chamaram meu nome e já senti uma mão no meu ombro.
Globo Repórter: Você está brincando?
Terry Geyssinger: Não, não estou não!

É, Bodie é realmente uma cidade-fantasma.