Lupi de novo na marca do pênalti

Desde ontem, quando a Comissão de Ética Pública recomendou à presidente Dilma Rousseff a exoneração de Carlos Lupi, o ministro do Trabalho voltou à marca do pênalti.

Lendo os principais jornais do país, a impressão que se tem é que agora ele não conseguirá mais escapar da degola.

A Folha de S.Paulo diz que “a decisão é inédita e tornou a situação do ministro, há quase um mês no centro de revelações de irregularidades, ainda mais delicada.”

Segundo o jornal, “Dilma foi pega de surpresa e deverá analisar o pedido após ler seu teor hoje, antes de viajar para a Venezuela.” Ela pode decidir pela substituição imediata de Lupi pelo número dois da pasta, Paulo Roberto dos Santos Pinto.

Na mesma Folha, em reportagem assinada por Fernando Mello e Andreza Matais, outro petardo contra o ministro do Trabalho. Descobriu-se agora que ele ocupou simultaneamente, por quase cinco anos, “dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos, a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.”

A “acumulação remunerada de cargos públicos” é proibida pela Constituição e pode levar a ações judiciais por improbidade administrativa e peculato, com cobrança da devolução dos recursos recebidos de maneira irregular.

Entre dezembro de 2000 e novembro de 2005, ao mesmo tempo em que era assessor-fantasma da liderança do PDT na Câmara dos Deputados em Brasília, Lupi também ocupava o cargo de assessor de um vereador do seu partido na Câmara Municipal do Rio, a quase 1.200 km da capital.

No jornal O Estado de S.Paulo, Eugênia Lopes, Andréa Jubé Vianna e Rosa Costa contam que o PDT, partido do ainda ministro, foi surpreendido pela decisão da Comissão de Ética Pública mas mesmo assim não entregou os pontos. Deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva afirmou ontem que a Comissão de Ética é integrada por “gagás e velhinhos” que perseguem Lupi.

E no jornal O Globo, em reportagem assinada por Gerson Camarotti, Christiane Jungblut e Maria Lima, a história que se conta é a seguinte, dois pontos e aspas:

“Assim que recebeu o documento da Comissão de Ética Pública da Presidência da República com a recomendação de exonerar o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se com um grupo mais próximo de auxiliares para avaliar qual posição tomar e mandou avisar ao ministro sobre a recomendação de exonerá-lo feita pela comissão. A primeira avaliação indicava que a situação de Lupi ficou extremamente delicada, e a sinalização era a de que já não há mais a sobrevida dada a ele até a reforma ministerial de janeiro. Lupi não quis se manifestar, mas entre políticos de oposição, governistas e até pedetistas sua situação já era considerada insustentável. Segundo interlocutores, Dilma disse que vai decidir sem pressa e sem pressão.”

Aspas fechadas, história contada, a pergunta que fica é a única possível: a presidente demitirá o ministro trapalhão ou ele mesmo, num lampejo de consciência, pedirá as contas?

Posted on 01/12/2011, in Brasil, Política. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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