Corte de gratificação revolta grevistas

Em greve há 22 dias, servidores do Instituto Técnico-Científico de Polícia do Rio Grande do Norte (Itep/RN) denunciaram, durante protesto na manhã de hoje, o corte de gratificação dos grevistas, que teria sido determinado pelo Governo do Estado. Eles afirmam que o fato indignou ainda mais a categoria e que, agora, os funcionários só retornam da mobilização após a aprovação do Estatuto e da lei Orgânica do órgão e do pagamento do benefício. O diretor do órgão, Nazareno de Deus, disse que não houve corte da gratificação, mas um erro do sistema analítico da Secretaria Estadual de Administração.

Segundo a vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol/RN), Renata Pimenta, a notícia do corte da Gratificação de Desempenho Pericial (GDP) foi confirmada por funcionários do Setor Pessoal, ontem à tarde. “Eles afirmaram que o Governo do Estado autorizou o corte da GDP já na folha de pagamento que sairá agora, ou seja, quando forem receber o salário deste mês, já será com o desconto dos valores correspondentes”, afirmou.

Renata afirmou que a gratificação já integra a remuneração final dos servidores há mais de uma década e que ela é parte essencial do salário. A sindicalista disse que a medida foi totalmente autoritária e contra uma medida judicial que suspendeu todas as decisões contra os grevistas.

“Isso indignou ainda mais a categoria. Se a governadora pensou que iria acabar com a greve dos servidores do Itep/RN, se enganou, porque só conseguiu colocar mais lenha na fogueira, agindo arbitrariamente. Isso é corte de salário, porque a GDP não é uma gratificação por tempo de exercício, mas parte integral do salário”, explicou Renata.

Indignados e revoltados com a decisão do corte da gratificação já no próximo pagamento, os servidores do Itep/RN realizaram um protesto pacífico na manhã de hoje, em frente à sede do órgão, no bairro da Ribeira, zona Leste de Natal. Eles reclamaram ainda da falta de diálogo entre a categoria e o Governo do Estado, que não abre as negociações.

Renata Pimenta explicou ainda que o valor da GDP paga aos servidores varia de acordo com o nível de escolaridade do funcionário. “Quem é servidor de nível médio recebe cerca de R$ 850 de gratificação, já quem é de nível superior recebe uma média de R$ 1,5 mil de GDP. Esses valores são integrados ao salário final do servidor há mais de dez anos, ou seja, já é um direito”, afirmou.

DIRETOR ALEGA FALHA DE SISTEMA

A supressão da gratificação no contracheque dos servidores do Itep/RN teria acontecido por uma falha no sistema analítico da Secretaria Estadual de Administração, segundo o diretor do órgão, Nazareno de Deus Costa. Ele afirmou que o que aconteceu foi um “mal-entendido grande”, causado por uma falha dos equipamentos que processam e imprimem os comprovantes de renda.

“Soube disso ontem mesmo e de imediato, procurei os responsáveis para entender o que tinha acontecido. Fui informado sobre o erro e hoje mesmo, passei a manhã inteira na Administração, para tentar resolver esta falha, que só trouxe problemas para nós e exaltou os ânimos dos servidores do Itep. Só quero dizer a todos que não foi proposital, que não foi ordem da governadora ou da direção do Itep, mas um erro do sistema”, explicou Nazareno.

O diretor afirmou ainda que o erro atingiu a todos que trabalham e recebem pelo órgão, inclusive quem não está em greve, como ele. “Até eu fui atingido. Vou aguardar a confirmação da correção do erro, para dar uma explicação aos servidores”, afirmou.

Mil atendimentos deixam de ser feitos por dia com a greve

Enquanto o Governo do Estado e os servidores do Itep/RN não se entendem, apenas 30% dos serviços essenciais são mantidos nos três municípios onde há representação do órgão, que são Natal, Mossoró e Caicó. Com isso, a estimativa é que cerca de mil pessoas deixem de ser atendidas diariamente pelo órgão, com serviços como a emissão de documentos e outros atendimentos oferecidos pelas Centrais do Cidadão, em todo o Estado. A remoção e liberação de cadáveres continua funcionando.

O impasse da aprovação do anteprojeto do Estatuto e da Lei Orgânica do Itep/RN já dura três anos, conforme o Sinpol/RN. A última greve realizada pela categoria começou no dia 1º de dezembro passado e durou 13 dias. Na ocasião, o Governo ofereceu um parecer sobre o anteprojeto, mas, diante da morosidade estadual, os servidores voltaram a protestar no dia 22 de agosto, quando fizeram paralisação por 24 horas.

Na ocasião, foi aprovado um indicativo de greve por tempo indeterminado para o dia 3 de setembro, caso o Estado não se manifestasse sobre o anteprojeto. Como não houve diálogo e o consultor geral do Governo, José Marcelo da Costa, não determinou uma data para o envio do documento aos deputados estaduais, o movimento foi deflagrado, dando início à paralisação.

 

 

 

Posted on 25/09/2012, in Cidadania, Entretenimento, Política, Reflexão, RN. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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