Lula enfrenta o maior dilema de sua vida, ao estilo hamletiano: ser ou não ser, eis a questão

Carlos Newton

Aproxima-se a hora da verdade e o ex-presidente Lula ainda não decidiu o que fazer. Ele é senhor de seu destino e também do destino do PT, partido que comanda com mão-de-ferro, sem permitir que surja qualquer liderança capaz de substituí-lo. O único personagem que lhe fazia sombra – e em certas circunstâncias chegava até a ser mais importante do que ele – era José Dirceu. Quando o então todo-poderoso chefe da Casa Civil foi abatido em pleno vôo no desenrolar do mensalão, Lula respirou aliviado. Já não havia nenhuma liderança ameaçadora, o PT era inteiramente dele.

Passou então a se dedicar à criação de “postes”, que fossem subservientes ao extremo e tivessem condições de substituir lideranças mais conhecidas e com voo próprio. Foi assim com Dilma Rousseff, depois com Fernando Haddad e agora com Alexandre Padilha, marginalizando Mercadante e Marta Suplicy em São Paulo, berço do PT e maior colégio eleitoral.

Essa estratégia de Lula é óbvia e transparente. E vinha dando certo até agora. Mas ele não contava com a insistência de Dilma Rousseff em disputar a reeleição. Se a presidente for reeleita, Lula sabe que não conseguirá indicar nenhum ministro, não nomeará nem mesmo o rapaz que serve cafezinho. Ficou claro que, desta vez, Dilma vai partir para o tudo ou nada e quer governar sozinha.

“VOLTA, LULA”

E de repente surge o “Volta, Lula”, que hoje anima e agita o PT, que nunca foi o partido de Dilma. Todos sabem que ela era originalmente do PDT e abandonou Brizola para aproveitar a maré petista. Há dois anos houve uma movimentação estranha, o ex-marido dela, Carlos Araújo, quis se filiar ao PDT, como se fosse um plano B de Dilma para a reeleição, caso fosse enxotada do PT.

Bem, a decisão será no próximo dia 29 de junho. Falta exatamente um mês. Lula quer ser candidato, mas não pode forçar a substituição. Tem de esperar que isso ocorra naturalmente, mas depende das pesquisas. E se Dilma continuar à frente, com larga margem de diferença para Aécio Neves e Eduardo Campos? Como Lula e o PT se posicionarão?

Este é o grande dilema da sucessão presidencial, nessa fase pré-campanha. Ninguém tem ideia do que vai acontecer. Nem mesmo Lula sabe o que fará. Está ficando emocionante.

Posted on 30/05/2014, in Brasil, Curiosidade, Política, Reflexão. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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