Daily Archives: 28/12/2013

2013 em 22 frases imortais

armstrong doping

Kiko Nogueira, DCM

Eles falaram. Eles foram ouvidos. Eles nos fizeram rir, chorar ou conter espasmos. 22 frases de 2013 que ficarão para a história, pelos motivos certos ou errados.

1. “Eu usava um pouco de EPO, transfusões de sangue e testosterona”. Lance Armstrong

2. “‘Depois da união civil virá a adoção de crianças por parceiros gays, a extinção das palavras pai e mãe, a destruição da família”. Marco Feliciano

3. “Já vi muitos se regenerarem. Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar”. Joelma, da banda Calypso, provando os efeitos daquela sua jogada de cabeça para adiante.

4. “A PEC pegou todo mundo desprevenido. Adeus, chazinho na hora de dormir; adeus, vestido passado às 10 da noite; adeus, suquinho no meio da tarde”. Danuza Leão, chateada com a aprovação da PEC das domésticas.

5. “Continuem noite a dentro (sic) debatendo enquanto eu e o pessoal do Pânico rimos de tudo e nos divertimos. Ganhamos: cheque-mate (sic)”. Gerald Thomas, depois de enfiar a mão na saia da apresentadora Nicole Bahls.

ei galvão tomar no cu

6. “E a torcida grita: ‘Ei, Galvão, vai tomar no c…’”. Galvão Bueno, narrando a própria aclamação na final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha.

7. “Gostaria de dizer que não gosto de políticos. Eu gosto de Ramones”. Mayara Vivian, do Movimento Passe Livre.

8. “Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer”. Major Lídio Costa Junior, da PM de São Paulo.

pelé ronaldo copa 2014

9. “Vamos esquecer essa confusão toda, todas essas manifestações, e vamos pensar que a Seleção Brasileira é o nosso país”. Pelé, mais Pelé do que nunca.

10. “Foi bom tocar nesse assunto, porque eu realmente estava machucado”. Anderson Silva, tentando explicar o nocaute patético para Chris Weidman que lhe custou o cinturão.

11. “Que monte de besteira”. Espectador da BBC sobre a cobertura ridícula do nascimento do bebê real.

12. “Para não ficar cansativo vou ensinar agora a fazer um belo miojo”. Carlos Guilherme Custódio Ferreira, estudante, autor da redação mais famosa do Enem em todos os tempos.

13. “Eu tenho muito respeito pelo ET de Varginha”. Dilma Rousseff.

14. “Barbara, você é gay assumida, né? Qual o nome da sua namorada?”. Paula Lavigne, cheia de classe, então porta-voz do grupo Procure Saber, para a jornalista Bárbara Gancia no programa “Saia Justa”.

15. “Mesmo já sendo um partido programático, e mesmo já tendo a chancela da sociedade, nos foi cassado o direito de nos constituirmos”. Marina Silva, pragmática, assinando a filiação com o PSB.

16. “Na medida em que ele utilizou o termo descalabro, sou obrigado a devolver na mesma moeda. É difícil aceitar essa referência sobre o final da nossa gestão”. Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, em cuja gestão uma máfia de fiscais roubou R$ 500 milhões, respondendo a Fernando Haddad.

tati justin bieber

17. “Sou uma pessoa muito usada por Deus”. Tati Neves, garota de programa que dormiu com Justin Bieber e fez um vídeo fofo do menino nanando.

18. “Só porque eu sou branquinha?”. Fernanda Lima no sorteio da Copa do Mundo.

19. “É um velho careta”. José Mujica, respondendo a dirigente da ONU que condenou a legalização da maconha no Uruguai.

20. “Eu estou comendo vidro”. Eike Batista.

21. “Sim, eu fumei crack. Quando fiz isso? Provavelmente num dos meus momentos de bebedeira”. Rob Ford, prefeito de Toronto, doidão.

22. “É possível fazer mais com menos, sem comprometer o funcionamento da casa. Leis modernas para transformar o Brasil no país que os brasileiros querem”. Renan Calheiros, dias depois de pegar um avião da FAB para fazer implante de cabelo.

Tom Zé devolve cachê da Coca-Cola após chantagem de ‘fãs’

O erro de Tom Zé ao devolver cachê da Coca-Cola após chantagem de ‘fãs’. Com um público que exige esse tipo de coisa, que artista precisa de inimigos?

tom zé coca cola cachê
Tom Zé devolve cachê da Coca-Cola após chantagem de ‘fãs’

Tom Zé, um tropicalista original que foi esquecido pelos demais tropicalistas originais, dá um duro para se manter. Além dos shows e discos, trabalha como jardineiro (é muito querido, aliás, pelos moradores de um prédio nas Perdizes, em São Paulo). A indústria fonográfica sofre e, você sabe, ele não é um sertanejo universitário.

Recentemente, faturou 80 mil reais da Coca-Cola pela narração de um comercial da Copa do Mundo. Mas avisou que vai doar o dinheiro para a Sociedade Lítero-Musical 25 de Dezembro de Irará, sua cidade natal, na Bahia. A razão é que seus fãs o acusaram de vendido. Foi xingado nas redes sociais de “mané”, “velho babão”, “bundão”, “príncipe que virou sapo”, “corrompido”, “garotinha ex-tropicalista”, “mentiroso”. Compôs uma canção a respeito desse episódio chamada Tribunal do Feicebuqui.

Quem precisa de inimigos com um público desses? “Eu sou pobre, continuo pobre”, disse ao UOL. “Esse dinheiro estava me atrapalhando, me incomodando, resolvi doar. Estava agora com a minha mulher fazendo as contas e está um aperto ‘fela da puta’”.

Leia também

A chantagem de seus “admiradores” é absurda, desumana e indesculpável. Agora, por que Tom Zé se submeteu a isso é um mistério. Não foi, ao que se depreende, uma decisão fácil. Se tivesse sido, ele não teria feito uma música.

Por que um artista com 40 anos de carreira deveria baixar a cabeça para pessoas que, aparentemente, só lhe dão valor se ele não sair do, como ele mesmo diz, “aperto”? A pureza de Tom Zé é genuína. O cachê ganho foi legítimo, merecido e fruto de décadas de música. Em que conspurcaria sua imagem? Em que isso mancharia sua reputação de, vamos lá, iconoclasta? Em nada, nada, nada. Ao contrário, lhe daria fôlego para produzir mais — e viver melhor.

Por que ele concordou?

Em 1965, Bob Dylan desafiou a patrulha de seguidores que o acusavam de traidor por ter “eletrificado” seu som. Levou o grupo de rock que o acompanhava ao festival de folk de Newport. Adeus, violão. Tocou guitarra, foi vaiado e quase agredido fisicamente. Num show no Albert Hall, em Londres, no mesmo ano, um fulano gritou da plateia: “Judas!”. Ele respondeu no microfone: “Eu não acredito em você. Você é um mentiroso”. E então se vira para a banda e diz: “Play it fucking loud”. E entra Like a Rolling Stone.

Ok, ok, Tom Zé não é Bob Dylan, os tempos são outros etc etc. Mas isso é independência. Ao aceitar a trolagem de seus “fãs”, Tom Zé foi conivente com ela – e cúmplice.

Assista ao vídeo: