Daily Archives: 22/01/2014

Pequenas lições para 2014

Gaudêncio Torquato
O Tempo

O ano que se inicia será um dos mais competitivos das últimas décadas, principalmente na esfera política. As razões apontam para o esgotamento do nosso modelo de fazer política, a partir de velhas práticas de campanhas eleitorais. A impressão final é a de que o retrato desfigurado está a merecer urgente retoque. Fichas-sujas, por exemplo, não podem continuar no mapa eleitoral.

Os ingredientes que entrarão na composição da nova tintura hão de absorver a química de setores e categorias mais participativas, exigentes e dispostas a enfrentar a resistência de defensores de obsoleta arquitetura política. A coletividade parece descer do céu da abstração para ser uma força na paisagem.

O curto dicionário abaixo poderá servir de baliza para milhares de candidatos na tentativa de aprimorar suas relações com a comunidade nacional.

Estado e nação – O Estado, infelizmente, está bastante distante da nação com que os cidadãos sonham. A nação é a pátria que acolhe os filhos; é o hábitat onde as pessoas constroem os pilares da existência. O Estado é a entidade técnico-jurídica, com seu arcabouço de Poderes, pressionada por interesses díspares e dividida por conflitos. Aproximar o Estado da nação, formando o espírito nacional, constitui a missão basilar da política.

Representação – A representação política é missão, não profissão. A política não é um balcão de negócios. Um representante do povo se preocupa com metas, programas permanentes, medidas estruturantes.

Identidade – A identidade é a coluna vertebral de um político. É a soma de sua história, de seu pensamento, de suas percepções e de seus feitos.

Discurso – O discurso deve abrigar propostas concretas, viáveis, simples. E, sobretudo, factíveis. A população dispõe de entidades que a representam. Resta ao político procurar tal universo.

Grito das ruas – O grito das ruas faz-se ouvir nos espaços dos Poderes em todas as instâncias. Expressam a vontade de uma nova ordem social e política. Urge abrir os ouvidos e a mente para interpretar o significado de cada movimento.

Sabedoria – Sabedoria não significa vivacidade. Mescla aprendizagem, compromisso, equilíbrio, busca de conhecimentos, capacidade de convivência, racionalidade. Não é populismo.

Transparência – A era do esconderijo está agônica. Esconder (mal)feitos é um perigo. A corrupção, mesmo dando sinais de sobrevida, é atacada em muitas frentes. Grandes figuras foram (e continuarão a ser) punidas. O público e o privado começam a ter limites controlados.

Simplicidade – Despojamento, eis um apreciado conceito. Ser simples não é pegar crianças no colo, comer cachorro-quente na esquina ou gesticular para famílias nas calçadas. A simplicidade está no ato de pensar, dizer e agir com naturalidade. Sem artimanhas nem maquiagens.

Lição final do filósofo e sociólogo José Ingenieros: “Cem políticos torpes, juntos, não valem um estadista genial”.

Detento paga propina a diretor com cartão de crédito; confira

Na calamitosa situação dos presídios brasileiros, os casos de corrupção entre detentos e servidores da ‘banda podre’ repetem-se em quantidade e variedade inimagináveis. Por vezes, no entanto, a venda de benefícios encontra caminhos surpreendentes até para os mais experimentados investigadores.

Um desses casos espantosos é, no momento, alvo do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, e ocorre exatamente na unidade prisional onde, nesta segunda-feira, presos deflagraram um motim. Uma denúncia oferecida no último dia 15, embasada em documentos e depoimentos, mostra que um detento pagou propina usando um cartão de crédito, parcelando o débito em dez vezes. A situação escabrosa ocorreu no presídio Rogério Coutinho Madruga, unidade da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, cidade da Grande Natal.

Um grupo de promotores que atua em conjunto, para evitar represálias dos detentos e dos agentes envolvidos no crime, descobriu que o preso Walker A. da Silva usou seu cartão de crédito, de bandeira Visa, para comprar, a pedido do então diretor Alexandre Medeiros de Assis, em 2 de setembro de 2013, uma bomba d’água e equipamentos para reparos na própria unidade, no valor total de 815 reais. O comprovante de pagamento, com número do cupom fiscal, bem como a nota da compra emitida em nome do diretor, estão anexados à denúncia.

A penitenciária de Alcaçuz recebeu a visita do ministro Joaquim Barbosa em abril do ano passado. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ficou chocado com a situação degradante dos detentos. Depois da visita de Barbosa, a relação promíscua entre diretores e quadrilhas não se abalou.

Como explicam os promotores, o dinheiro da bomba d’água é uma ínfima parcela do que estava em jogo entre os encarcerados e os agentes concursados. Na denúncia apresentada à Justiça a compra da bomba aparece como pagamento para que Walker e outros comparsas circulassem livremente fora da prisão. O MP detalha ainda que outro preso, José Welton de Assis, também pagava propina ao diretor para trabalhar fora de seu cubículo. Depoimentos e comprovantes de depósito mostram o pagamento feito por Welton a dois ex-diretores de presído, para que pudesse trabalhar e ser transferido para o Estado de Sergipe.

A Alexandre Medeiros de Assis, diz a denúncia, Welton pagou 10.000, em parcelas de 1.000 semanais, em troca do direito de trabalhar fora da cela. Outro ex-diretor, Adalberto Luiz Avelino, cobrou e recebeu 15.000 reais para levar o preso para Sergipe.

Depoimentos de parentes de um detento comprovaram, segundo os promotores, que Assis, no período em que esteve no exercício da função, ao longo de 2013, “solicitou diuturnamente vantagens patrimoniais criminosas” a um dos presos (Welton). Os quatro promotores que assinam a denúncia referente a Assis pedem a condenação por corrupção passiva e querem o afastamento imediato do servidor das funções de agente penitenciário, para que não haja risco de o acusado interferir no andamento do processo. Apesar de afastado da unidade alvo da investigação, ele continua trabalhando. Segundo o MP, o diretor cobrou de José Welton a quantia de 50.000 reais. Este seria o valor para coloca-lo em regime de prisão domiciliar. Nesse caso, o valor não chegou a ser pago – ou não foram encontradas provas disso. Para o agente público que cobrou a propina, no entanto, não faz diferença. Como ressaltam os promotores, “o delito já se encontra aperfeiçoado com a simples solicitação da importância, sendo desnecessária a efetiva entrega da vantagem indevida”.

Corrupçao em presídio no Rio Grande do Norte: nota fiscal emitida em nome do diretor do presídio

Corrupçao em presídio no Rio Grande do Norte: nota fiscal emitida em nome do diretor do presídio (Reprodução)

Veja.com

Mulher de bilionário russo causa polêmica ao posar sentada sobre boneca negra seminua

Uma imagem fashion ou preconceituosa? A mulher do bilionário russo Roman Abramovich, Dasha Zhukova, provocou uma grande polêmica na internet após uma revista digital ter publicado uma foto dela sentada em uma cadeira. A questão é que o móvel se assemelha a uma mulher negra seminua. E mais: a imagem foi ao ar na última segunda-feira, no Dia de Martin Luther King, que é sempre celebrado nos Estados Unidos na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao aniversário do célebre líder que lutou pelos direitos civis dos negros americanos.

O site “Buro 24/7” usou a imagem de Dasha para ilustrar uma entrevista sobre a nova revista da ex-modelo, chamada “Garage”. A editora da “Buro 24/7”, Miroslava Duma, uma das mais famosas blogueiras e it-girls da Rússia, também postou a foto controversa no Instagram. Diante da enxurrada de comentários criticando a imagem, ela rapidamente retirou o post do ar, segundo informou o jornal britânico “Daily Mail”.

“Isso é incrivelmente racista”, twitou a Organizing for Women’s Liberation (Organização pela Liberdade da Mulher).

A editora do portal “FashionBombDaily.com”, Claire Sulmers, foi uma das primeiras a expressar a sua indignação, alegando que a mensagem da foto era surpreendentemente clara: “Dominação branca e superioridade, articulada de forma aparentemente serena, mas abertamente degradante”.

Depois da polêmica, Miroslava Duma postou em seu Instagram um pedido de desculpas a “todos que se sentiram ofendidos”: “Não foi absolutamente nossa intenção. Nós somos contra o racismo, a desigualdade de gênero ou qualquer ato que infrinja os direitos de qualquer pessoa. (…) A cadeira da foto deveria ser vista apenas como uma obra de arte que foi criada pelo artista pop britânico Allen Jones e não como uma forma de discriminação”.

Dasha também divulgou um pedido de desculpas que dizia: ” (…) nós lamentamos termos utilizado essa cadeira para uma foto fora do contexto da obra do artista Allen Jones. E a situação foi agravada pelo fato de que a publicação coincidiu com o Dia de Martin Luther King. Eu absolutamente não tolero racismo e peço desculpas a todos os ofendidos por essa foto. A ‘Garage’ tem um compromisso com o respeito à diversidade étnica e de gênero, e vamos continuar com esses princípios”.

Apesar da repercussão negativa, o jornalista e crítico de arte Jonathan Jones, do jornal britânico “The Guardian”, teve uma interpretação diferente para a polêmica. Segundo ele, não se trata de racismo, mas de um estranho trabalho de arte, exposto de maneira desastrosa para a cultura popular e implorando para ser mal interpretado. “A obra de Bjarne Melgaard pode ser de péssimo gosto, porém tenho quase certeza que não teve a intenção de denegrir as mulheres negras. Ao contrário, trata-se de uma alusão ao controverso trabalho do artista britânico Allen Jones na década de 1960”, opinou.

Na imagem, um manequim extremamente realista está nu exceto por um par de botas de couro, uma calcinha preta, um cinto e luvas. A boneca aparece deitada, com os joelhos dobrados, e sustentando com as pernas uma almofada na qual Dasha está sentada.

Globo.com

Temperatura global em 2013 foi 4ª mais alta da história

Temperatura global em 2013 foi 4ª mais alta da história

O ano de 2013 empatou com 2003 como o quarto ano mais quente já registrado no mundo, informa a Agência de Pesquisa Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês). A temperatura média global em 2013 foi de 14,52ºC.

Já a agência aeroespacial norte-americana (Nasa, na sigla em inglês), que calcula os registros com base em outro método, apontou 2013 como o sétimo ano mais quente no mundo, mas a temperatura média foi praticamente a mesma medida pela Noaa: 14,6ºC.

Ambas as agências afirmam que nove dos dez anos mais quentes já registrados aconteceram no século 21. O recorde de temperatura média global ocorreu em 2010. As medições começaram em 1880.