Daily Archives: 22/06/2013

Vereadora mais votada, Amanda Gurgel (PSTU) é bastante vaiada durante manifestação em Natal

Vereadora Amanda se envolveu em confusão com manifestantes durante protesto. Foto: Caninde Soares

Vereadora Amanda se envolveu em confusão com manifestantes durante protesto. Foto: Caninde Soares

A vereadora Amanda Gurgel (PSTU), eleita com quase 33 mil votos na última eleição, foi vaiada na tarde de ontem, ao participar, junto com militantes do seu partido, erguendo bandeiras da legenda, da manifestação popular que tomou conta da BR-101. Segundo Amanda, as vaias que ela levou fazem parte de um “sentimento legítimo” de indignação e revolta com a política, com os políticos e os partidos. Entretanto, ela afirma que aqueles que a vaiaram desconhecem a trajetória de lutas políticas do PSTU.

“O que acontece é que as pessoas acordaram agora, e ainda não tiveram a oportunidade de diferenciar o nosso partido, que é absolutamente diferente, que contribui para garantir as manifestações que ocorrem hoje, determinantes para derrubar a ditadura militar. Se não tivesse a nossa militância, que foi morta e torturada, a ditadura não teria acabado e hoje não seria possível essas manifestações”, justificou a parlamentar.

Segundo a vereadora, a maioria dos manifestantes “estão entrando na luta agora, ainda não nos conhecem, as pessoas que somos partes legítimas”. “Estamos felizes, porém. Agora, vamos ter a oportunidade de nos apresentar a quem não nos conhece e vão ter a convicção, pela nossa prática, que nós somos diferentes desses partidos que eles rejeitam e que nós também rejeitamos”, acrescentou.

Ainda segundo Amanda Gurgel, grupos organizados se infiltraram na manifestação democrática e passaram a dar orientação ao movimento. “Não há dúvida de que existiam grupos organizados conscientes, que tinham absoluta consciência da orientação que pretendiam dar ao movimento, e que se posicionaram a partir do apelo forte que existe a partir rejeição aos partidos, e aproveitaram para direcionar a indignação para os partidos de esquerda. Inclusive o nosso partido, que não tem mancha alguma. Nem de corrupção, nem escândalo que possa jogar contra a nossa moral revolucionaria em defesa dos trabalhadores”.

A expectativa da vereadora é de que, a partir de agora, os protestos continuem avançando na pauta. “Que não seja apenas pela redução da tarifa, mas pelo passe livre, pela educação de qualidade, pela saúde digna e que se questionem até as últimas consequências os governos, os grupos e partidos que se revezam no poder”. (JH)

Manifestantes pediram a volta da ditadura e queimaram bandeiras

Membros de partidos foram hostilizados nos protestos de ontem. Agressores eram carecas, musculosos e extremamente violentos. Bandeiras de partidos foram rasgadas e queimadas, mas faixas pedindo o retorno da ditadura permitidas

Partidários do PSTU, PC do B, PCR, PSOL e PT foram hostilizados durante protesto na avenida Paulista em São Paulo, nesta quinta-feira, 20.

Os militantes petistas foram os que mais sofreram ataques durante a manifestação. Alguns dos manifestantes anti-partidos eram pessoas que se diziam indignadas com a corrupção, inflação ou simplesmente com o fato de partidos tentarem participar de um protesto público.

membros partidos protestos paulista

Acuados e muito assustados, membros de partidos tiveram de se agrupar e fazer uma espécie de cordão de isolamento para evitar espancamento (Foto: Andrei Indio / Facebook)

Um outro grupo, no entanto, tinha o objetivo claro de provocar, agredir e ameaçar os membros de partidos. Alguns eram carecas, musculosos e extremamente agressivos. Um homem usando máscara e capacete de motociclista chegou a sacar um cassetete. Outro portava um taco de hóquei.

“Não existe revolução sem violência. Na revolução francesa teve, na revolução de 1964 também teve”, dizia um dos carecas.

Os integrantes da juventude petista se concentraram na avenida Angélica e só desenrolaram suas bandeiras na Paulista aos gritos de “democracia”. Na altura da rua Augusta os petistas passaram a ser perseguidos por um grupo de jovens musculosos, alguns carecas, que não fizeram outra coisa durante todo o ato além der provocar os militantes.

Foi preciso fazer um cordão humano na retaguarda para evitar brigas. Aos poucos as bandeiras do PT foram ficando escassas. Os manifestantes hostis furavam o cerco e tomavam os panos vermelhos com violência, algumas delas das mãos de mulheres. As bandeiras eram queimadas e rasgadas no meio da avenida.

Enquanto isso, alguns manifestantes carregavam tranquilamente uma faixa pedindo a volta da ditadura militar. Quem tentava fotografá-los era ameaçado.

Um senhor de 73 anos que se identificou apenas como capitão reformado da Marinha, xingava os petistas com um cartaz pedindo a prisão dos mensaleiros. “Participei da Marcha com Deus pela Família em 1964”, disse ao portal IG.

A Marcha com Deus pela Família promovida pela Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) serviu como apoio para o golpe militar de 1964 que mergulhou o Brasil em mais de 20 anos de ditadura militar.

Visivelmente assustados, os petistas aceleravam o passo rumo ao fim do protesto. “Já estamos chegando no final”, disse aliviado Danilo de Camargo, integrante da Comissão de Ética do PT de São Paulo.

Pouco depois da esquina com a alameda Campinas, no entanto, os petistas ficaram encurralados. A linha de frente do protesto parou, impedindo a evolução. Uma banca de jornal impedia a saída pela direita e os manifestantes hostis cercaram a retaguarda e o flanco esquerdo.

A agressividade aumentou. Alguns petistas se misturaram entre militantes do PSTU e PCO, adversários políticos que marchavam na frente. Outro grupo conseguiu abrir uma brecha depois da banca de jornais e saiu as pressas. Um manifestante jogou uma bomba de fabricação caseira no meio dos militantes partidários abrindo um clarão na multidão. Os manifestantes se aproximaram e houve briga corporal. Enquanto isso um militante surgiu por trás e bateu com um cabo de bandeira na cabeça do advogado Guilherme Nascimento, 26 anos, careca e musculoso, que deixou a manifestação com o rosto ensanguentado em uma viatura da Polícia Militar reclamando:“levei uma paulada do PT”.