‘Sou um artista querido pelo povo’

Há alguns artistas que na televisão mostram um perfil e pessoalmente demonstram ter outro. Alguns falam demais em programa de televisão, no contato pessoal são econômicos nas palavras. Outros mostram carisma nas fotos, quando nos deparamos com eles trazem fisionomia cerrada. Mas no caso de Francisco Everardo Oliveira Silva ele é exatamente como transparece nas aparições na televisão e no rádio. Palavras simples, espontaneidade nos gestos e nas brincadeiras. Agora me diga, você sabe quem é Everardo Oliveira? Ou melhor o deputado federal Everardo? Não! Estou me referindo ao palhaço Tiririca, o artista que virou deputado.
josé cruz/abr

O cidadão Francisco Everardo e também deputado federal esteve em natal na última quinta-feira dentro de uma campanha contra uso de drogas

Ele admite que foi o fato de ser palhaço o que o levou a ser deputado. Mas estaria Tiririca pensando em fazer uma carreira política? O palhaço prefere não fazer planos. Rejeita a definição de que os votos recebidos por ele, que o levaram a ser o deputado federal mais votado do país, foram de protesto. Para o palhaço o desempenho nas urnas é creditado ao fato de “ter falado a verdade”. “Eu disse que não sabia para que servia um deputado e de fato muita gente não sabe. Eu disse que queria empregar toda minha família, quem não quer? Só não empreguei porque não podia. As pessoas votaram em mim porque eu só falo a verdade”, disse o deputado Tiririca, que esteve em Natal participando do jogo “Diga não ao crack”, evento promovido pelo deputado federal Fábio Faria.

Deixando de lado o discurso de parlamentar e partindo para uma análise sobre a própria trajetória, Tiririca lembra do início da carreira, da fome que passou: “As pessoas me veem lá e é como se fossem elas. É o cara que veio com o preconceito, que batalhou para caramba, veio do nada, passou fome, está lá  (na Câmara dos Deputados) e está fazendo bem feito”.  Deixando de lado a modéstia, Tiririca afirma que não há como se falar em humor sem lembrar do nome dele e não há como abordar a temática de deputado federal sem também falar dele. “Se você falar sobre humor hoje e não falar em Tiririca não pode. Se você falar na política hoje e não falar em Tiririca! Isso é uma coisa fantástica. O cara que batalhou e chegou onde chegou pela batalha e por falar a verdade”, afirma.

Durante toda essa entrevista, Tiririca por diversas vezes falou a palavra fantástico. Para lembrar que passou fome disse ser “fantástico”, para enaltecer os projetos que apresentou na Câmara disse ser “fantástico”, para destacar que nunca faltou a uma sessão no parlamento ele também definiu como “fantástico”. O convidado de hoje do 3 por 4 é um palhaço que se transformou em deputado, um deputado que não deixa de lado os jeitos e trejeitos do palhaço, um artista popular que a partir de “Florentina” ganhou a  estrada e conquistou fãs.

Com vocês, Tiririca:

Há pouco mais de um ano como deputado federal, é melhor ser palhaço ou ser deputado?

Minha profissão mesmo é humor, mas me adaptei bem. Os três primeiros meses foram difíceis para caramba. Até você se adaptar à casa, o jeito do trabalho, essas coisas todas, levaram três meses. Agora que me adaptei estou tirando de letra Graça a Deus. Estamos fazendo um trabalho bacana, as pessoas que votaram na gente eu não estou decepcionando meus eleitores, isso é fantástico. Estou apresentando projetos e mais projetos. Agora sabemos que para ser aprovado são outros 500. É difícil, é complicado aprovar projeto. Mas estamos apresentando. São 513 deputados federais, sou um dos 13 que nunca faltou. Isso é fantástico, é maravilhoso.

Se o senhor pudesse escolher um projeto seu como mais importante, qual seria?

É o do circo escola para os filhos de artistas circenses. É complicado estudar em escola com o circo. Ele (o circo) passa 15 dias em uma cidade, cinco dias em outra. E vai mudando de cidade em cidade. E os colégios não aceitam os filhos dos artistas circenses. Fizemos esse projeto e eu acredito que se esse projeto for aprovado será sensacional. Temos ainda uns sete projetos.

O senhor foi cotado para ser candidato a prefeito de São Paulo. O que lhe fez desistir?

A princípio fiquei até surpreso e ao mesmo tempo feliz, lembraram do meu nome. Foram os eleitores mesmo que procuraram o partido e eu fiquei empolgado. Mas com o passar do tempo fui vendo que é uma responsabilidade muito grande. Eu estou entrando agora na política, estou muito novo. Vou primeiro deixar terminar esses três anos de mandato que eu ainda tenho, estou fazendo um trabalho bacana e vou ver. Mas agora eu desisti (de disputar a Prefeitura de São Paulo). Não houve um convite, foi uma especulação.

Vamos voltar um pouco a história do senhor na política. Incomodou o fato dos analistas políticos terem apontado que os votos recebidos pelo senhor foi o voto de protesto?

Muita gente fala isso. Mas eu acho que não. A galera não votou no político, votou no artista, acreditando que eu poderia fazer alguma coisa. Isso é fantástico. Os eleitores votaram no artista, no artista Tiririca, o cara sincero, batalhador, que venceu na vida, que corre atrás das coisas, que fala a verdade. Eles votaram na verdade. Nós fizemos nossa campanha e poucos sabem, mas nossa campanha foi muito bonita, maravilhosa. A gente saia nas ruas de São Paulo todo santo dia e só voltava às 22h. A gente colocava uns 100 tiriricas e eram só pessoas que precisavam mesmo, pegamos pessoas da favela para entrarem nisso. E foi fantástico. Eles lutavam pela gente e pediam voto e distribuíam santinho. Foi maravilhoso. Foi algo lindo nas ruas pedindo voto.

O senhor vem sendo um deputado que ganha repercussão não pelos projetos, mas pelo fato de ser o Tiririca no Congresso. O senhor não teme que após a novidade do “Tiririca no Congresso” o senhor passar despercebido como dezenas de deputados que cumprem mandato na Casa?

Se você faz um trabalho do jeito que estou fazendo, um trabalho bacana e honesto isso não acontece. Se você realmente quer trabalhar, fazer alguma coisa pelo povo vai ser inesquecível. Não vai cair na mesmice. Poucas pessoas sabem, o nosso gabinete é o mais visitado na Câmara. Pessoas do Brasil todo vão lá para tirar foto, fazem pedidos, orar, rezar por você, pessoas de todo tipo que imaginar. Terças e quartas-feiras eu tiro duas horas para receber as pessoas no gabinete. São filas e filas de gente.

Então, nesse caso, não é um deputado, é um artista no Congresso.

Não. É um deputado atuante e um artista querido pelo povo e isso é fantástico. Vêm todas as classes sociais. Se você for a Brasília vai comprovar o que estou lhe falando. Quando entrei montei uma equipe maravilhosa. As pessoas que trabalham comigo já estiveram com outros deputados. Quando elas (as pessoas que trabalham no gabinete dele) viram as filas (de pessoas para falarem com Tiririca) eu disse que seria assim até o resto do mandato. Mas elas falaram que não ocorreria, ficaria apenas nos três primeiros meses porque com Clodovil foi assim. Mas comigo é diferente. É da pessoa se ver no Congresso. O povo se ver comigo. As pessoas me vêem lá e é como se fossem elas. É o cara que veio com o preconceito, que batalhou para caramba, veio do nada, passou fome, está lá e estar fazendo bem feito. Estou mostrando para os eleitores e para os meus próprios colegas de trabalho que tem como se trabalhar.

O senhor sentiu discriminação quando chegou na Câmara pelo fato de ser um palhaço?

Não. Eu fui bem recebido entre eles. Me respeitam para caramba, fiz amizade lá dentro. Isso é fantástico.

Nas redes sociais surgem muitas frases do senhor. Tudo que Tiririca fala vai para as redes sociais e vira motivo até de piada.

Tudo que eu falo vira notícia. Isso é fantástico porque é da galera. Eu posso não ser um professor, mas sou um cara experiente. Tenho experiência de vida. Cheguei onde cheguei não foi por acaso. Foi batalhando, correndo atrás. O cara sair de circo, do interior do Ceará, de Itapipoca e estar no meio dos artistas grandes do humor! Se você falar sobre humor hoje e não falar em Tiririca não pode. Se você falar na política hoje e não falar em Tiririca! Isso é uma coisa fantástica. O cara que batalhou e chegou onde chegou pela batalha e por falar a verdade. Sou um cara que se não gostar de você não sei fingir. Quando foi para eu entrar eu falei com minha mãe e disse que não era político. Quando foi para eu chegar lá (em São Paulo) eu já era estourado a nível Ceará com a Florentina. Quando fui para São Paulo peguei uma gravadora com o nome de Sony Music, era a gravadora de Roberto (Roberto Carlos) e Michael (Michael Jackson). E os caras me colocaram na mesa e disseram que precisavam mudar meu estilo antes de eu aparecer a nível nacional. Teria que colocar dente, colocar peruca. E eu disse que não precisava disso. Meu público (do Ceará) me conhecia como eu era. Eu não sei fazer média.

O senhor disse que quando se fala de humor tem que ter Tiririca, se falar de política precisa colocar Tiririca. O senhor alia palhaçada e política?

Eu fui o deputado mais votado do país. É complicado (aliar humor e política), mas eu não posso deixar o meu lado artístico. Final de semana quando dar eu faço shows, viajo no Brasil fazendo shows. Não deixei de me apresentar. Meu show sou eu e mais seis pessoas, é uma equipe que vive disso e a gente batalha. A política, na realidade, entrei por acaso, deu certo e vou fazer de tudo para um trabalho bacana, que venho fazendo.

Depois de deputado federal o senhor almeja que cargo?

Eu não penso em nada. Juro para ti. Não penso em nada. Se amanhã ou depois…a galera fala que se você entrar (na política) não sai mais, diz que gosta da coisa. Eu não sei, é cedo para falar isso. Eu não sei minha cabeça amanhã ou depois.

Quem ganha mais: deputado ou palhaço?

Como palhaço, com certeza. Não tenha dúvida disso. Qualquer show que você faz ganha. O ordenado da Câmara fica só naquilo.

Com DN

Posted on 30/04/2012, in Brasil, Entretenimento, Política. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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