Daily Archives: 26/05/2014

VÍDEO LINDO DA NOSSA CIDADE NATAL – RN

Maria Martins, com a palavra seguindo seu curso

A produtora musical e teatral, formada em Comunicação Social, mestre de cerimônia, bailarina, cantora, escritora e poeta capixaba Maria Martins escreve sobre o geral e o particular, é apaixonada pelas pessoas e suas histórias, escreve sobre o mundo e sobre o mundo subjetivo de cada um, conforme podemos notar no poema “O Que Eu Não Disse”.

O QUE EU NÃO DISSE

Maria Martins

Haveria um jeito de opinar sem interferir?

Haveria um modo seguro de não magoar com a nossa sincera opinião?

Qual seria a tênue linha que nos separa de apenas responder ao que nos foi perguntado, de formar ou mudar uma linha de pensamento?

Essas, e muitas questões conexas, pairavam como uma nuvem negra sobre os meus pensamentos. Até que ponto intrometer nos é permitido.

A amizade seria um laço tão forte a ponto de suportar as mais duras verdades?

Seria a vaidade um veneno tão poderoso, que não nos faria perceber uma verdade sincera, expressa numa opinião amiga?

Seriam os amigos uma fonte sincera de verdades? Ou seriam eles interessados em contaminar, de algum modo, o seu pensar e o seu agir?

Perguntas, de respostas fartas e variadas.

Respostas subjetivas para perguntas subjetivas.

O que se refere ao sujeito lhe seria único e diverso. E, na diversidade, se exprime a veracidade dos fatos. Decidi, pois, me recolher aos questionamentos internos, apenas meus.

As discussões sem importância não me atraem mais. O falar por falar não me atrai mais. O disse-me-disse nunca me atraiu.

Talvez não valha a pena colocar tudo a perder, os anos investidos em amizades sólidas e ao mesmo tempo frágeis.

Talvez o que a gente realmente acha deva ficar no nosso inconsciente, mesmo que nos cutucando a cada dia, como quem diz “vai, fala, diga o que acha sobre isso”.

Talvez seja melhor essa voz gritar até que se cale, pois quanto vale o silêncio? Vale mais em ouro e prata do que qualquer palavra falada. Vale mais em peso do que a consciência pesada.

Vale mais do que a dita palavra, que não mais retornará ao âmago do seu porta-voz, uma vez liberta, ela não retorna à casa.

Uma vez falada destrói castelos, ilusões, castelos de ilusões. Verdades mal construídas em cima de expectativas vãs, de anseios, de medos, receios, monstros que não valem à pena alimentar.

Deixe a palavra seguir seu curso, se for para ser, poesia ela será.

E que nossas palavras sejam com poesias, e não adagas. Que curem, e que não venham a ferir o que não pode se curar.