Daily Archives: 24/02/2014

Literatura – Os olhos da amada

Índice

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta maranhense, Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), revela sua paixão ao descrever os olhos da amada.

SEUS OLHOS
Gonçalves Dias

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a flauta quebrando a solidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.

Deus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar.     

Roberto Jefferson será preso esta segunda-feira

bob quim
Paulo Virgilio
Agência Brasil 

O mandado de prisão do ex-deputado Roberto Jefferson só será expedido esta segunda-feira e ele será preso imediatamente, porque desde o fim da noite de sexta-feira agentes da Polícia Federal se revezam na porta da casa do ex-parlamentar e atual presidente do PTB, na cidade de Levy Gasparian, na região centro-sul fluminense.

Roberto Jefferson foi condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, a sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto. A ordem de prisão foi dada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro  Joaquim Barbosa, que rejeitou o pedido dos advogados de Jefferson, feito no no final do ano passado, para que ele cumprisse a pena em prisão domiciliar, por causa de problemas de saúde. Submetido em 2012 a uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas, Jefferson precisa, segundo a defesa, de alimentação especial e de tomar regularmente 20 medicamentos.

No entanto, após perícia determinada pelo ministro Joaquim Barbosa, os médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram o estado de saúde do ex-deputado não exige necessidade de cumprimento da pena em casa ou num hospital.

Quando a prisão ocorrer, Jefferson deverá seguir em carro da PF para a superintendência do órgão, na zona portuária do Rio.

Caso de jovem amarrado em formigueiro ganha repercussão internacional

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Caso de jovem espancado e amarrado em formigueiro ganha repercussão internacional. Jornal britânico Daily Mail faz um alerta irônico: “Não vá assaltar no Brasil”

O secretário de Segurança do Piauí, Robert Rios Magalhães, determinou a abertura de inquérito para apurar o caso de um homem que apareceu em imagens no Facebook amarrado sobre um formigueiro em Teresina.

Magalhães disse que soube do caso, que repercutiu no jornal inglês “Daily Mail”, pelas redes sociais. O vídeo apareceu inicialmente na Rede Meio Norte. Na nota do “Daily Mail”, o jornal faz um alerta irônico: “Não vá assaltar no Brasil”.

Segundo a descrição do vídeo, o homem jovem e não identificado aparece com marcas de agressão no rosto. Ele é suspeito de ter assaltado uma casa. A página em que as imagens foram divulgadas tem o nome de “Apoio Policial” e visa a apoiar policiais.

– A cada dia e com essa onda de bandido ser solto pode ocorrer isso. Um adolescente matou uma criança no conjunto Promorar, em Teresina, e sabemos agora que responde por quatro homicídios. Isso cria um ambiente de intolerância na população. A melhor maneira de acabar com essa revolta popular é as instituições funcionarem, a Justiça, o Ministério Público, a polícia e os legisladores – disse Magalhães.

A Comissão de Direitos Humanos da seccional piauiense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitou a Magalhães a apuração da agressão. O secretário afirmou que a única informação que possui, além das imagens, é a de que a ação dos populares contra o suposto assaltante ocorreu na região do Grande Dirceu, na capital do Piauí.

– Isso está acontecendo em todo o Brasil, com a população prendendo, espancando bandidos. É um caso igual ao do jovem amarrado e encontrado com uma corrente no pescoço no Rio de Janeiro – afirmou Magalhães.

Yahoo Notícias

A hipocrisia e o silêncio dos críticos do Mais Médicos

Por onde andavam os críticos do Mais Médicos quando dois profissionais brasileiros trocaram socos durante um parto? Por que, com a mesma virulência com que atacam o programa, não se indignam com os colegas que faltam ao plantão?

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Foto: Profissionais do programa Mais Médicos (Reprodução)

Dr. Rosinha, Congresso em Foco

Semana passada, fazendo uma “limpa” no computador encontrei esta pérola de 2010: “Briga em parto: médicos podem ser indiciados por aborto em MS”. Na ocasião, 25 de fevereiro de 2010, estarrecido, li que na cidade de Ivinhema (MS) dois médicos brigaram na sala de parto. Na sala, estava uma parturiente para dar à luz. Os dois, em vez de fazer o parto, começaram a brigar. Não, não brigavam para ver quem iria fazer o parto. A matéria que li não dizia a razão da briga, mas, talvez brigassem por dinheiro. Sim, quanto cobrariam pelo parto ou quem receberia do Sistema Único de Saúde.

Informa a notícia que “os médicos trocaram socos na sala do hospital onde a mulher era atendida”. Ela havia optado por parto normal, mas com a confusão acabou submetida a uma cesariana, e o pior: o recém-nascido faleceu. A certidão de óbito da criança, uma menina, diz que ela morreu por “sofrimento fetal agudo e anóxia”, falta de oxigênio.

Essa briga na sala de parto custou a vida de uma criança. Sobre isso, não vi, na ocasião, nenhuma nota do Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul ou do Conselho Federal de Medicina. Ou eles não tomaram conhecimento? Ou soltaram a nota e fui eu que não tomei conhecimento?

De qualquer maneira, não fizeram o escarcéu que fazem contra o “Programa Mais Médicos”. A desistência da médica cubana Ramona Matos Rodriguez foi a festa da direita (DEM, PSDB), parte da imprensa e da maioria das entidades médicas.

A desistência da Dra. Ramona e de outros cubanos como o do Dr. Ortelio Jaime Guerra, que fugiu do Brasil para os Estados Unidos, não é uma condenação ao “Programa Mais Médicos”, mas sim discordância ideológica do governo cubano.

A diferença entre a Dra. Ramona e o Dr. Ortelio é que ela procurou auxílio da direita (DEM) brasileira enquanto ele da organização não- governamental (ONG) Solidariedade sem Fronteiras, com sede em Miami. Essa ONG provavelmente financiada pelo governo dos Estados Unidos tem o objetivo de estimular os cubanos a entrar nos EUA, com o “visto humanitário”.

Enquanto festejam a desistência de cubanos e cubanas, nada escrevem ou falam sobre o excelente resultado do Mais Médicos ou mesmo de casos (positivos) isolados como o que ocorreu no município de Candiota.

No mês de janeiro, um médico cubano encaminhou um paciente do Hospital de Candiota para o Pronto Socorro de Bagé. Foi o que bastou para o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul. Assim que tomou conhecimento da “irregularidade”, pediu a expulsão do cubano do Mais Médicos. Qual a irregularidade?

O médico cubano foi chamado para atender um paciente no Hospital de Candiota porque o médico (brasileiro) que deveria estar de plantão não estava.

Não bastasse o Sindicato, o Conselho Regional de Medicina (Cremers) também reagiu. Segundo um conselheiro, há uma determinação do Cremers que barra a atuação dos médicos do programa nos hospitais. Sendo rude: o médico brasileiro não está de plantão, porém o médico cubano não pode atender, mesmo que o paciente possa morrer.

Semana passada, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, apresentou um balanço do Mais Médicos. São cerca de 9 mil médicos distribuídos pelo Brasil. De acordo com os dados divulgados, havia, naquele dia, 89 profissionais ausentes de seus postos de trabalho. Quatro deles cubanos, cinco de outras nacionalidades e 80 brasileiros. Do Mais Médicos, pouco mais de 800 médicos são brasileiros, portanto uma taxa de desistência de 10%. Já entre os cubanos as deserções representam 0,09% dos 5.550 profissionais em atividade pelo programa.

Não custa perguntar:

1) Sobre o caso de Ivinhema: os médicos foram punidos?

Como a notícia da briga e da morte da criança correu o país, deveria correr o país o resultado dos processos, tanto nos Conselhos como da Justiça.

2) Sobre o caso de Candiota: as entidades médicas vão cobrar e/ou punir o médico ausente de seu trabalho?

Projeto social permite troca de abadá por lata de leite em pó em Salvador

Projeto social permite troca de abadá por lata de leite em pó em Salvador

Foto: Reinaldo Marques / Terra

Pelo 11º ano consecutivo, os foliões que acompanharem o “Trio Armandinho Dodô e Osmar” no carnaval de Salvador vão poder usar o “Abadado”. O projeto, idealizado pelos músicos Aroldo e André Macêdo, permite que os foliões ganhem um abadá em troca da doação de uma lata de leite. As trocas podem ser feitas de segunda a sexta, das 8h às 18h, no Curso Grandes Mestres, na Praça da Piedade, em Salvador.

Neste ano, o “Fobicão”, como é conhecido o trio dos irmãos Macêdo, irá desfilar no sábado (1º), às 17h, no Circuito Osmar (Campo Grande); e de domingo (2) a terça (4) no circuito da Barra (Dodô), respectivamente, às 18h, 19hh e 19h30. A partir do sábado de carnaval, as trocas devem ser feitas diretamente no trio, antes do início do desfile. Desde que foi lançado, em 2003, o projeto já arrecadou mais de 50 mil latas que foram distribuídas para instituições que cuidam de crianças carentes.

O “Abadado” faz uma homenagem aos 40 anos da Banda Armandinho, Dodô e Osmar, trazendo estampado as caricaturas de Betinho, Armandinho, Aroldo e André Macêdo.

Lula diz a interlocutores que Dilma precisa mudar, afirma jornal

Lula diz a interlocutores que Dilma precisa mudar, afirma jornal

O ex-presidente Lula tem dito a interlocutores que a presidente Dilma precisa mudar em 2015, em um eventual segundo mandato, de acordo com a Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, Lula teria afirmado nas duas últimas semanas a interlocutores que a atual equipe econômica está com o prazo de validade “vencido” e que a presidente precisará não só de uma nova composição na área, mas também corrigir a política econômica para fazer o país voltar a crescer com taxas na casa dos 4%.

O ex-presidente também teria dito que Dilma precisa aprender a vender o Brasil no exterior e melhorar a relação com os empresários brasileiros, que aumentaram o tom das críticas contra o que consideram um estilo intervencionista da presidente. Apesar da avaliação de que Dilma está “divorciada” dos setores político e empresarial, Lula acredita na reeleição da sucessora e nega qualquer chance de assumir o lugar de sua ex- ministra.

Créditos de celulares terão validade mínima de 30 dias

smartphone

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que os créditos de celulares pré-pagos tenham validade mínima de 30 dias. A obrigação está em um regulamento aprovado hoje (20) pela agência reguladora.

De acordo com o relator da matéria, conselheiro Rodrigo Zerbone, a facilidade de compra de créditos de pré-pago faz com que, muitas vezes, o consumidor não seja informado sobre a validade do serviço, que, em alguns casos, expira em sete ou dez dias. “É difícil exigir que o atendente da padaria, da banca de jornal ou da farmácia saiba qual a validade desse crédito”, disse Zerbone. A empresa também terá que comunicar ao consumidor quando os créditos estiverem na iminência de expirar ou acabar e comercializar créditos com validade de 90 e de 180 dias.

A Anatel também determinou que as operadoras não podem enviar mensagens de texto para os clientes com publicidade, a não ser que o consumidor peça para receber os anúncios. Em 2012, a Anatel já tinha determinado que as prestadoras fizessem uma consulta aos assinantes sobre o interesse em continuar recebendo mensagens publicitárias.  As empresas deverão disponibilizar aos clientes um sumário com as informações da oferta antes da contratação, principalmente as que impactem custos para o usuário.

Sem agência bancária, cidade do Piauí cria banco local e moeda própria

São João do Arraial adotou moeda própria para desenvolver cidade (Foto: Catarina Costa/G1)

Isolada dos maiores centros comerciais do Piauí, a cidade de São João do Arraial, a 253 km de Teresina, criou um banco local para contornar a falta de serviços bancários. Criado em dezembro de 2007, o “Banco dos Cocais” possibilitou o desenvolvimento econômico da região com a circulação de uma moeda própria, o “cocal”. No Piauí, 68 cidades não contam com nenhum tipo de dependência bancária, segundo dados do Banco Central. Em todo o Brasil, são 233 municípios, sendo que as regiões que mais sofrem com o problema são o Nordeste – 9,1% das cidades – e o Norte (7,6%). Já as cidades que não têm agências, mas podem ter outros serviços, como lotéricas e caixas eletrônicos, chegam a 1,9 mil em todo o país.

Emancipado em 1996 de Matias Olímpio, São João do Arraial não possuía agência bancária, o que obrigava os moradores a se deslocar até Esperantina, Região Norte do estado, a 20 km de distância. “Era difícil para se locomover, pagar uma conta e receber o pagamento. Sempre ficávamos dependendo de ir a outra cidade até mesmo para comprar roupa e alimentação, já que o comércio aqui era escasso”, diz a moradora Maria Antônia.

Quando assumiu o cargo em 2005, o ex-prefeito Francisco das Chagas Lima disse que viu a necessidade de aumentar a circulação de dinheiro na cidade. Após consultar os moradores, a prefeitura constatou que a maioria das mercadorias consumidas eram compradas e produzidas fora da região, já que não havia bancos no município.
Ex-prefeito destaca importância da moeda para a cidade (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Ex-prefeito destaca importância da moeda para a
cidade (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

“Nessa pesquisa nós percebemos também que as pessoas necessitavam de pouco capital e isso não era interessante para os grandes bancos. Criamos primeiramente um Fundo Municipal de Apoio a Economia Solidária para arrecadar 40% da receita monetária, gerando em torno de R$ 20 mil. Em seguida, tomei conhecimento do Banco de Palmas (CE), primeira agência comunitária do país. Levei a ideia à população de São João do Arraial e, em dezembro de 2007, inauguramos o Banco dos Cocais e a moeda local”, explicou.
Dinheiro começou a ser distribuído em dezembro de 2007 (Foto: Catarina Costa/G1)
Dinheiro começou a ser distribuído em dezembro
de 2007 (Foto: Catarina Costa/G1)

O banco é de responsabilidade da sociedade civil, mas a prefeitura e entidades locais fazem parte do Conselho. Além da distribuição da moeda, a instituição funciona para pagar os servidores da região, arrecadar taxas públicas, como de água e energia, e distribuir benefícios como o Bolsa Família. “Ele hoje tem reconhecimento do Banco Central, desde que circule o dinheiro somente naquela cidade. As notas distribuídas vão de C$ 0,50 a C$ 20″, comentou Lima.

De acordo com a prefeitura, o crescimento da economia do município coincide com a entrada em circulação do Cocal. Somente nos dois primeiros anos de implantação da nova moeda no mercado, o banco comunitário movimentou R$ 3 milhões em cocais, o que representa 25% dos R$ 12 milhões que foram movimentados em todo o município.

O coordenador do Banco Comunitário dos Cocais, Mauro Rodrigues, destaca que, além do aumento na renda da cidade, a implantação da moeda ajudou na geração de trabalho e facilitou a vida dos moradores.
Para coordenador do Banco de Cocais, moeda local fez diferença para população (Foto: Catarina Costa/G1)
Para coordenador do Banco de Cocais, moeda fez
diferença na cidade (Foto: Catarina Costa/G1)

“Hoje percebemos a movimentação de dinheiro na cidade e isso faz diferença para o comércio local, para a população. Outro fator importante é investimento feito pela instituição nos setores produtivos, especialmente com a liberação de microcrédito para a promoção de pequenos negócios”, explicou o coordenador.

Mauro Rodrigues lembra que, além de implantar o banco e a nova moeda, a Câmara de Vereadores aprovou na época uma lei estabelecendo que 25% dos servidores públicos do município recebessem seus salários em cocais. A medida foi proposta para evitar que servidores concursados, que vieram de outros municípios, gastassem seus vencimentos fora da cidade. Quem quiser trocar o cocal por real basta direciona-se ao banco.

Segundo o atual prefeito, Adriano Ramos, atualmente 25 mil em cocais circulam em São João do Arraial, o que equivale a mesma quantia em real. Mesmo com instalação de uma Lotérica, de outros correspondentes bancários e surgimentos de pontos comerciais que aceitam cartão de crédito, o cocal continua sendo a moeda mais utilizada na cidade, e todos os estabelecimento o aceitam.

“O Banco de Cocais estimula a economia solidária e segura o dinheiro no município. Por conta dessas e outras vantagens vamos continuar utilizando o cocal, é um benefício que atinge a todos. Além disso, a instituição ajuda a arrecadar dinheiro da receita da prefeitura para o Fundo Municipal de Apoio a Economia Solidária, que é usado como microcrédito”, declarou o prefeito.

A comerciante Giseia Maria dos Santos, proprietária de uma padaria local, contou que no início a moeda chegou a ser rejeitada por receio, mas, com o passar do tempo, percebeu a melhoria no comércio. “Muitos desconfiavam da ideia, mas, após insistência e ver que era para o desenvolvimento da cidade, acabaram aceitando. É bom trabalhar com o cocal, saber que isso movimenta a renda local e beneficiou todo mundo, especialmente nós comerciantes”, lembrou.
Comerciante destaca preferência pelo cocal ao invés do real (Foto: Catarina Costa/G1)
Comerciante destaca preferência pelo cocal ao invés do real (Foto: Catarina Costa/G1)

Outro que comemora a circulação da moeda é Jean Santana. Dono de um pequeno armarinho, ele destacou não ter diferença entre real e cocal, e que prefere receber o dinheiro local por questão de segurança. “Como só tem valor aqui em São João do Arraial, o número de assaltos aos estabelecimentos é quase escasso”, destacou.

O crescimento econômico contribuiu também para a abertura de novos pontos comerciais, como a instalação da loja de uma das maiores redes de departamento do Nordeste. O gerente Antônio Carlos conta que o cocal nunca gerou problema nas vendas e que a empresa já sabia do uso da moeda quando decidiu implantar o empreendimento na cidade.
Criação do Banco dos Cocais foi fundamental para circulação do dinheiro (Foto: Catarina Costa/G1)
Criação do Banco dos Cocais foi fundamental
para circulação de renda (Foto: Catarina Costa)

O cocal
A moeda tem o mesmo valor do real, mas com maior poder de compra graças aos descontos oferecidos em todos os estabelecimentos comerciais do município. Se um produto custa R$ 10, pagando com a moeda social, custará C$ 9. O desconto é possível porque, para cada cocal emitido, há um lastro de um real garantido pela organização financeira comunitária.

As cédulas são estampadas com ícones da cultura e economia local, além possuir um selo que dificulta a sua falsificação. De acordo com o coordenador Mauro Rodrigues, o banco tem o custo de R$ 0,15 por moeda fabricada, além de arcar com o transporte desde Fortaleza, onde está a gráfica de confiança do Instituto Palmas, gestor e certificador de bancos comunitários no Brasil, e responsável pela impressão das notas.

“Hoje, para emitir dez mil cédulas, o custo chega a ser de R$ 5 mil. É um recurso bastante caro. Se a moeda fosse fabricada pela Casa da Moeda, nós teríamos redução dos custos, o material seria de maior qualidade. Caso tivéssemos este apoio, teríamos um avanço gigantesco tanto do ponto de vista institucional como financeiro”, acrescentou Mauro.