Daily Archives: 04/05/2011

Cidades do interior são alvos fáceis

A situação denunciada pelo tribuna do norte é recorrente na maioria dos municípios do RN. A Associação está mapeando todo o estado e o relatório será encaminhado as autoridades competentes.:

Colete balístico com prazo de validade expirado, armamento ultrapassado, viaturas com defeitos, estrutura de trabalho comprometida e problemas com alimentação. Essa é a realidade da maioria dos municípios do Agreste potiguar, que vêm sofrendo com ataques de bandidos qualificados, com armamento e estratégia que deixam a segurança pública a ver navios. A falta de efetivo é apontado como o ponto que mais compromete a atuação tanto da Polícia Militar quanto da Civil.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu mais de 300 quilômetros, passando por seis cidades do agreste, para conversar e constatar como andam os órgãos de segurança no interior do estado. E a notícia não é boa. Algumas localidades estão apenas esperando os bandidos agirem, pois não dispõem da mínima capacidade de combatê-los.
E as quadrilhas já estão agindo. Nos últimos três meses, os bandidos estão migrando para o interior justamente por perceber essa deficiência. Foram seis explosões a caixas eletrônicos, nas quais a polícia não pôde oferecer a mínima resistência.
De Pedro Velho, a 70 quilômetros da capital, a Serrinha, a 80 quilômetros de Natal, passando por Montanhas, Santo Antônio e São José de Campestre; existe um consenso: tanto a PM quanto a Polícia Civil necessita de uma reestruturação urgente.

Começamos por Pedro Velho, que tem pouco menos de 15 mil habitantes. Lá, no destacamento da PM funciona um “mini-presídio”, como classificaram os PM’s, com 26 detentos. “Não recebemos nada a mais para tomar conta deles e isso atrapalha a nossa função”, conta um soldado que preferiu não se identificar…

Na cidade vizinha Montanhas, a 95 quilômetros de Natal, a situação é pior. Não há agentes da PC e existem apenas dois policiais militares trabalhando por dia em um município de 13 mil habitantes.
As condições dos coletes são as mesmas, vencidos. As armas, revólveres calibre 38, são consideradas ultrapassadas e os policiais trabalham com o armamento adquirido particularmente. O destacamento se resume a uma antiga farmácia com uma mesa, onde também são lavrados boletins de ocorrência – o que seria função da PC. A delegacia aparenta estar com a reforma concluída, mas está com as portas fechadas e placa de “o governo está aqui” situada na frente parece ser uma ironia.
Tanto a alimentação quanto a viatura são asseguradas pela prefeitura local, que paga por ambas. “Se houver uma ocorrência grande, a gente não vai porque não tem estrutura”, relata outro soldado que preferiu não se identificar com medo de represálias pelas críticas.
Para esse soldado, há muito desvio de funções, com policiais servindo a políticos, como também existe escalas desiguais em um mesmo batalhão, o 8º batalhão de Nova Cruz, de onde a maioria dos policiais do agreste são distribuídos.

O reduto de segurança do Agreste é a cidade de Nova Cruz. Com o 8º Batalhão e a delegacia regional, o município é, de longe, o que apresenta mais condições de combater a criminalidade.

Procurado pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o delegado geral da Polícia Civil, Ronaldo Gomes de Morais, disse haver um projeto já pronto para se intensificar a presença da PC nas cidades interioranas. “Há um projeto para nós ocuparmos 40 sedes de comarca no interior do estado. Mas isso depende da nomeação dos aprovados no concurso, coisa que está a cargo da governadora”, esclareceu.

O comandante geral da Polícia Militar no RN, o coronel Francisco Araújo, acenou com melhorias de equipamento e efetivo. “As últimas turmas formadas estão sendo voltadas, na sua maioria, para o interior. Como a última em que dos 472 policiais, apenas 114 foram destinadas a Natal”.
Quantos a deficiências nos equipamentos de trabalho, Araújo respondeu: “Já uma licitação pronta para adquirirmos coletes e armamento. Estamos aguardando a liberação do orçamento, ainda sem data prevista, para podermos fazer isso”.
O coronel fez questão de rebater as críticas feitas devido aos coletes vencidos e aos revólveres, considerados ultrapassados. “O revólver permanece como uma arma potente. Claro que uma pistola é melhor, mas ainda não temos condições de abastecer todo o nosso efetivo com esse tipo de armamento. Quanto aos coletes, essa validade de seis anos não é exata, é relativa. Quando ele permanece em boas condições, não há problemas maiores em utilizá-lo”.

Não é difícil imaginar o porquê de as agências do Banco Bradesco serem os alvos preferidos das quadrilhas as quais utilizam explosivos. As agências simplesmente não oferecem nenhum tipo de dispositivo ou equipamentos que facilitem a investigação policial após o crime ou que contate automaticamente a PM durante o assalto.
Terminais eletrônicos da empresa representaram cinco das seis explosões registradas no Rio Grande do Norte nos três últimos meses. No estado vizinho, Paraíba, a porcentagem é ainda maior: sete dos sete caixas eletrônicos vítimas de explosivos eram daquela empresa.

Em Montanhas e Serrinha não há câmeras de segurança, sensores de presença nem alarmes que contatem a polícia. Em Pedro Velho, vê-se um sensor de presença que aparenta não servir para muita coisa.
As agências dos Correios, que vinham sendo os alvos, parecem ter perdido o páreo para o Bradesco, na disputa de quem oferece menos segurança ao patrimônio.
Desde novembro, quando aconteceu a primeira explosão no RN, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (Sesed) já pedia por uma atitude no sentido de, no mínimo, dar algum subsídio para a investigação policial, como câmeras de segurança.

Fonte: TN Online.
Marco Carvalho – Repórter